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O vilão batia no mocinho e a galera vibrava com o Telecatch



Em 1963, nas noites de domingo, a TV Excelsior do Rio, Canal 2, lançou o programa “Dois no Ringue”, que transmitia lutas de boxe entre os maiores pugilistas da época, entre eles Éder Jofre, Kaled Curi e Ralf Zumbano. A transmissão era séria e as lutas eram de verdade, mas o sucesso do programa gerou um filhote que fez ainda mais sucesso: o “Telecatch”, inicialmente patrocinado pela Vulcan e depois pela Montilla.

O “Telecatch Vulcan” estreou também na TV Excelsior, em 1965, e fazia uma estranha e ao mesmo tempo engraçada mistura de combate com encenação teatral e arte circense. O auge foi a partir da estreia de um lutador loiro e italiano, com jeito de galã de fotonovela, que logo ganhou uma legião de fãs. Ele se chamava Mário Marino, mas todo mundo o conhecia como Ted Boy Marino.

Em 1967, o programa foi para a TV Globo e ganhou o nome de “Telecatch Montilla” e, posteriormente, na década de 1970, chegou à Tupi e depois à Record com o nome de “O Reis do Ringue”.

A vitória nem sempre cabia ao mocinho, nesse caso, na maioria das vezes, o lutador Ted Boy Marino, mas o delírio do público estava em justamente odiar os vilões, que normalmente agrediam covardemente o outro competidor com mordidas, dedos nos olhos ou até mesmo dando tijoladas na cabeça um do outro.

Muitas vezes, até mesmo o juiz apanhava dos vilões do ringue e, então, o público gritava e xingava delirantemente pelos lutadores. Quando o mocinho se recuperava e ganhava a luta no final com algumas tesouras voadoras era um delírio total.

Na TV Globo o programa mudou de domingo para os sábados, às 20h, em uma época em que a emissora ainda não tinha nas novelas o seu carro chefe. A narração dos telecatchs era de Tércio de Lima e a direção de Renato Pacote e Teti Alfonso.

Hoje, quando a televisão se dobra à transmissão de lutas da UFC, vale a pena lembrar do período de ouro da luta-livre na nossa telinha, que era chamada pelos mais críticos de espetáculo-marmelada. O sucesso foi tão grande que Ted Boy Marino e outros lutadores como Fantomas, Aquiles, Mongol, Leopardo, Tigre Paraguaio, Barba Negra ou Rasputin ganhavam capas de revista e competiam na quantidade de páginas internas junto com os nossos galãs e cantores mais populares.

Ted Boy Marino virou também ator de cinema (“Dois na Lona”) e de programas humorísticos, tendo participado, por alguns anos, junto com Renato Aragão, o cantor Wanderley Cardoso, Ivon Curi e Dedé Santana de “Os Adoráveis Trapalhões”.

Rodolfo Bonventti

 
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