Museu da TV, Rádio & Cinema

Luiz Guimarães, sempre pioneiro na TV e no Museu



Leib Schefler nasceu na Polônia em 26 de agosto de 1928, filho de Osias Schefler e de Basia Schefler. A exemplo dos também poloneses Paula Lea, Liba Frydman, Ida Gomes, Francisco Gotthilf e Ziembinski, emigra para o Brasil, ainda criança, em razão de problemas políticos nos anos 1930, que culminariam com a invasão de sua terra natal pela Alemanha do ditador Adolf Hitler em 01 de setembro de 1939, data inicial da Segunda Guerra Mundial, onde se seguiu o genocídio de poloneses de religião judaica.

Sãos e salvos, Luiz Guimarães e sua família se fixaram na cidade de São Paulo e no ano de 1948, começou a trabalhar na paulistana Radio Tupi (PRG-2), onde se tornou colega radiofônico de Oduvaldo Viana, Tulio de Lemos, Homero Silva, Walter Forster e Dionisio Azevedo. Por todo esse trabalho de qualidade, especialmente nos radioteatros da primeira emissora radiofônica de São Paulo , não foi surpresa  que estivesse entre os fundadores da Televisão no Brasil, na data de 18 de setembro de 1950, ao participar do elenco da TV Tupi, o inaugural canal 3 de São Paulo.

Pouco menos de dois anos após este pioneirismo, mais um marco da Televisão Nacional documentou a carreira de Luiz Guimarães. A 14 de março de 1952, ele é um dos fundadores da segunda TV brasileira, a TV Paulista, o canal 5 de São Paulo. Nessa emissora localizada primeiramente no Bairro de Cerqueira Cesar, trabalhou em Teleteatros e apresentou programas de auditório com Branca Ribeiro.

Em 1966, já com a referida emissora comprada pelas Organizações Globo de Roberto Marinho, chegou a ser o seu diretor artístico por algum tempo, conseguindo manter no ar programas locais do canal 5 apresentados por Antonio Aguillar, Omar Cardoso e Oscar Nimtz apenas para o público paulistano, pois não entravam na grade da nova cabeça de rede, que era a TV Globo, o canal 4 do Rio de Janeiro.

Pouco tempo depois, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, assumiu a Direção Artística da emissora e manteve o seu amigo Luiz Guimarães em sua Equipe, pois o conhecia deste a década passada, pois trabalhou com ele tanto na Tupi (época de Cassiano Gabus Mendes), como na Paulista (época de Roberto Corte Real). Ali permaneceu por décadas, inclusive como Diretor Geral de Programação entre 1973 e 1981, época que representou a Globo na entrega do Troféu Imprensa de 1975, onde recebeu de Silvio Santos o Premio de Emissora Preferida do Público, em exibição ao vivo pela mesma em maio de 1976, a ultima festa de entrega do Trofeu Imprensa mostrada pela Globo, pois Silvio Santos deixaria a emissora pouco tempo depois.

Como lembra o atual presidente do Museu do Rádio, Televisão e Cinema, Elmo Francfort, em seu livro sobre a TV Gazeta, o canal 11 paulistano, “Luiz Guimarães foi o Diretor Geral do canal de TV da Fundação Cásper Libero em 1990.

Em 1995, é um dos fundadores do Museu da Televisão de São Paulo, sob a liderança de sua amiga Vida Alves, que foi sua colega nos tempos do rádio ainda nos anos 1940. Na década seguinte, Luiz Guimarães participou do Conselho Deliberativo do Museu, e em 18 de setembro de 2006, recebeu com muito mérito o Premio PRÓTV, em razão de ter sido um dos fundadores da TV Paulista em 1952.

Nessa mesma época, convidado pelo produtor Brancato Junior, é um dos entrevistadores do Programa “Prazer em Conhecer”, na Rede Vida de Televisão, onde juntamente com Brancato e Idalina de Oliveira, realizam entrevistas memoráveis.

Como um verdadeiro herói da religião judaica, Luiz Guimarães conseguiu viver os seus longevos 93 anos lidando com tantas provações e tristezas, mas consegui brilhar no campo familiar, profissional e humano, tendo sido um grande exemplo para os seus familiares, amigos e admiradores.

Em 19 de fevereiro de 2022, o Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacó que Luiz sempre professou o chamou para a Gloria Eterna, tendo ele sido velado e sepultado seguindo estritamente os rituais judaicos no paulistano Cemitério Israelita do Butantã.

Que esse mestre pioneiro de nossa Radiodifusão repouse em paz e que a sua obra tão se eternize!

Por Fábio Siqueira.

Rodolfo Bonventti

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