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Nosso primeiro herói televisivo era um mascarado e defendia um reino medieval



Ele era um herói simpático, mas mascarado. Combatia os criminosos e malfeitores que faziam mal para o seu reino medieval, em meio a grandes florestas, principalmente aqueles que ousassem atacar a sua doce e meiga Lady Bela. Se você acha que esse espadachim heróico é fruto de alguma produção de Hollywood, está muito enganado. Ele foi o nosso primeiro herói de um seriado nacional. Ele era o grande Falcão Negro.

Criado em 1954 pelo paraibano Péricles Leal, então com apenas 24 anos, o Falcão Negro se transformou, rapidamente, em um sucesso entre o público juvenil e também entre os adultos. Era tudo muito distante da realidade, do dia a dia dos telespectadores, mas talvez por isso mesmo, as aventuras de capa e espada de John de St. Germain, mas podem me chamar de o Falcão Negro, se transformaram em um grande sucesso de audiência.

Aquele espadachim que se parecia meio “primo irmão” do Zorro era extremamente astuto e muito poderoso. Não havia no reino da França quem pudesse detê-lo no combate aos malfeitores. E o público se deliciava quando ao final de cada episódio ele acabava com o inimigo enfiando uma espada no vilão e gritando a célebre frase: “Morra, miserável!”.

O seriado “Falcão Negro” estreou em 29 de janeiro de 1954, às 19h45, e era exibido todas as quartas e sextas-feiras na TV Tupi. Escrito por Péricles Leal e dirigido por Heitor de Andrade e às vezes pelo próprio ator José Parisi, o seriado tinha apenas dois atores fixos: José Parisi (1917-1993), que imortalizou o Falcão Negro e Haydée Miranda como a doce e frágil Lady Bela. Parisi vinha de vários trabalhos realizados no Grande Teleteatro Tupi e no TV de Vanguarda, enquanto Haydée era uma rádioatriz de muito sucesso na época.

Em tempo de programação totalmente ao vivo, houve a necessidade de se convocar uma outra dupla para repetir o sucesso na TV Tupi do Rio de Janeiro. E assim, lá o Falcão Negro foi brilhantemente vivido por Gilberto Martinho (1927-2001) e Lady Bela coube à jovem atriz Delly Azevedo. Tudo era feito na base do improviso e muitas vezes a “morte” do bandido não acontecia exatamente como havia sido ensaiado anteriormente. Mas o público perdoava todas as falhas e o seriado ficou no ar por dez anos, até 1964.

Uma curiosidade é que entre os vários atores que participaram dos inúmeros episódios do seriado, muitas vezes em pequenas participações, estão grandes nomes da nossa teledramaturgia, como Fernando Baleroni, Marly Bueno, David Neto, Percy Ayres, Machadinho, Henrique Martins, Torresmo, Mário Tupinambá e, na versão carioca, estrearam na TV, e justamente neste seriado, o ator Jece Valadão e um tal de Oliveira Sobrinho, que ganhou o papel do arqueiro Pé de Coelho, e que mais tarde se transformou em nada mais do que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, mais conhecido no Brasil todo como o Boni da TV Globo.

Em 1961, o Falcão Negro extrapolou os limites da telinha e foi para o mundo dos quadrinhos, se tornando um gibi muito vendido nas bancas.

Rodolfo Bonventti

 
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