Museu da TV, Rádio & Cinema

Renata Pallottini, a intelectual que tanto contribuiu para a Cultura



Renata Pallottini nasceu na cidade de São Paulo, no famoso bairro da Aclimação, em 20 de janeiro de 1931, com data de registro cartorial em 28 de março do mesmo ano. Inteligente e profundamente ligada com a realidade de seu País, se formou em Filosofia pela PUC-SP em 1951, e em 27 de janeiro de 1954, cola grau como Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) pertencendo a Turma de 1953 das Arcadas do Largo de São Francisco.

Em 1952, estreia na Literatura Nacional, com o livro de poesias “Acalanto”, publicado pela paulistana Editora da Autora. No ano seguinte, publica “O Cais da Serenidade” pela Editora Elvino Pocai de São Paulo e nesta época já é admitida como membro do Clube de Poesia de São Paulo. Como grande apaixonada pela obra de Guimarães Rosa, adapta  em sua estréia televisiva o conto “Sarapalha”, que compõe o livro “Sagarana” de 1946, com exibição na TV Tupi, o canal 3 de São Paulo, em 1958.

Em 1961, pelas mãos de Ademar Guerra, tem o seu primeiro original adaptado para a Televisão, na nascente TV Excelsior paulistana, que exibe o texto “Tensão” no “Teatro Nove”, muito conhecido por priorizar os textos teatrais brasileiros. Pouco tempo depois, Renata Pallottini conseguiria ter a sua segunda obra adaptada para o Canal de Mario Wallace Simonsen, o texto teatral “O Crime da Cabra”, mais uma vez dirigido por Ademar Guerra. Ainda nos anos 1960, teve a peça teatral “Patroa e Amnesia” transformada em Teleteatro na TV Globo, em seu segundo ano de existência, como o canal 4  dos cariocas, em 1966.

Renata Pallottini em 1962, se forma em Dramaturgia na Escola de Arte Dramática (EAD) de sua cidade natal, na mesma Turma de seu amigo novelista e teatrólogo Lauro Cesar Muniz.  Não demorou muito para que ela fosse convidada para dar aulas na EAD, onde se tornou grande amiga do doutor Alfredo Mesquita. Em 1974, com a EAD já incorporada a Escola de Comunicações e Artes da USP, é a primeira mulher a ser eleita diretora da EAD, ficando neste honroso cargo ate 1976. Pela mesma instituição de ensino se tornou Doutora em Artes Cênicas em 1982, defendendo a Tese “O País do Sol”, tendo como o seu orientador, o intelectual e professor doutor Sábato Magaldi.

No ano de 1964, Renata Pallottini consegue finalmente encenar o seu primeiro texto teatral, no Teatro Brasileiro de Comedia (TBC), que foi “Nu Para Vinicius” com direção de Egydio Eccio onde dividiu a elaboração do texto com Lauro Cesar Muniz (a parte dramática foi elaborada por Renata e a parte cômica foi elaborada por Lauro), a partir de crônica escrita pela escritora e critica de Televisão, Helena Silveira que inspirou o “poetinha” Vinicius de Moraes a escrever uma cantiga.

No ano seguinte, com a apresentação de “O Crime da Cabra”, com direção de Carlos Murtinho no Teatro Bela Vista, o atual Teatro Sergio Cardoso, com produção de Nydia Lícia, ganha o Prêmio Moliére como a melhor autora de peça teatral de São Paulo de 1965, recebendo ainda o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. No final daquela década reencontra o diretor Ademar Guerra, com quem trabalha no musical “Hair” de James Rado e Gerome Ragni, ela traduzindo e ele dirigindo.

A década de 1970 marca outra importante estreia de Renata Pallottini, desta vez na telenovela diária. Seu discípulo, aluno e amigo Mauro Alencar narra com precisão este importante momento de sua trajetória profissional:

“Ela levou sua excelência poética e dramatúrgica em momentos-chave da produção televisiva. No clássico infantil “Vila Sésamo”, aproximando o público brasileiro de uma criação norte-americana. Com talento e sensibilidade contribuiu para tornar o programa infantil em atração genuinamente nacional, produzida na TV Cultura e na TV Globo. Depois, na pioneira Tupi, apresentou-nos a novela “O Julgamento”, refinada transposição para o audiovisual de “Os Irmãos Karamazov”, uma das mais importantes obras literárias da Rússia. Na Globo, integrou o time do revolucionário seriado (tanto em sua temática quanto em sua estética) “Malu Mulher” e na série “Caso Especial”, com “Sapicuá”, em 1976. Dentro da série “Tele-Romance” da TV Cultura, adaptou “Nem Rebeldes, Nem Fiéis”, de Ondina Ferreira. E na Bandeirantes, levou adiante a saga de Benedito Ruy Barbosa contando a história dos imigrantes e seus descendentes a partir do final da década de 1920 até a construção de Brasília, com “Os Imigrantes”, que com 459 capítulos, é a segunda novela mais longa da história da televisão brasileira”.

Como ensina o Doutor Mauro Alencar, Renata Pallottini levou o seu talento para várias emissoras de TV, sempre em obras de qualidade e de repercussão positiva tanto na critica como no publico.

Por isso também foi muito premiada, pois em 2016, foi eleita a Intelectual do anos pela publicação do livro “Poesia não Vende”, pela Editora Hucitec de São Paulo, ganhando o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores. Também era membro da Cadeira de nº 20 da Academia Paulista de Letras.

O Doutor em Teledramaturgia pela USP, Mauro Alencar, comenta:”Renata Pallottini foi também pioneira no estudo acadêmico de Teledramaturgia, contribuindo para a notoriedade do popular gênero televisivo. E, dentro de seu pioneirismo, em 1989, organizou e dirigiu o Seminário Latino-americano de Dramaturgia da Telenovela no Memorial da América Latina. À época eu era seu orientando no Mestrado da USP e tive o privilégio de ser seu colaborador neste evento internacional”.

Incrível e inovadora, faleceu em São Paulo, aos 90 anos, em 08 de julho de 2021 e foi sepultada no Cemitério do Araçá, deixando um singular exemplo de talento artístico, de consistência cultural e de coerência humana.

Por Fábio Siqueira.

Rodolfo Bonventti

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