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“Quem Tem Medo da Verdade?”, o sensacionalismo fez sucesso



Foi em meados de 1968, que uma equipe de produtores da TV Record teve a ideia de criar e colocar no ar um programa que inovasse a forma de explorar a vida das pessoas, mas não de qualquer pessoa, mas sim a de artistas ou personalidades que estavam a todo tempo na mídia.

Talvez Carlos Manga, Flavio Porto e Mário Wilson não tinha a real ideia do que estavam propondo naquele momento, mas, indiscutivelmente, eles lançaram o primeiro programa sensacionalista, ou “mundo cão”, como se falava na época, na história da televisão brasileira. E o programa pecava já pelo próprio nome escolhido: “Quem Tem Medo da Verdade?”.

O intuito do programa era julgar se determinado artista ou personalidade era inocente ou culpada por uma declaração ou por uma atitude que havia tomado na sua vida particular ou artística. O entrevistado era assim colocado em frente a um júri que lhe aplicava uma bateria de perguntas indiscretas e capciosas, propositais para deixar a personalidade no que hoje chamamos de “saia justa”.

A banca do júri tinha o jornalista Clécius Ribeiro, o locutor Silvio Luis, a jornalista Alik Kostakis e a cantora Aracy de Almeida, enquanto a apresentação ficava a cargo de Carlos Manga, muito teatral e exagerado, naquele que foi seu único senão profissional em tantos anos de carreira na televisão e no cinema brasileiros.

Tudo era muito pesado e sombrio em “Quem Tem Medo da Verdade?”, mas o público “comprou” a ideia e o programa se tornou um sucesso de audiência na TV Record até 1971, quando foi retirado do ar.

Várias entrevistas do programa estão hoje no Youtube e ainda fazem muito sucesso entre os internautas. Afinal, a “lavagem de roupa suja” envolvia nomes importantes da época como os de Roberto Carlos, Silvio Santos, a inesquecível Leila Diniz, Grande Otelo, Norma Benguell ou Wilson Simonal.

Dentre as polêmicas que o “Quem Tem Medo da Verdade?” criou esteve o julgamento do cantor Roberto Carlos que foi acusado de corromper a juventude e de ser cabeludo; o da atriz Leila Diniz que chegou a chorar durante o programa quando foi chamada de prostituta e de ter um linguajar indecente para a sociedade; o do ator Grande Otelo acusado de abusar do álcool e bater na mulher ou o da atriz Norma Benguell, arrasada pelo júri pela sua cena de nudez total no filme “Os Cafajestes”.

Ou seja, quando hoje vemos alguns “barracos” em determinados programas da nossa televisão, podemos ter certeza de que eles não são novidades, já existiam lá no final da década de 1960.

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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