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Sonia Oiticica, a atriz alagoana que brilhou em obras “Rodriguianas”



Sonia Oiticica Canaes nasceu na alagoana cidade de Maceió em 19 de dezembro de 1918. Seu pai, o filólogo Jose Oiticica foi um importante professor e juntamente com a esposa, Francisca Oiticica, iniciou a menina Sonia no aprendizado educacional.

Já residindo no Rio de Janeiro, Sonia ainda jovem entra para a história do Teatro Brasileiro, sendo a primeira intérprete da heroína de Shakespeare, Julieta nos palcos nacionais, em 1938, sob a direção de Itália Fausta, numa produção esmerada do Teatro do Estudante Brasileiro do embaixador Paschoal Carlos Magno. Seu Romeu foi Paulo Porto, jovem ator mineiro que se consagraria como pioneiro da Televisão Carioca e depois como aplaudido cineasta.

Na década de 1950, Sonia Oiticica mais uma vez entra para a História da Cultura de nosso país a interpretar marcantes personagens de peças de seu amigo Nelson Rodrigues, já consagrado dramaturgo nacional. Sua primeira interpretação foi de Zulmira em “A Falecida”, com direção do mestre teatral José Maria Monteiro, com Sergio Cardoso e Leonardo Villar no elenco que se converteu em monumental temporada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1953.

No ano seguinte faz Moema de “Senhora dos Afogados”, outro clássico rodriguiano, desta fez com direção de Bibi Ferreira, outro incontestável sucesso, que também reunia Ribeiro Fortes, Maria Fernanda, Wanda Marchetti, Nathalia Thimberg e Elisio de Albuquerque no esmerado
elenco.

Também atriz de outros clássicos brasileiros levados para os palcos e escritos por Paulo de Magalhães, Guilherme Figueiredo, Paulo Pontes, Antonio Callado e Oduvaldo Vianna, na mesma década de 1950, Sonia Oiticica começou a trabalhar na televisão, na TV Tupi canal 6 do Rio de
Janeiro ao lado de Lourdes Mayer.

Chega a década de 1960, trazendo as telenovelas diárias, grande criação de Edson Leite na TV Excelsior de São Paulo em 1963. Nesta mesma emissora paulistana, Sonia estréia em 1966, na grandiosa produção “As Minas de Prata”, da obra literária do cearense José de Alencar, adaptada pela premiadíssima Ivani Ribeiro com direção do também premiado Walter Avancini, a época, o diretor mais constante dos folhetins televisivos. Foi um sucesso e dois anos depois Sonia estrelava nova produção ainda no canal 9, “Legião dos Esquecidos”, texto de Raimundo Lopes, com direção de Waldemar de Moraes, a mesma dupla consagrada dois anos antes com o fenômeno televisivo de “Redenção”, protagonizada por Francisco Cuoco.

No mesmo ano, Sonia ainda trabalharia em duas novelas da TV Record: “As Professorinhas” de e com direção de Lucia Lambertini e “Ana” de Sylvan Paezzo com direção de Fernando Torres. Foi uma rápida mas marcante presença dela na emissora presidida pelo Dr. Paulo Machado de Carvalho e no ano seguinte, Sonia aceita novo desafio, se transferindo para a TV Bandeirantes, para fazer um dos principais papeis na novela “O Bolha” de Walter George Durst e Sylvian Paezzo com
direção de Wanda Kosmos.

Em 1973, finalmente Sonia Oiticica estréia na Rede Globo de Televisão, com a personagem Catarina em “Cavalo de Aço”, de Walter Negrão com direção de Walter Avancini. Também trabalha no clássico de Durst, “Gabriela”, novela baseada na obra do maior dos romancistas baianos do século XX, Jorge Amado, adaptada para a TV em 1975, também com excelente direção de Avancini.

Com a dupla talentosa Avancini e Durst, Sonia Oiticica ainda trabalharia na novela “Nina” em 1977. Em 1979, trabalha na preciosa novela do ícone teatral Jorge Andrade, “Gaivotas” na Rede Tupi de Televisão, que teve direção geral de outro mestre, Antonio Abujamra. Infelizmente o canal 4 de São
Paulo já estava em grave crise financeira, e esta foi a única novela de Sonia na emissora.

Nos anos 1980 ela regressa a Rede Bandeirantes, onde reencontra e volta a trabalhar com os amigos Ivani Ribeiro e Jorge Andrade em “Dulcinéa Vai à Guerra” ao lado de Marcia de Windsor, Dercy Gonçalves e Henrique Martins. Em 1985, faz sua ultima telenovela, já no SBT, que foi “Jogo
do Amor”, de Aziz Bajur com direção de Antonino Seabra.

Também estrela do Rádio (pois trabalhou na Mayrink Veiga) e do Cinema (foi estrela da Companhia Cinematográfica Cinédia, Sonia foi biografada em 2005 pela amiga e pesquisadora da História do Teatro Brasileiro, a escritora Maria Thereza Vargas, na obra Intitulada “Sonia Oiticica – uma Atriz Rodriguiana?”, um bonito volume da Coleção Aplauso da Imprensa Oficial de São Paulo, coordenada pelo jornalista e ex-conselheiro consultivo do Museu da TV, Rubens Ewald Filho.

Pouco tempo depois desta bonita homenagem, a qual Sonia se fez presente, falece em São Paulo, aos 88 anos, em 26 de fevereiro de 2007. Sem dúvida o Brasil perdeu naquela data uma de suas atrizes mais completas, mais expressivas e talentosas.

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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