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Um telefonema por engano deu início a uma mania nacional



Em 22 de julho de 1963, a TV Excelsior, por meio do seu diretor, Edson Leite (1926-1983), deu uma cartada decisiva para que a novela se tornasse, pouco tempo depois, uma mania nacional. Foi dele a idéia de passar a ter, no centro da programação noturna da televisão, uma novela diária.

Edson Leite já havia criado junto com Alberto Saad a idéia da grade horizontal na TV Excelsior, onde os programas começavam exatamente na hora prevista e tinham uma seqüência bem delineada: novela, telejornal, linha de shows e filme, a cada dia da semana.

Satisfeito com os resultados dos teleteatros e certo de que se não ousasse naquele momento, a TV Tupi também poderia ter a idéia e sair na frente, Edson Leite comprou os direitos de um original argentino de Alberto Migré (1931-2006) que originariamente se chamava “0597 da Ocupado” e que na versão nacional teve o título de “2-5499 Ocupado”.

Com o apoio financeiro da empresa Colgate-Palmolive, que se tornou na única patrocinadora, nos primeiros anos, das novelas na Excelsior, Edson Leite chamou a autora Dulce Santucci (1921-1995) para fazer a versão brasileira do texto, e foi buscar na Tupi, pagando muito mais, os principais nomes do elenco, comandado pelo casal Glória Menezes e Tarcísio Meira.

Nas primeiras semanas, a novela era exibida às segundas, quartas e sextas-feiras, às 19h, mas um mês depois ela passou a ser diária e definiu de vez o espaço da teledramaturgia nos lares brasileiros. Como o vídeo tape já existia, “2-5499 Ocupado” também viajou o país e passou a ser transmitida por todas as emissoras que foram surgindo filiadas à TV Excelsior. No Rio de Janeiro, por exemplo, a novela começou a ser exibida em 9 de setembro de 1963.

A adaptação de Dulce Santucci e a direção de Tito di Míglio, que também era argentino, agradaram ao público que passou a achar muito interessante ligar a televisão diariamente, naquele horário, para chorar, torcer e se emocionar com belas histórias de amor.

A história de “2-5499 Ocupado” era simples: um homem telefona por engano para um número, e do outro lado quem atende é uma bela voz feminina. Ele se encanta com aquela voz sem saber que o número é de um presídio feminino, e que ele está falando com uma presidiária que é a telefonista do lugar.

Com um elenco pequeno formado por apenas nove atores, além de Tarcísio e Gloria estavam Lolita Rodrigues, Neuza Amaral, Célia Coutinho, Maria Aparecida Alves, Gilberto Sálvio, Lídia Costa e Dinah Ribeiro, a Excelsior deu o pontapé inicial para aquele que se transformaria no principal produto da nossa televisão: a telenovela.

Rodolfo Bonventti

 
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