carretilhas, para que eles deslizassem até a porta de cada avião, jogando os
triângulos aos céus.
Colocaram nos pontos mais altos (e estratégicos) de São Paulo os holofotes
(alguns fixos e outros que se cruzavam iluminando a escuridão). Os holofotes
pertenciam ao exército e à FAB.
No dia Randal Juliano, pela Rádio Record dizia sobre o espetáculo:
- "O sentimento do paulista faz com que a cidade se locomova até o
viaduto do chá. E aqui a multidão ergue os olhos para o céu, de onde caem
lâminas metalizadas...Lâminas coloridas metalizadas sobre o viaduto do chá.
Iluminadas por holofotes do exército, com o esplendor e luminosidade bonita.
Traduzindo a alegria do povo paulista neste nove de julho, que comemorava
uma derrota... Talvez tenha sido o único povo a comemorar uma derrota."
Era um milhão de pessoas na rua, satisfeitas com tudo aquilo. Estes
espetáculos eram cronometrados detalhadamente. No mundo, até aquele momento,
só havia existido um grande festejo: o da Coroação da Rainha Elizabeth II,
na Inglaterra. O segundo foi justamente aquele de 1954, que as pessoas nem
imaginavam a grandiosidade do que faziam parte.
Algumas pessoas se acotovelavam, por causa da vontade que possuíam para
pegar aqueles pequenos triângulos metálicos, onde no centro estava gravado
em azul o símbolo da festa, a "Voluta Ascendente" (que signifava o progresso
de São Paulo).

A chuva de prata
Entre
as 6 as 7hs, do dia 9 de julho, o povo esperava ansioso pelo entardecer da
cidade. Isto porque quando caísse a noite, uma festa inesperada aconteceria.
É o evento que a maioria das pessoas se lembram, pela forma marcante e até
inusitada como esta foi feita. Falamos da Chuva de Prata, organizada pelas
Indústrias Pignatari com a colaboração da AESP e da 4ª Zona Aérea da FAB
(Força Aérea Brasileira).
Foram feitos vários treinos de vôos noturnos antes da festa, sem que as
pessoas entendessem o por quê. A idéia era jogar triângulos prateados ao
povo.
Para colocar os sacos, com estes triângulos nos aviões, tiraram todos os
bancos de passageiros e colocaram


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