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Ary Silva, genial mestre da locução esportiva brasileira



A cidade de São Paulo foi a terra natal do menino humilde e estudioso chamado Ary da Silva, que brincava quando criança nas ruas modestas do Bairro do Canindé.

No olímpico ano de 1936, antes de completar 20 anos é contratado pelo importante matutino “Diário de São Paulo”, de propriedade do empresário Assis Chateaubriand. Dois anos depois, é a vez de estrelar no “dial” paulistano na muito ouvida Radio Bandeirantes (PRH-9). Na mesma década de 30, ainda trabalha na Radio Record e na Radio Cruzeiro do Sul. Volta para a Bandeirantes em 1939, a convite do mestre radiofônico Otávio Gabus Mendes, onde logo ganha um programa esportivo próprio, o “Bola ao Ar”, criado juntamente com o jornalista e critico de televisão Raul Villoldo, um amigo para toda vida.

Chega a década de 40  e Ary é aprovado como aluno da tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no centro paulistano. Aluno muito dedicado e estudioso, se forma advogado na famosa Turma de Bacharéis de 1943, onde é colega de ícones da Paulicéia do Século XX como Pericles Eugenio da Silva Ramos, Maria da Silva Brito, Murillo Antunes Alves, Ruy Affonso e Israel Dias Novaes.

Conseguindo conciliar brilhantemente seu trabalho como causídico, radialista e jornalista, inclusive estreando na Radio Tupi de São Paulo em 1947, ao mesmo tempo que mantinha sua coluna do “Diário de São Paulo”, é um dos fundadores da ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) em 08 de dezembro de 1941, sendo aclamado por seus pares como o primeiro presidente desta destacada Associação de Imprensa, e em 1944 é um dos fundadores do Clube dos Papagaios, entidade que congregava cem radialistas de todas as emissoras radiofônicas da cidade de São Paulo. Aliás, o papagaio, símbolo deste clube deu muita sorte a Ary, pois em 1950, é o primeiro ganhador do Prêmio Roquette Pinto de rádio, cuja representação plástica se dava na forma desta simpática e colorida ave.

Sempre com ética e integridade, Doutor Ary Silva trabalhou por alguns anos na Federação Paulista de Futebol, dirigindo sua Escola de Arbitragem  e foi Conselheiro Municipal de Esportes na Prefeitura de São Paulo quando ainda nem existia a Secretaria de Esportes na Municipalidade, no ano de 1953.

Depois de uma histórica cobertura esportiva dos Jogos Olímpicos de Londres em 1948, Ary Silva comenta  pela TV Tupi, canal 3 de São Paulo, os Jogos Panamericanos da Cidade do México de 1955, as Olimpíadas de Melbourne em 1956 e os prodígios do Rei Pelé no Campeonato Paulista de 1957, recebendo nestes três consecutivos anos o Premio Roquette Pinto como o Melhor Comentarista Esportivo da TV.

Em 1960, é a vez de ser o primeiro comentarista esportivo a receber o Troféu Imprensa, em razão de seu trabalho na Equipe Esportiva da Tupi, como nos comentários da histórica conquista do herói conterrâneo do Titulo Mundial de Boxe em novembro daquele ano em pleno solo americano.

Em 1962, depois de ser o comentarista da TV Tupi de São Paulo na Copa do Mundo do Chile, onde e Seleção Brasileira de Futebol se sagrou bicampeã mundial de futebol, Ary recebe o seu terceiro e consecutivo Troféu Imprensa. No ano seguinte, em 3 de fevereiro de 1963, funda um interessante jornal de bairro na sua querida Santana, bairro paulistano onde estudou ainda nos anos 20. Nascia então “A Gazeta da Zona Norte”, que circula até os dias atuais.

Em 30 de agosto de 1968, mais um notável feito na área da Imprensa. Sob a inspiração do ex-patrão Assis Chateaubriand é um dos fundadores da Ordem dos Velhos Jornalistas de São Paulo (OVJ-SP) ao lado de colegas de profissão de mais de trinta anos como Carlos Rizzini, João de Scantimburgo e Napoleão de Carvalho.

Pouco antes, em 1965, recebe o Prêmio Governador de Estado de São Paulo na categoria Rádio. Depois, passou a escrever uma prestigiada coluna no jornal “Popular da Tarde”, também em São Paulo.

Brilhante homem público, eleito por duas vezes vereador na Câmara Municipal de São Paulo e também por duas vezes deputado estadual perante a Assembléia Legislativa Paulista, Ary dignificou sua família e sua profissão com uma conduta irrepreensível e competência nos trabalhos legislativos. É o autor, por exemplo, da homenagem ao “Marechal da Vitoria”, Doutor Paulo Machado de Carvalho com o nome do Estádio do Pacaembu, palco de tantos eventos esportivos que Ary tão bem comentou.

Em 6 de abril de 2001, Ary Silva faleceu, aos 83 anos, em sua querida Paulicéia, tendo sido sepultado no Cemitério do Araçá, tão perto do Estádio do Pacaembu, onde tanto trabalhou.

Comentarista legendário e pioneiro, Ary Silva é exemplo a ser seguido em muitas vertentes. Viva Ary Silva “o cronista que dispensa adjetivos”. Que seu bonito  legado continue sendo eterno, como eterna é a sua magnificência .

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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