A
menina e a poesia
Tudo
seria igual para a vida de uma menina se não fosse aquele dia. Sonia Maria
Dorce, atriz-mirim da TV Tupi, se deparou com o povo. Um número impossível
de se contar. E ela, pequena, fez-se grande ao recitar para todos a poesia
"Nossa Bandeira", de Guilherme de Almeida.
O
Parque Dom Pedro II nunca esteve tão lotado. Um público que não chegava perto
daquele que frequentemente lotava o auditório da TV Tupi para assistir a
menina no programa "Clube Papai Noel", com Homero Silva.
Um dia
marcante, que jamais poderá ser esquecido. Na vida de Sonia e de todos os
paulistanos.
São os dois rápidos brilhos
do trem de ferro que passa:
faixa negra dos seus trilhos,
faixa branca da fumaça.
Fuligem das oficinas;
cal que as cidades empoa;
fumo negro das usinas
estirado na garoa!
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Página branca pautada
Por Deus numa hora suprema,
para que, um dia, uma espada
sobre ela escrevesse um poema:
Poema do nosso orgulho
(eu vibro quando me lembro)
que vai de nove de julho
a vinte e oito de setembro!
Mapa de pátria guerreira
traçado pela Vitória:
cada listra é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!
Tiras retas, firmes:
quando o inimigo surge à frente,
são barras de aço guardando
nossa terra e nossa gente.
NOSSA BANDEIRA
(Guilherme de Almeida)
Bandeira da minha terra,
bandeira das treze listras:
são treze lanças de guerra
cercando o chão dos Paulistas!
Prece alternada, responso
entre a cor branca e a cor preta:
velas de Martim Afonso,
sotaina do Padre Anchieta!
Bandeira de Bandeirantes,
branca e rota de tal sorte,
que entre os rasgões tremulantes
mostrou a sombra da morte.
Riscos negros sobre a prata:
são como o rastro sombrio
que na água deixava a chata
das Monções, subindo o rio.