Museu da TV, Rádio & Cinema

Paulo Porto, filho de Muriaé e pioneiro da Televisão



Paulo Epaminondas Ventania Porto nasceu na mineira Muriaé, em 1º de setembro de 1917. Ainda criança, passou a morar no Rio de Janeiro e pouco tempo depois já pertencia ao famoso Teatro do Estudante Brasileiro, criado por Paschoal Carlos Magno. E foi nessa fase, ainda amadorística, mas de grande aprendizado e trabalho que Paulo foi o primeiro Romeu de William Shakespeare da historia da ribalta brasileira, quando em 1938, participou da montagem pioneira de “Romeu e Julieta”, sendo Julieta a atriz Sonia Oiticica, numa épica direção de Itália Fausta.

Dois anos depois, já como ator profissional, Paulo Porto registraria mais uma vez o seu nome na história do Teatro Brasileiro, ao inaugurar o famoso palco carioca do Teatro Serrador, com a peça “O Avarento” de Moliére, protagonizada pelo mestre e amigo Procópio Ferreira e também por Aimée.

Logo ele é convidado para estrear nas telas cinematográficas. E foi pelas mãos da pioneira cineasta luso-brasileira Carmem Santos que Paulo estreou no filme “Inconfidência Mineira”, protagonizado por Rodolfo Mayer. Ainda na década de 1940, Paulo trabalharia no Cinema com outros mestres como Raul Roulien e Moacyr Fenelon. Além disso, já se consolidava como um grande radialista, sendo um dos principais cartazes da Radio Tupi do Rio de Janeiro, a PRG-3.

Em 20 de janeiro de 1951, nasce a Televisão na “Cidade Maravilhosa” e ele  está entre os seus inauguradores, a exemplo dos amigos Chianca de Garcia, Fernanda Montenegro e José Maria Monteiro. Nos primeiros anos, trabalha em dezenas de Teleteatros na emissora carioca de Assis Chateaubriand, até ganhar o seu próprio programa, o “Teleteatro Paulo Porto”.

Em 1956, ganha o Prêmio da Revista “Radiolândia” como o melhor ator da Televisão do Rio de Janeiro por seu brilhante trabalho na Telenovela não diária “A Moreninha”, um clássico da Literatura de autoria de Joaquim Manuel de Macedo, adaptado para o canal 6 carioca por Guilherme Figueiredo, com Nelly Martins no papel título e com direção de Cambises Martins.

No ano seguinte, recebe novamente o Prêmio de melhor ator de TV, desta vez concedido pela “Revista do Rádio”, em virtude de seus brilhantes trabalhos ao lado de Heloisa Helena, Jacy Campos e Yoná Magalhães. No mesmo ano ainda seria premiado como o melhor ator do Rádio, recebendo sua láurea em bonita festa no Palácio das Laranjeiras.

Nos anos 1960, Paulo Porto continua tendo grande destaque no Teatro, trabalhando com Dulcina de Moraes, Luiz Peixoto e Glauce Rocha, bem como no Cinema, em inesquecíveis trabalhos sob a direção de Gustavo Dahl (“O Bravo Guerreiro” em 1968) e Nelson Pereira dos Santos (“Fome de Amor”, também em 1968).

Na década seguinte, encanta o publico brasileiro e é premiado por sua brilhante atuação em “Toda Nudez Será Castigada” de Arnaldo Jabor, em  1973, onde contracena com a estrela Darlene Gloria. Encarnando o personagem Herculano, baseado na peça histórica de Nelson Rodrigues, Paulo Porto recebe o Troféu Coruja de Ouro como o melhor ator de acordo com o Instituto Nacional de Cinema, que daria origem, pouco tempo depois, a Embrafilme.

Também cineasta, Paulo dirigiu três longas metragem: “Em Família” de 1970, baseado na obra teatral de Oduvaldo Vianna Filho; “As Moças Daquela Hora” de 1973 e “Fim de Festa”, em 1978, com a atriz Maria Fernanda no elenco.

Nos anos 1980, Paulo Porto trabalha em duas novelas da TV Globo, ambas com textos do novelista Gilberto Braga. Em “Brilhante”, de 1981, interpreta Guilherme e é dirigido por Daniel Filho, e no sucesso “Vale Tudo” dá vida a Queiroz, sob a direção de Dennis Carvalho e Paulo Ubiratan.

Em 03 de julho de 1999, aos 81 anos de idade, falece o grande Paulo Porto, o “Guerreiro Ventania”, um dos maiores atores de sua geração.

Por Fábio Siqueira

Rodolfo Bonventti

 
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