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Teledramaturgia mudou depois de um tal Beto Rockfeller



A teledramaturgia brasileira teve vários momentos marcantes na década de 1960, mas não há dúvidas que o maior deles se chamou “Beto Rockfeller” e que as nossas telenovelas não foram as mesmas a partir daquela noite de 4 de novembro de 1968 quando os telespectadores ficaram intrigados com aquela trama tão diferente do que estavam habituados a ver.

Quem era Beto Rockfeller afinal? Onde estavam as histórias dramáticas, os amores impossíveis, as locações exageradas, as cenas e os conflitos lacrimejantes que povoavam muitas das histórias que iam para o ar? Como gostar daquele rapaz da classe média que se parecia com o meu vizinho ou com alguém da minha família? Por que ele não tinha nada parecido com o misterioso e culto Antonio Maria ou com os ricos moços que se apaixonavam por moças pobres e eram os galãs preferidos naquela época, ou então com os toureiros, cavaleiros ou gangsters que povoavam as invenções de Gloria Magadan?

Essas questões e dúvidas tomaram conta das cabeças dos telenoveleiros de plantão quando o personagem, magistralmente interpretado pelo ator Luiz Gustavo, invadiu o horário das 20 horas da TV Tupi e ficou um ano no ar incomodando os outros autores e as produções das outras emissoras.

Chamado por muitos como um divisor de águas da nossa teledramaturgia, a novela “Beto Rockfeller” não só experimentou uma nova linguagem como também revolucionou os personagens e trouxe a figura do anti-herói como o grande destaque de toda a trama. Mérito total para o texto inovador de Bráulio Pedroso (1931-1990), que escrevia sua primeira novela para a TV.

Não podemos deixar de destacar também a direção precisa e muitas vezes liberal de Lima Duarte, que mostrou que não era apenas um grande ator, mas também um diretor muito eficiente. Já perto do final, Lima foi substituído pelo também muito competente Wálter Avancini (1935-2001) que segurou a peteca e levou a novela a atingir quase 300 capítulos e só terminou em 30 de novembro de 1969.

A história nem era tão original, mas contava com muito bom humor e situações inusitadas criadas por Bráulio Pedroso, como um simples rapaz de classe média, que trabalhava em uma loja de sapatos se introduzia nas rodas sociais e ascendia à classe A, pronto para dar o famoso golpe do baú usando um charme e uma lábia que faziam as mulheres se derreter por ele.

A novela também é conhecida como a primeira a trazer para a frente da TV um número significativo de homens, que passaram a acompanhar as aventuras de Beto Rockfeller com o mesmo entusiasmo que suas mulheres ou namoradas.

O elenco montado pela TV Tupi era grandioso e além de Luiz Gustavo se destacavam o amigo de todas as horas, Vitorio, interpretado por Plinio Marcos, aqui apenas como ator e mostrando toda a sua verve cômica, os ricos que iam sofrer o golpe do baú, representados por Wálter Forster, Maria Della Costa e Débora Duarte; as namoradas e as mulheres da sua vida, que foram interpretadas por Débora, Bete Mendes, Marilia Pera, Marilda Pedroso e Marilu Martinelli; a família de Beto, formada por Irene Ravache, a irmã, e os pais, Jofre Soares e Eleonor Bruno; o eterno rival Carlucho, vivido por Rodrigo Santiago e muitos outros personagens marcantes na história, interpretados pelo próprio Lima Duarte, Walderez de Barros, Pepita Rodriguez, Etty Fraser, Jayme Barcellos, Yara Lins, Gésio Amadeu, Rui Resende, Wladimir Nickolaieff, Esther Mellinger, Heleno Prestes, Luisa Di Franco, Alceu Nunes, Zezé Motta, Othon Bastos e Martha Overbeck.

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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