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João Saldanha, Técnico Campeão e Genial Comentarista



Por Fábio Siqueira

João Alves Saldanha nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 03 de julho de 1917, mas foi registrado por seus pais Gaspar Saldanha e Genny Jobim na capital dos gaúchos, Porto Alegre. Ainda moço, se muda para o Rio de Janeiro, onde estuda e se forma em Direito, pela hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nos anos 1940, trabalha no jornal Folha do Povo e na década seguinte, é contratado pela importante Radio Nacional carioca, onde inicia a sua longa trajetória como comentarista esportivo, ao lado do saudoso narrador esportivo mineiro Jorge Cury.

Gremista declarado, na Cidade Maravilhosa escolhe o Botafogo como o seu outro time de coração. Numa venturosa época de conquistas do time da “Estrela Solitária”, treina ícones futebolísticos como Garrincha, Didi, Nilton Santos e é o técnico campeão do Campeonato Carioca de 1957, organizando boa parte dos craques que conquistariam nos campos suecos o primeiro titulo Mundial de Futebol do Brasil no ano seguinte.

Fato semelhante ocorreu na década seguinte, quando Saldanha, no ano de 1969, foi convidado a ser o técnico da Seleção Brasileira de Futebol nas Eliminatórias para a Copa do México de 1970. Sendo técnico de grandes desportistas como Pelé, Jairzinho, Gerson, Tostão, Rivelino, ou seja, “As Feras do Saldanha”, o grande treinador pavimenta o caminho para a conquista do histórico Tri nos campos mexicanos, já com o importante trabalho do novo técnico, Zagallo.

Mas mesmo tendo deixado o comando da “Seleção Canarinho”, Saldanha tem grande participação na Copa de 1970, sendo o comentarista esportivo da Rede Globo de Televisão, nesta que foi a primeira Copa do Mundo transmitida ao vivo pela Televisão no Brasil. Fazendo uma inesquecível dupla com o histórico locutor esportivo Geraldo Jose de Almeida, Saldanha define ao telespectador brasileiro com precisão os feitos dos “Heróis do Tri”. Na mesma Copa, ainda faz comentários pela Radio Globo, ao lado do narrador Waldyr Amaral.

Aliás, a trajetória de João Saldanha no Radio e na Televisão se constitui como uma das mais belas páginas da história das transmissões dos esportes na mídia brasileira. Depois do inicio na prestigiada PRE-8, a Nacional carioca, se transfere para a Radio Guanabara, que era a PRC-8, onde participa de importantes coberturas, como a dos Jogos Olímpicos de Roma em 1960. Em 1974, sai da Radio Globo e começa a trabalhar na Radio Tupi carioca, e nos anos 1980, ainda trabalha na Radio Jornal do Brasil (PRF-4), no mesmo período onde trabalha na redação do Jornal do Brasil.

Na televisão brasileira, João Saldanha trilhou uma fulgurante trajetória. Trabalha por duas décadas na TV Rio, canal 13, onde é colega de Luiz Mendes, Nelson Rodrigues (que o apelidou de “João sem Medo”)  e Leo Batista. Na Excelsior, canal 2, é dirigido por Fernando Barbosa Lima  e na Globo, canal 4, é dirigido por Armando Nogueira.

Após a Copa do Mundo da Alemanha em 1974, deixa a TV Globo, passando a trabalhar na TV Tupi, onde apresenta o programa “O Esporte com João Saldanha”, com grande audiência na época. Ainda no meio televisivo carioca, ajuda a consolidar a equipe esportiva do recém criado canal 7, a TV Guanabara, em 1977, na época afilada a Rede Bandeirantes de Televisão e poucos anos depois, em 1981, é  comentarista esportivo do SBT que no Rio de Janeiro ainda se chamava TVS. Ainda naquela década é contratado para trabalhar na Rede Manchete de Televisão, onde tem destacada atuação no programa “Manchete Esportiva”, trabalhando com grandes Jornalistas como Paulo Stein e Alberto Leo.

Ganhador de três Troféus Imprensa na categoria Comentarista Esportivo (1971, empatado com Rui Porto, 1973 e 1974), João Saldanha se dedicava totalmente ao seu oficio. Mesmo contrariando seu médico, decidiu viajar a Itália, para trabalhar na cobertura da Copa do Mundo de Futebol de 1990. Chegando lá, passa mal e é hospitalizado, vindo a falecer no Hospital Santo Eugenio, em Roma, em 12 de julho daquele ano.

O Brasil perdia o “João sem Medo”, um dos mais sinceros e íntegros profissionais da imprensa brasileira, homenageado com livro escrito pelo jornalista João Máximo; com uma estatua no Estádio do Maracanã e com nomes de Taças e de Prêmios futebolísticos no Rio de Janeiro.

João Saldanha foi um vencedor em seus destemidos objetivos. Viva o “João sem Medo”!

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