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Tarcísio Meira, o ator que tanto honrou a nossa TV



Tarcísio de Magalhães Sobrinho nasceu em São Paulo, em 05 de outubro de 1935. Paulistano típico, que terminou o seu curso colegial na rica década de 1950, onde pontificavam em sua terra natal o Teatro Maria Della Costa, o Teatro de Arena, o Teatro Brasileiro de Comedia (TBC), a TV Tupi paulistana, a TV Paulista de São Paulo e a TV Record, além das três grandes companhias cinematográficas que ocupavam as telas: Vera Cruz, Maristela e Multifilmes.

No meio de toda essa constelação artística e cultural, um nome chamava atenção deste jovem de nossa Paulicéia, o já brilhante e premiado ator Sérgio Cardoso, que com sua esposa Nydia Lícia fazia incríveis peças no velho Teatro Bela Vista, o atual Teatro Sérgio Cardoso.

E foi neste palco que Tarcísio Meira iria ter o seu primeiro relevante trabalho teatral, ao lado de seu padrinho artístico Sérgio Cardoso, no ano de 1959, mais precisamente em 10 de dezembro, na peça “Soldado Tanaka” de George Kaiser, com direção do próprio Sergio, que vivia o protagonista.

No ano seguinte veio a estréia de Tarcísio na TV Tupi, o canal 4 de sua cidade natal. Foi no “Grande Teatro Tupi”, em 12 de dezembro de 1960, na telepeça “Por Amor Também Se Mata” de Sam Ross, com direção de Amir Haddad e produção de Armando Bógus, que também estava no elenco.

Em 1961, Tarcísio Meira é eleito a Revelação da Televisão de São Paulo, ganhando o Troféu Imprensa por seus trabalhos nos teleteatros da emissora de Assis Chateubriand: “TV de Vanguarda” de Walter George Durst; “Grande Teatro Tupi” de Wanda Kosmos e no “TV de Comédia” de Geraldo Vietri. E foi no consagrado texto de Nelson Rodrigues, “A Mulher Sem Pecado”, exibido em 13 de agosto de 1961, que Tarcísio contracenou pela primeira vez com a atriz Gloria Menezes, que tinha sido a Revelação Feminina da TV de São Paulo no ano anterior. A paixão foi imediata e eles se casaram um ano depois.

Em 1963, já trabalhando na TV Excelsior, o canal 9 paulistano, Tarcísio Meira e Gloria Menezes inauguram a telenovela diária no Brasil, ao protagonizarem “2-5499 Ocupado” de Dulce Santucci, com direção de Tito de Miglio, baseado em folhetim argentino de Alberto Migre. Nascia ai, dupla das mais constantes e queridas de nossa Teledramaturgia, que na década seguinte se repetiu na TV Globo, especialmente na premiada novela “Irmãos Coragem” de 1970, escrita pela saudosa Janete Clair e dirigida pelo competente Daniel Filho.

Os galãs interpretados por Tarcísio pareciam da vida real, por sua excelência televisiva e por seu carisma invulgar. E pouco tempo depois, vivendo Dom Pedro I no filme “Independência ou Morte” de Carlos Coimbra, lançado para as comemorações do sesquicentenário da Independência do Brasil, em 1972, demonstrou mais uma vez o seu talento de viver heróis protagonistas.

Na década seguinte, na obra derradeira do mestre cinematográfico baiano, Glauber Rocha, estava lá nas telonas Tarcísio brilhando novamente, no filme “A Idade da Terra”, de 1980, contracenando com a atriz, escritora e jornalista Danuza Leão.

Mas a presença artística majoritária do nosso primeiro João Coragem sempre foi a Televisão. Em 1986, como Renato Villar de “Roda de Fogo”, escrita por Lauro Cesar Muniz e dirigida por Dennis Carvalho, finalmente ganhou o seu primeiro Troféu Imprensa de Melhor Ator. Repetiu a láurea em 1994, com o vilão Raul Pelegrini, na novela “Pátria Minha” de Gilberto Braga com direção de Dennis Carvalho. E com o vampiro Bóris Vladescu da novela “O Beijo do Vampiro” de Antonio Calmon com direção de Marcos Paulo, ganhou em 2002, o seu terceiro Troféu Imprensa de Melhor Ator.

Só na TV Globo foram 36 telenovelas, onde também deu vida a ótimos personagens escritos por Dias Gomes, Benedito Ruy Barbosa e Manoel Carlos. Infelizmente, este gigante de nossa Cultura faleceu em sua terra natal aos 85 anos, em 12 de agosto de 2021. Deixou viúva Gloria Menezes, com quem ficou casado por quase sessenta anos, e enlutou toda uma nação que o amava.

Tarcísio Meira sempre protagonizará momentos culminantes da História de nossa Televisão. Por aqui os seus fãs irão sempre lhe aplaudir.

Por Fábio Siqueira.

 

Rodolfo Bonventti

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