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Cacilda Becker, o centenário da estrela maior da ribalta brasileira



 Cacilda Yáconis Becker, esse nome tão sonoro e essa personalidade artística tão marcante, nasceu em Pirassununga, interior de São Paulo, em 06 de abril de 1921. Morando em Santos, onde estudou, logo chama a atenção do escritor e crítico teatral Miroel Silveira (1914-1988), que a indica para trabalhar no Rio de Janeiro, no Teatro do Estudante do Brasil, uma criação do embaixador Paschoal Carlos Magno (1906-1980).

Era o ano de 1941 e depois de uma breve passagem por lá, onde foi dirigida por Esther Leão (1892-1971) na peça “3200 metros de altitude”, com tradução do padrinho, Miroel, estreia profissionalmente na Companhia Teatral do  galã brasileiro de Hollywood, Raul Roulien (1905-2000) no palco do Teatro Cassino Copacabana, na peça de Niccodemi, “Prometo ser infiel”, com direção de Sadi Cabral (1906-1986).

Em ascensão quase que meteórica, Cacilda, em 1944, passa a trabalhar na recém fundada Companhia Teatral Bibi Ferreira, onde ao lado de seu esposo, o radialista Tito Livio Fleury Martins (1918-2010), trabalha com Bibi Ferreira (1922-2019) e o seu marido Carlos Lage que pouco tempo depois, viria a ser um dos pioneiros na Televisão do Rio de Janeiro.

Ainda trabalhando na Cidade Maravilhosa, estréia em 1947 na Companhia Teatral Os Comediantes, onde dirigida pelo genial Ziembinski (1908-1978), trabalhou com Maria Della Costa (1926-2015) no palco do Teatro Ginástico do Rio de Janeiro, onde teve grandes glorias artísticas.

Em 1948, nasceu em São Pàulo, o Teatro Brasileiro de Comedia (TBC), sob a liderança de Franco Zampari (1898-1966), quase que ao mesmo tempo que a Escola de Arte Dramática (EAD) de São Paulo , fundada por Alfredo Mesquita (1907-1986). Não demorou muito para Cacilda ser convidada para ser professora da EAD, uma das mais jovens de seu quadro docente, bem como para estrear em 1950 no TBC.

No ano seguinte, 1951, com o comovente trabalho em “Seis personagens à procura de um autor, de Pirandello, com direção de Adolfo Celi (1922-1986), ela ganhou a sua primeira Medalha da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), em razão de ter sido escolhida a Melhor Atriz de 1951. Foi a única atriz a ter sido premiada por 5 vezes com esta que foi a láurea máxima da ribalta nacional, por seus trabalhos em: 1954 com “A filha de Iório direção de Ruggero Jacobbi (1919-1981); em 1958 com “O Santo e a porca” de Ariano Suassuna (1927-2014) com direção de  Ziembinski; em 1962 com “A visita da velha senhora”, de Dürrenmatt com direção de Walmor Chagas (1930-2013) e em 1964 com “A Noite do iguana” de  Tennessee Williams com direção também de Walmor, nesta época o seu marido.

Outros importantes prêmios teatrais vieram a coroar a carreira de Cacilda, como o Moliere, o Saci e o Governador de Estado de São Paulo.

Sempre muito talentosa e dedicada, quando estreou na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, no excelente filme dirigido por Luciano Salce, “Floradas na Serra”, baseado no livro de Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982), Cacilda Becker ganhou o premio de Melhor Atriz de Cinema da Associação Brasileira de Críticos Cinematográficos (ABCC).

Nessa época, Cacilda trabalhava também no “Teleteatro Cacilda Becker”, exibido pela TV Paulista, o canal 5 paulistano. Em 1955, esse vitorioso programa migra para a TV Record, registrando no seu elenco: Ziembinski, Sergio Cardoso (1925-1972), Nydia Licia (1926-2015) e a irmã de Cacilda, Cleyde Yáconis (1923-2013). E não foi surpresa no final daquele ano, ela  ter sido eleita a Melhor Atriz Televisiva, ganhando o Premio Roquette Pinto e no ano seguinte, em razão de trabalhos no Teleteatro da TV Tupi, o canal 6 dos cariocas, é premiada novamente.

Nos anos 1960, ela reencontra Raul Roulien na recente inaugurada TV Cultura, o canal 2  de São Paulo, para onde leva, em 1961, o seu Teleteatro. Depois de trabalhar na novela “Ciúmes”, da TV Tupi, em 1966, escrita por Thalma de Oliveira (1917-1976) e dirigida por Geraldo Vietri (1927-1993),  a convite de Walter George Durst (1922-1997) leva, em 1968, o seu “Teleteatro Cacilda Becker” para a recém inaugurada TV Bandeirantes, o canal 13 paulistano.

A década de 1960 estava acabando e em 06 de maio de 1969, ao interpretar Lucky da célebre peça de Beckett, “Esperando Godot”, no palco do seu Teatro Cacilda Becker, com direção de Flávio Rangel (1934-1988) passa mal e é hospitalizada ainda com a sua indumentária de cena. Agoniza por apreensivos 39 dias e falece em 14 de junho, prematuramente, aos 48 anos.

Se tornou uma legenda teatral, sendo homenageada com vários nomes de teatros pelo Brasil. Teve as ótimas biografias de Renata Pallotini e Maria Thereza Vargas, e ainda em 1969, concedeu a sua ultima entrevista para a pioneira da TV, Daisy Fonseca Rebello, publicada no paulistano Shopping News. Como bem disse o maior poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, “Morreram Cacilda Becker”, pois realmente esse fenômeno artístico jamais seria, é ou será unidade.

Por Fábio Siqueira.

Rodolfo Bonventti

 
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