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Gessy Fonseca, a Dama da Voz e a maior dubladora de seu tempo



Gessy Fonseca nasceu na cidade de São Paulo em 13 de março de 1924.Ainda jovem já tinha a arte e a cultura como seu encantamento. Com a sua Irmã mais nova, Daisy Fonseca, começou a participar do legendário auditório da Rádio Record (PRB-9) assistindo o Radioteatro do mestre Manoel Durães, o mais importante do rádio paulistano do início dos anos 1940. E pouco tempo depois, estreando juntamente com o jovem ator Dionisio Azevedo, era contratada pela Rádio Record pelo diretor artístico Octavio Gabus Mendes.

Ainda nesta década, Gessy Fonseca é pioneira como intérprete da obra de Monteiro Lobato, na Rádio Cruzeiro do Sul (PRB-6):  a sua notável criação da icônica personagem Dona Benta nas ondas do dial recebeu elogios sinceros do grande “pai da Emília”. Em 1950,já trabalhando na Rádio Bandeirantes (PRH-9) é a primeira atriz de rádio a receber o Prêmio Roquette Pinto, esse troféu tão tradicional na história do Rádio Nacional.

Com a voz agradável, firme e marcante, Gessy também é pioneira na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, dublando a grande estrela Eliane Lage, no filme “Caiçara” com direção de Adolfo Celi.  E nessa rica década de 1950, Gessy trabalhou com grande destaque na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e mais uma vez foi pioneira já na TV Record. Ela foi a primeira Dona Lola em “Éramos Seis”, livro de grande sucesso de Maria Jose Dupret que foi adaptado pela primeira vez na televisão por Ciro Bassini, que também dirigiu essanovela que ainda não era diária, mas teve grande repercussão de crítica e de público naquele 1958.

Grande nome da história do rádio que registrou trabalhos memoráveis também na Rádio Tupi de São Paulo, na Kosmos e na Piratininga, Gessy Fonseca também trabalhou na primeira década da TV Tupi, canal 3  de São Paulo, atuando em teleteatros no  Grande Teatro Tupi, ao lado de legendas como Walmor Chagas, João Restiffe, Jurema Magalhães, Vera Nunes, Jaime Barcelos, Dary Reis e Carmem Silva, onde trabalhou sob a direção artística de Cassiano Gabus Mendes, o filho de seu padrinho artístico Octavio Gabus Mendes. .

Chega a década de 1960, e Gessy ajuda a fundar o Sindicato dos Radialistas de São Paulo em 1962, participando do Conselho Deliberativo desta importante entidade de representação paulista, presidida pelo radialista, parlamentar e advogado Gióia Junior.  Nessa áurea década, Gessy também foi uma das grandes estrelas do princípio da TV Excelsior, canal 9 de São Paulo.

Na década de 1970, Gessy volta ao Rio de Janeiro, convidada pela Central Globo de Novelas para trabalhar na produção “Fogo Sobre Terra”, onde reencontra seus colegas Janete Clair (a novelista) e Walter Avancini (o diretor) e interpreta Celeste, numa comovente atuação na TV Globo, onde trabalha também com amigos de longa data como Neuza Amaral, Isaac Bardavid e Jaime Barcelos. Ainda nos anos 1970, Gessy é contratada pela TV Bandeirantes, trabalhando na novela “O Todo Poderoso” de Clovis Levy e JoséSaffiotti Filho com direção geral de Henrique Martins.

Nos anos 1980 nasce o SBT e Gessy trabalha na marcante telenovela “Meus Filhos, Minha Vida”, escrita em seis mãos por Henrique Lobo, Ismael Fernandes e CraytonSarzy, com direção geral de Antonino Seabra.

E durante todo esse tempo, Gessy continuou trabalhando como dubladora, atividade artística em que foi pioneira no Brasil, trabalhando em empresas como Alamo, Cinesom e AIC, tendo sido considerada a decana da arte de dublar neste país.

Em 2001, por intermédio do então secretário de Estado da Cultura, Marcos Mendonça, juntamente com a presidente do Museu da TV, atriz Vida Alves (amiga de Gessy desde a década de 1950), Gessy Fonseca é homenageada com grande justiça com uma placa no saguão do Teatro São Pedro, localizado no Bairro Paulistano da Barra Funda, em reconhecimento a sua grande contribuição à Cultura do Brasil, inclusive na área Teatral, onde trabalhou com Vera Nunes, uma amiga por toda vida.

Gessy Fonseca, associada do Museu da Televisão, faleceu na cidade de São Paulo em 11 de novembro de 2018, aos 94 anos, enlutando nossa Cultura e tornando sua obra longeva, extraordinária e pioneirística.

Viva a pioneira Gessy Fonseca, a grandiosa Dama da Voz do Brasil.

Rodolfo Bonventti

 
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