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Lygia Fagundes Telles, a intelectual que viu nascer a nossa TV



A Literatura do nosso País teve a sua pior notícia dos últimos tempos em 03 de abril de 2022, dia em faleceu a genial escritora Lygia Fagundes Telles, em paz, em seu apartamento no Bairro de Cerqueira Cesar, na capital paulista.

Sempre paulistana, pois nasceu em 19 de abril de 1923, no bairro da padroeira da Música, Santa Cecília, e ainda adolescente, ao mesmo tempo que estudava na tradicional Escola  Caetano de Campos,  estreava na Literatura com o seu livro de contos, “Porão e Sobrado”, publicado pela Editora Companhia Brasil de São Paulo.

Nos anos 1940, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde colou grau como Bacharel em Direito em 05 de janeiro de 1946, fazendo parte da Turma das Arcadas Paulistanas de 1945, onde também estavam Paulo Autran, Homero Silva e  Jose Pezzutti Cavalcanti. Antes, em 1944, Lygia já pertencia ao renomado rol de escritores da Editora Martins, que naquele ano, publicou o seu segundo livro: ”Praia Viva”.

Com apenas vinte e seis anos tinha o seu terceiro livro, “O Cacto Vermelho”, laureado pela Academia Brasileira de Letras com o prêmio de contos, que levava o nome de Afonso Arinos, dividido com a notável dramaturga paulista Lucia Benedetti, premiada por “Vesperal com Chuva”. Era o ano de 1949, véspera do ano de inauguração da Televisão no Brasil, onde Lygia Fagundes Telles foi uma personagem sempre presente em seus 71 anos.

Em 1955, o lançamento de seu primeiro romance, “Ciranda de Pedra” e ao mesmo tempo ela tem o seu conto, “O Suicídio de Leocadia”, adaptado para o Teleteatro do dramaturgo Abilio Pereira de Almeida, que era exibido pela TV Tupi, o canal 3 de São Paulo. Foi uma adaptação de Carlos Vergueiro, com direção de Cassiano Gabus Mendes e contando no elenco com Armando Bógus, Marina Freire, Zuleika Maria, Ana Maria Nabuco e Rubens de Falco.

Em 1959, teve dois de seus prestigiados contos: “A Ceia” e “Venha Ver o Por do Sol”, adaptados para teleteatros tupinianos. E na década seguinte, além de conceder várias entrevistas televisivas para Paulo Bomfim, Kalil Filho  e Hebe Camargo, esteve presente a entrega do segundo Troféu Imprensa, referente aos  Melhores da Televisão de São Paulo de 1961, e no Teatro Municipal, em 03 de fevereiro de 1962, entregou a láurea máxima de nossa telinha ao lado de Guilherme de Almeida e Helena Silveira em acontecimento televisivo exibido em cadeia quase total de emissoras de TV (exceto a TV Record) para todo o Estado Paulista e também nacionalmente, via cadeia radiofônica comandada para Radio Difusora (PRF-3).

Também personalidade bastante ativa da TV Cultura, pois foi Conselheira da Fundação Padre Anchieta por várias décadas, concedeu lá, históricas entrevistas para os programas “Vox Populi” e “Roda Viva” e mais recentemente, foi homenageada com o  documentário “Lygia, uma Escritora Brasileira”, com direção de Helio Goldsztejn. Além disso, os seus textos “Antes do Baile”; “Verdade” e “Lua Amarela”, foram adaptados para Teleteatros no canal 2 de São Paulo.

Na Rede Globo de Televisão, na há como não lembrar da adaptação de seu romance inaugural “Ciranda de Pedra” como novela que estreou. em sua primeira versão, em 18 de maio de 1981,numa adaptação de Teixeira Filho com direção geral de Reynaldo Boury e supervisão teledramatúrgica de Herval Rossano, onde Eva Wilma, conterrânea de Lygia Fagundes Telles brilhou como a protagonista Laura. Em 05 de maio de 2008, essa obra ganhou uma nova versão na TV Globo, desta vez adaptada por Alcides Nogueira, com direção geral de Denise Saraceni, onde brilhou a atriz Ana Paula Arosio.

Todo esse universo lygiano, tão paulista e tão brasileiro, não findou com o seu desaparecimento em abril de 2022, mas ganhou a Eternidade de sua Palavra e de suas Memórias que sempre nos iluminaram, inclusive a Televisão, que ela viu nascer e que sempre fez questão de presentear com inteligência, elegância e sensibilidade.

Vá em paz imortal doutora Lygia Fagundes Telles, que já reencontrou no Céu das divinas letras, Goffredo da Silva Telles Junior, Paulo Emilio Salles Gomes, Sergio Milliet, Mario de Andrade, Wilson Martins e tantos outros conterrâneos.

Por Fábio Siqueira.

Rodolfo Bonventti

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