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Irmãos Coragem, a versão cabocla de Janete Clair



A autora Janete Clair mudou a linguagem das novelas globais com “Véu de Noiva”, mas foi com uma versão cabocla baseada no livro “Os Irmãos Karamazov” de Fiodor Dostoiévski, para a qual ela deu o nome de “Irmãos Coragem”, que Janete se consagrou e conquistou altos índices de audiência para a TV Globo no horário nobre das 20h.

A saga dos Irmãos Coragem: João, Duda e Jerônimo, começou em 8 de junho de 1970 e só foi terminar 328 capítulos depois, em junho de 1971, se tornando uma das novelas de maior duração no ar até hoje. E o Brasil acompanhou toda essa saga com muita disposição e consagrou os principais atores da novela, transformando os três principais casais: João (Tarcisio Meira) e Lara (Glória Menezes); Duda (Cláudio Marzo) e Ritinha (Regina Duarte) e Jerônimo (Cláudio Cavalcanti) e Potira (Lúcia Alves), durante muito tempo.

A TV Globo não mediu esforços e criou sua primeira cidade cenográfica em uma área de cinco mil metros quadrados, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para apresentar a fictícia cidade de Coroado, onde transcorria a trama de “Irmãos Coragem”. Foi um investimento grande para a época já que foram construídas oito ruas, uma praça, a prefeitura, uma igreja, uma pensão, uma farmácia e dois bares.

Pela primeira vez também, a emissora carioca criava um figurino especial para uma novela, todo ele confeccionado nas oficinas de costura da própria Globo, e coube a Arlindo Rodrigues essa inovadora missão. “Irmãos Coragem” foi também a primeira novela a ter mais cenas externas do que em estúdios, o que fez com que diretores, atores e técnicos tivessem que se acostumar a trabalhar em áreas inundadas pela chuva ou com o aparecimento de bichos como cobras e até jacarés em algumas gravações.

A direção segura de Daniel Filho, muito bem assistido pelo também ator da novela, Milton Gonçalves, e por Reynaldo Boury, que hoje está no SBT, garantiu grande parte do sucesso da história no ar. Uma história que Janete Clair escreveu sozinha e sem descanso, já que terminou “Véu de Noiva” e entrou de cabeça na saga desses irmãos de muita coragem.

O elenco também foi um sucesso à parte, consagrando as carreiras de Tarcísio Meira, um perfeito João Coragem; Glória Menezes (que fez três personagens diferentes: Lara, Diana e Márcia); Cláudio Cavalcanti, que se consagrou com seu Jerônimo; Lúcia Alves, a doce e ao mesmo tempo rebelde mestiça Potira; Gilberto Martinho, o inesquecível Pedro Barros; Emiliano Queiroz como Juca Cipó, outro personagem marcante da novela; Zilka Salaberry como a batalhadora e sofredora Dona Sinhana; ou de Ênio Santos como o alcoólatra Dr. Maciel.

A dupla Cláudio Marzo e Regina Duarte teve menor destaque do que os outros dois casais da história (João e Lara e Jerônimo e Potira), e os atores acabaram saindo antes do término da novela para voltarem ao ar como a dupla romântica de “Minha Doce Namorada”. Ambos haviam emendado “Véu de Noiva”  com “Irmãos Coragem”. O ator, que vivia um craque de futebol em pleno ano de Copa do Mundo, por sinal conquistada pela terceira vez pela Seleção Brasileira, foi assessorado, para criar o seu Duda Coragem, pelo jornalista esportivo João Saldanha.

A novela, um épico da nossa teledramaturgia, marcou também a estréia em novelas da atriz Sonia Braga vivendo Lídia, que primeiro se envolve com o personagem de Cláudio Cavalcanti e depois com o de Emiliano Queiroz. O grande elenco ainda tinha, além dos já citados: Miriam Pires, Carlos Eduardo Dolabella, Myriam Pérsia, Ana Ariel, Paulo Araújo, Milton Gonçalves, Glauce Rocha, Jurema Penna, José Augusto Branco, Hemilcio Fróes, Suzana Faini, Macedo Neto, Ivan Cândido, Neuza Amaral, Monah Delacy, Dary Reis, Fernando José, Renato Máster, Leda Lúcia, Arthur Costa Filho, B. de Paiva, Lourdinha Bittencourt, Dorinha Duval, Antonio de Andrade, Arnaldo Weiss, Angela Leal e Antonio Victor.

Rodolfo Bonventti

 
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