Museu da TV, Rádio & Cinema

A novela que virou uma trama policial para driblar a censura



O autor Wálter Negrão só teve uma experiência escrevendo para o horário das 20 horas na TV Globo, e não deve ter boas recordações sobre essa sua experiência, porque “Cavalo de Aço”, a novela que estreou em 24 de janeiro de 1973, ainda em preto e branco, não foi sucesso de audiência e ainda teve sérios problemas com a censura da época, o que obrigou o autor a muitas peripécias para deixar a novela no ar.

Com direção de Wálter Avancini e supervisão de Daniel Filho, “Cavalo de Aço” contava a vingança de um homem, Rodrigo, pelo extermínio de sua família em uma cidade no interior do Paraná, e que incluía uma rebelião contra um latifundiário, responsável por dizimar a família de Rodrigo, e a paixão do mesmo pela filha mimada desse latifundiário.

Como a novela abordava a questão da reforma agrária e da exploração de trabalhadores em regiões mais distantes dos grandes centros, a censura federal da época não deixou a história de Negrão em paz e investiu “pesado” na proibição de alguns capítulos, obrigando o autor a ter que criar várias situações que mudaram substancialmente o percurso da novela.

O autor teve que “carregar” mais nos romances, adotar uma campanha na novela antitóxicos a “pedido” do governo federal e, por último, matar o latifundiário vilão e transformar a novela em uma história policial cujo único intuito era descobrir quem matou o esse vilão, e esse assunto foi “empurrado” por 70 capítulos, única forma de ganhar audiência e fugir da “perseguição” da censura.

Mas apesar de tudo, a novela entrou para a história da nossa teledramaturgia por lançar a moda dos sapatos de sola de borracha para o público masculino, que ficaram conhecidos como os “sapatos cavalo de aço”; por transformar as motos no principal veículo de transportes dos personagens no decorrer da novela e por marcar a estréia na TV Globo do ator Stênio Garcia, que vinha de brilhantes trabalhos na Tupi e na Excelsior.

Vivendo Rodrigo estava Tarcísio Meira, que repetiria um personagem muito parecido com o seu João Coragem que ele vivera em “Irmãos Coragem”. Disputando o amor dele estavam Glória Meneses, mais uma vez, e Betty Faria como a filha mimada do latifundiário. Esse, o grande vilão da história teve mais uma interpretação marcante do brilhante ator e diretor Ziembinski.

Ainda no elenco de grandes astros estavam em destaque na novela: Carlos Vereza, José Lewgoy, Arlete Salles, Milton Moraes, Cláudio Cavalcanti, Edson França, Renata Sorrah, José Wilker, Elisangela, Suzana Gonçalves, Dary Reis, Mário Lago, Maria Luiza Castelli, Paulo Gonçalves, Paulo Padilha, Miriam Pires, Francisco Milani e Sonia Oiticica.

Por Rodolfo Bonventti. 

 

 

 

Rodolfo Bonventti

 
Apoio
ABCD Nossa Casa
Apodec
Centro Universitário Belas Artes
Coleção Marcelo Del Cima
Comunique-se
Grupo Observatório
Sindicato dos Radialistas de São Paulo
Toda Tela
Universidade Anhembi Morumbi
 

Siga-nos nas Redes Sociais