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Yara Lins, 90 anos de uma pioneira da TV



Orasilia Severina Fonseca nasceu em Frutal, Minas Gerais, em 26 de fevereiro de 1930. Moça muito bonita e talentosa, com vinte anos incompletos é contratada para trabalhar na Radio Difusora de São Paulo, a célebre PRF-3. Com a inauguração da TV Tupi canal 3 Paulistano, Yara é escolhida para ser o primeiro rosto adulto a aparecer no dia 18 de setembro de 1950.

Depois de trabalhar com Mário Fanucchi, Jota Silvestre, Lima Duarte e Dionisio Azevedo na Tupi, Yara se transfere para a TV Paulista, canal 5 de São Paulo, onde é dirigida por Wálter Forster, e se torna uma das entrevistadoras do inovador programa “O Mundo é das Mulheres”, ancorado pela amiga Hebe Camargo. A entrevista com o pintor Di Cavalcanti em 1956, foi uma prova da cultura, desenvoltura e desembaraço de Yara Lins.

Nos anos 1960, chega a telenovela diária em nossa televisão e encontra Yara Lins já trabalhando na TV Excelsior, canal 9 de São Paulo, onde atua em “Ilsa” de e com direção de Lucia Lambertini, baseada na obra literária de Emmy von Rhoden. Foi a primeira, das oito novelas de Yara nessa emissora de TV.

Nessa mesma década, Yara também fez novela na nascente Rede Globo, “O Sheik de Agadir”, em 1966, texto de Gloria Magadan, onde foi dirigida pelos colegas de TV Tupi, Henrique Martins e Regis Cardoso. E ainda no derradeiro ano daquela década, que consolidou a televisão em São Paulo, 1969, Yara Lins trabalha na Tupi com Plinio Marcos e na Bandeirantes com Marcos Paulo, em dois folhetins escritos por Sylvan Paezzo, respectivamente “João Juca Jr” (no canal 4) e “Era Preciso Voltar” (no nascente canal 13) e com o mesmo diretor geral, o amigo de décadas Walter Avancini.

Chega a década de 1970 e Yara tem múltipla atuação artística, seja no Teatro, na peça “Ilha das Cabras” de Ugo Betti com direção de Roberto Vignatti, onde contracenou com o jovem ator Flávio Galvão, ou na TV onde continua fazendo trabalhos na Tupi, como em “Vitoria Bonelli” de Geraldo Vietri, em 1972, e no final da década, mais precisamente em 1979, volta a Rede Globo no sucesso das oito da noite, “Pai Herói”, escrito pela amiga dos tempos de Rádio, a novelista Janete Clair.

Movida a novos desafios profissionais, Yara reencontra Vietri em sua volta a Bandeirantes em 1982, em sua  novela “Renúncia” e no mesmo ano faz duas novelas na TV Cultura, baseadas na obra de dois escritores por ela admirados: Ondina Ferreira (“Nem Rebeldes Nem Fieis”) e Antonio de Alcântara Machado (“As Cinco Panelas de Ouro”) .

Também em 1982, faz sua primeira novela no SBT, ainda TVS, “A Força do Amor” escrita pelo amigo radialista Raimundo Lopes, baseada em original da argentina Marisa Garrido e dirigida pelo colega dos tempos de TV Excelsior, Waldemar de Moraes. Num momento de grande atividade artística sempre pautada pela dedicação, qualidade e generosidade , Yara Lins ainda nos anos 80, trabalha na TV Manchete, na novela “Kananga do Japão” de Wilson Aguiar Filho com direção de Tizuka Yamasaki. E foi essa grande cineasta que convida Yara para, em 1999, trabalhar no
filme da ‘Rainha dos Baixinhos”, apresentadora Xuxa Meneghel, intitulado “Xuxa Requebra”, que foi grande sucesso de bilheteria.

Vem a década de 1990, e ao lado de Nilton Travesso, Walter George Durst e Vicente Sesso, Yara Lins trabalha em novelas do SBT, em seu retorno à emissora de TV do colega deste os tempos de TV Paulista, Silvio Santos. Em 2000, pelas mãos do amigo Manoel Carlos, trabalha em sua trigésima sexta e última telenovela diária, “Laços de Família”, que teve direção geral de Ricardo Waddington. Com a personagem Dona Nilda, encerra a sua memorável , premiada e aplaudida participação na história de nossa telenovela.

Grande amiga de Vida Alves desde os anos 1940, Yara teve decisiva participação na fundação do Museu da Televisão, tendo sido a sua sócia de nº 31. Faleceu em São Paulo em 28 de junho de 2004, aos 74 anos, e foi sepultada no jazigo da Associação dos  Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, o Museu da TV, que ajudou a fundar na década anterior.

Foi a primeira de muitas merecidas homenagens que Yara recebeu, recebe e continuará recebendo de seus amigos, colegas de trabalho e telespectadores em razão de ter sido uma das mais frequentes, gentis e inteligentes personalidades que a nossa TV produziu nestes quase 70 anos de história.

Viva Yara Lins e seu legado de emoção, ternura e qualidade artística!

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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