Salathiel Coelho Apresenta Temas de Novelas
O Maestro Salathiel Coelho, da TV Tupi, foi o
precursor quando lançou o disco “Salathiel Coelho apresenta Temas de Novelas”
(1965). Ele fez com quem as trilhas e os poucos temas compostos especialmente
para TV fossem registrados em LP (disco). E experimentou dois anos depois, na
trilha de "Os Rebeldes", a primeira trilha não-instrumental - com "Não Vem Que
Não Tem", de Wilson Simonal. Salathiel rompeu com a tradição de trilhas
orquestradas.
Mostramos a vocês a capa, contra-capa, as faixas e o texto de apresentação da
primeira trilha sonora da TV brasileira. A trilha tinha as canções de diversas
novelas da TV Tupi, como “O Direito de Nascer”, “O Sorriso de Helena” e “Alma
Cigana”.
A apresentação da trilha, escrita por Geraldo Vietri, explica a importância e o
mérito deste trabalho pioneiro do Maestro. Antes, temos uma pequena homenagem
feita por José Parisi, diretor de "O Direito de Nascer", cujo tema está na
trilha
Mostramos os textos com a grafia original do LP (até mesmo no nome de Salathiel,
sem “H”).
À COPACABANA-DISCOS
Aqui ficam os meus cumprimentos à GRAVADORA COPACABANA, pela feliz
idéia: recolher neste LP as músicas que Salatiel Coelho selecionou para
temas de Tele Novelas.
Ouvindo-o, você terá um real prazer, pois sentirá novamente com a sua
imaginação, o
APRESENTAÇÃO – TEMAS DE NOVELAS
ESTÃO de parabéns os irmãos Emílio e Vicente Vitale e a Copacabana
pela inpirada idéia deste LP “SALATIEL COELHO APRESENTA 12 TEMAS DE
NOVELAS”.
Estão duplamente de parabéns. Primeiro, porque levarão aos lares de
todo o Brasil as melodias evocativas das cenas românticas, das cenas
trágicas, das cenas comoventes e às vezes hilariantes das histórias
que as novelas nos contam. Segundo, por terem escolhido SALATIEL
COELHO para esta seleção. Por quê foi SALATIEL COELHO o escolhido?
Por ser êle paraibano... e muito fidalgo? Por ter êle a gigantesca
estatura de 1,59 m? Por ter êle uma espôsa encantadora de nome Edy e
uma filha maravilhosa (sua melhor sonoplastia) chamada Virgínia? Por
ser êle detentor de 33 prêmios? Por ser êle considerado o melhor
sonoplasta do Brasil e um dos melhores do mundo? Por ter êle um
gênio capaz de transformar um velório numa noitada agradabilíssima?
Por ter êle o dom - raro – de fazer amigos? Seriam êsses e uma
infinidade de outros motivos que o levaram a ser escolhido? Não! O
motivo foi um só: SALATIEL é antes de tudo um ARTISTA. Se artistas o
foram Wagner, Schubert, Chopin, Verdi, Puccini, Berlioz, Mozart,
Debussy e tantos outros, não menos artista é SALATIEL que conhece o
sêgredo “de como levar as músicas dos grandes mestres até nossos
lares”. Êle – e só êle – sabe o momento exato de se usar a “Flauta
Mágica”, de Mozart, ou um trecho de “La Donna à Móbile” do Rigoletto,
de Verdi, ou então uma melodia de Rogers e Hammerstein e ainda um
ritmo de Ari Barroso. Êle - e só êle – é capaz de dar o clima,
aquela localização indispensável a qualquer obra. Se a cena se passa
em campo, em Roma, êle vai buscar (ninguém sabe onde) “Os Pinheiros
de Roma”, de Respighi... e nós nos sentimos respirando os pinheiros
de Roma... Estará aí o seu maior mérito? Ainda penso que não.
Trabalhando com SALATIEL há mais de sete anos, eu como produtor de
peças e novelas para a televisão e êle musicando todos os meus
trabalhos, aprendi a conhecê-lo melhor e descobri – se é êsse o
têrmo – qual a sua verdadeira intenção, qual o seu real objetivo:
levar a música dos grandes mestres, dos “clássicos” ou “imortais”
até o grande público. Certa vez, musicando um teatro meu, SALATIEL
disse-me que usaria uma música de Johann Sebastian Bach. Confeso,
sempre tive medo de Bach, sempre supus que êle fosse um monge...
“Monge?” – disse SALATIEL rindo – “o homem teve 20 filhos!” Tomei
êste incidente como lição, e cheguei à conclusão que se tem pensado
e escrito muitas tolices em todo o mundo sobre a música sôbre a
música clássica. De tal modo – os críticos a tem envolvido em mito,
superstição, tabu, lenda e ritual que para o amador (como eu) ela se
vai tornando cada vez mais difícil de apreciar. A verdade é que
ninguém jamais se sentou ao piano para compor música “clássica”. Os
grandes músicos compuseram apenas pelo prazer decompor, pelo brilho
dos olhos de uma moça, ou para pessoas comuns a terem dançado,
cantado, ou escutado é que ela recebeu o título proibitivo de
“clássica”. Agora, o que foi produzido com alegria, com um sorriso e
festas somente pode ser ouvido com alegria, com um sorriso e festas
somente pode ser ouvido com pompa e devoção. E assim é que a maioria
dos mortais se priva hoje da oportunidade de apreciar naturalmente a
grande música, como faziam os seus primeiros ouvintes. Colocamo-nos
diante de uma ópera como “Flauta Mágica”, de Mozart, como se ela
fôsse um escrínio sagrado, esquecendo-nos de que Mozart a compôs
como atração para um cabaré.
SALATIEL pega a grande música, no seu original ou com roupagens
novas, e vai impingindo-as ao grande público em doses homeopáticas
(que se avolumam dia a dia) aumentando-lhe os conhecimentos,
aprimorando-lhe o gôsto musical, refinando-lhe o sabor da escolha.
Está nisto o grande mérito, a GRANDE OBRA DE SALATIEL COELHO.

Verso do disco
Capa do LP da primeira trilha
sonora

GERALDO VIETRI
PRODUTOR E DIRETOR
DA TV TUPI – CANAL 4
SUMARÈ – SÃO PAULO
Fonte: Arquivo
Pessoal Salathiel Coelho (Pró-TV) | Atualizado em: 30/05/2007
s momentos emocionantes da sua novela
preferida.
Considero êste LP a reafirmação do bom gôsto e da sensibilidade do meu
extraordinário amigo, SALATIEL COELHO.
Parabéns COPACABANA,
Do amigo
JOSÉ PARISI
(Diretor da novela “O DIREITO DE NASCER”)
