Museu da TV, Rádio & Cinema

Paulo José, síntese do herói literário na TV e no Cinema



Paulo José Gomez de Souza nasceu em Lavras do Sul, na gaúcha região de Bagé, em 20 de março de 1937. Ainda adolescente, estréia no Teatro Universitário de Porto Alegre, onde faz peças dos mestres Shakespeare, Tennessee Williams e Beckett.

Posteriormente, já trabalhando em São Paulo, ingressa em 1961 no já renomado Teatro de Arena, fundado pelo autor e diretor José Renato na década anterior, onde já começa trabalhando em um clássico, “Revolução na América do Sul” de Augusto Boal, com direção de Zé Renato. Depois atua em outros sucessos nacionais de Chico de Assis e de Gianfrancesco Guarnieri, até finalmente estrear como diretor teatral na nova montagem de “Eles Não Usam Black Tie” do mestre Gianfrancesco Guarnieri, que estreou em 1963. No mesmo ano, juntamente com Boal e Guarnieri, adapta o clássico “O Melhor Juiz, o Rei”, encenado com sucesso no palco do Arena, com a presença jovial, bonita e pungente da atriz paulistana Dina Sfat (Camponesa), bem como de outra grande estrela nascente, Joana Fomm (Elvira), que dirigidas pelo criador do “Teatro do Oprimido”, colocaram no palco todo o seu vigor artístico.

Em 31 de março de 1964, ocorre o Golpe Militar que dura 21 anos e os próceres do paulistano Teatro de Arena são perseguidos imediatamente. Paulo José  consegue se manter na resistência, e ainda trabalha lá ate 1968, onde mais um arbítrio político, o famigerado Ato Institucional nº 05 do marechal Costa e Silva de 13 de dezembro de 1968, encerra abruptamente essa sua linda parceria  com o Teatro da Rua Doutor Teodoro Bayma, que tempos depois homenageou em seu patronímico, o artista Eugenio Kusnet.

Contudo, nessa década tão intensa, nasceu o Paulo José herói e astro cinematográfico. Em 1965, ele estreia na sétima arte já protagonizando um clássico, baseado na obra poética de Carlos Drummond Andrade. Trata-se de “O Padre e a Moça”, uma direção do cineasta carioca Joaquim Pedro de Andrade, com música de Carlos Lyra, produção primorosa de Luiz Carlos Barreto e fotografia inovadora de Mario Carneiro. E parece não ter sido surpresa Paulo José ter sido laureado com o Prêmio Saci de Melhor Ator de Cinema, conferido pelo júri de “O Estado de S. Paulo”.

E no epílogo dos anos 1960, se repete a parceria de Paulo com Joaquim Pedro na realização do espetacular filme “Macunaíma” de 1969, baseado em consagrado romance de Mario de Andrade. Ao lado de Dina Sfat, Jardel Filho e Grande Otelo, interpreta o “herói sem nenhum caráter” em sua fase branca, comovendo platéias da Sétima Arte no Brasil e no estrangeiro.

Com o advento dos anos 1970, finalmente a Televisão começa a ser presenteada com mais intensidade com o talento de Paulo José. Primeiro como o Samuca da novela “Assim na Terra como no Céu” de Dias Gomes com direção de Walter Campos, e ele é indicado para o Troféu Imprensa de Revelação Masculina, perdendo para Tim Maia. Em 1972, protagoniza como Shazan, ao lado de seu amigo Flavio Migliaccio, o Xerife, o seriado humorístico “Shazan, Xerife & Cia”, escrito por Walter Negrão e dirigido pelo saudoso David Grimberg.

Mas jamais abandona a ribalta e a tela grande nesse período maior de popularidade televisiva. Em 1976, é o primeiro ator a receber o Candango de Melhor Ator de Cinema do Festival de Brasília, por seu ótimo trabalho em “O Rei da Noite” de Hector Babenco, onde contracena com a atriz Marília Pera, de tão saudosa memória. E nessa mesma época dirige a atriz Regina Duarte na ótima peça “Reveillon” de Flavio Marcio  onde volta a trabalhar com o cenógrafo Flavio Império, seu amigo dos gloriosos tempos do Teatro de Arena.

E ao longo dos anos, Paulo José continuava brilhando também na telinha da nossa TV, em obras assinadas por Manoel Carlos, Lauro César Muniz, Benedito Ruy Barbosa, Aguinaldo Silva, Dias Gomes, Cassiano Gabus Mendes, Gloria Perez, Antonio Calmon e Walcyr Carrasco.

Em 28 de dezembro de 2003, ganha a sua principal láurea televisiva, o Troféu Mário Lago, das mãos de Laura Cardoso, ganhadora do ano anterior. Justíssima homenagem, realizada por Fausto Silva em seu programa de auditório “Domingão do Faustão” da TV Globo, pois Paulo trabalhou com Lago em seu primeiro filme, “O Padre e a Moça”.

Depois de longa enfermidade, em 11 de agosto de 2021, Paulo José falece no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Com certeza reencontrou no Céu a sua primeira e amada esposa Dina Sfat e recebeu o seu amigo Tarcísio Meira que partiu logo no dia seguinte. Que esse lítero herói de nossas telas continue a nos iluminar.

Por Fábio Siqueira.

Rodolfo Bonventti

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