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Dalva de Oliveira, a rioclarense que foi Rainha da Voz



Vicentina de Paula Oliveira nasceu em Rio Claro, interior de São Paulo, em 05 de maio de 1917 . Menina de raro talento musical, cantava desde a infância e já morando no Rio de Janeiro,  no ano de 1937, casa-se com o compositor fluminense Herivelto Martins (1912-1992) e funda com ele e com o cantor Nilo Chagas (1917-1973) o Conjunto Vocal Trio de Ouro, batizado e lançado pelo grande apresentador de rádio, César Ladeira (1910-1969) em seu “Programa da Rádio Mayrink Veiga”. Obtêm um imediato sucesso e passam a gravar na RCA Victor  e, no ano seguinte, já estavam contratados pela gravadora Odeon, onde lançaram sucessos de Benedito Lacerda, Sinval Silva e  Humberto Porto.

Em 1939, Dalva de Oliveira faz uma interessante gravação solo, que se transformou num grande sucesso nacional na gravadora Columbia (hoje Sony Music): “Noites de Junho” de Braguinha e Alberto Ribeiro. Em 1942, a “Estrela Dalva” é contratada pela Odeon, tornando-se rapidamente a principal cantora dessa que era uma das maiores gravadoras brasileiras daquela época.E Dalva nunca mais deixou a Odeon, totalizando trinta anos e dezenas de discos lançados sempre com estrondoso sucesso de público e de crítica. A “Música Segredo”, por exemplo, composição de Herivelto Martins e Marino Pinto, gravada por Dalva em 1947, rivalizou com o clássico da Música Popular Brasileira, “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, como um dos maiores sucessos da canção brasileira daquele ano.

Chega a década de 50 e Dalva de Oliveira com o seu canto de “rouxinol”, já é a cantora mais importante em atividade no Brasil, visto que a “Pequena Notável” Carmem Miranda fixara definitivamente sua residência nos Estados Unidos. Só no profícuo ano de 1950, a “Rainha da Voz” emplacou três grandes sucessos populares: “Tudo Acabado” de J Piedade e Osvaldo Martins; “Que Será” de Marino Pinto e Mario Rossi e “Errei Sim” de Ataulfo Alves.

Todo esse merecido sucesso, num período bastante rico da cultura brasileira, impulsiona decisivamente a eleição de Dalva de Oliveira como a Rainha do Radio Brasileiro de 1951, em concorrida eleição organizada pela Associação Brasileira de Rádio (ABR) . Num pleito que mobilizou público, artistas, jornalistas, radialistas, Dalva de Oliveira foi a vitoriosa com exatos 311.107 votos. E nesse ano, Dalva registra mais dois retumbantes sucessos: “Ave Maria” de Vicente Paiva e Jaime Redondo e “Zum-zum” de Fernando Lobo e Paulo Soledade.

Em 1952, é convidada pelo governo britânico a cantar nas comemorações da coroação de Sua Majestade Rainha Elizabeth II no trono bretão! Dalva de Oliveira orgulha mais uma vez o Brasil fazendo histórico espetáculo no Hotel Savoy de Londres. a Real Capital do Reino Unido. Tudo isso coincide com o inicio da Televisão no Rio de Janeiro e Dalva passa também a cantar em vários programas musicais, sucessos históricos de Ari Barroso, Klecius Caldas e Armando Cavalcanti.

Em 1962, assiste a justa aclamação artística de seu talentoso filho Pery Ribeiro (1937-2012) cantando um dos marcos da Bossa Nova: “Garota de Ipanema” de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.Pery recebe o Troféu Imprensa de Melhor Cantor da Televisão de São Paulo daquele ano, dando muito orgulho e felicidade a sua Estelar-Mãe Dalva. Logo depois, passam a se apresentar junto, em apresentações marcantes no “Programa do Chacrinha” da TV Excelsior e no Programa de Ayrton Rodrigues na Tupi.

No Carnaval de 1970, Dalva de Oliveira reina novamente com a marchinha carnavalesca: “Bandeira Branca”, escrita pelos compositores Max Nunes e Laércio Alves, que é cantado até hoje no “Tríudo de Momo” pelo Brasil.

Em 30 de agosto de 1972, Dalva de Oliveira morre no Rio de Janeiro, com apenas 55 anos, causando tristeza e comoção em toda classe artística do País e levando ao seu velório e sepultamento milhares de fãs. As Revistas especializadas em TV “Amiga” (da Editora Bloch) e “Cartaz” (da Editora Rio Gráfica-hoje Editora Globo) dão matéria de capa e registram em muitas páginas todo esse triste cenário de despedida e de homenagens a uma das maiores vozes da Canção Popular Brasileira de todos os tempos.

Nome de praça no Rio de Janeiro, de rua em São Paulo, imortalizada na Galeria de Honra da  SOCINPRO (Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais), por iniciativa de seu amigo e colega de música, Luiz Cláudio. Na qualidade de uma de suas fundadoras em 1962, Dalva de Oliveira foi comoventemente interpretada na televisão por Adriana Esteves na Minissérie “Dalva e Herivelto uma Canção de Amor”, escrita por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Dennis Carvalho, exibida pela TV Globo em 2010.

Muito admirada por glórias da nossa TV como Marília Pêra, Ângela Maria, Maria Bethânia, Silvio Santos e Fausto Silva, a Rainha da Voz, Dalva de Oliveira, continua a brilhar nos ouvidos e nos corações do publico brasileiro que sempre a admirou.

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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