SBT
“A Globo é um supermercado. Eu sou uma quitandinha.”
(Silvio
Santos, apresentador e dono do SBT)
Em 1973, Sílvio Santos perdeu para o Jornal do Brasil a concorrência dos
canais 9 de São Paulo (desocupado) e Rio de Janeiro (ex-Excelsior). No ano
seguinte, foi novamente vencido, desta vez pela TV Bandeirantes, que viria a
ocupar o canal 7 do Rio. Finalmente, em 23/10/75, o governo concedeu ao
empresário e comunicador um canal de TV na cidade do Rio de Janeiro, que
também foi disputado pela Editora Bloch, a Fundação Cásper Líbero e a
Editora e Impressora de Jornais e Revistas (“O Dia” e “A Notícia”). Dias
depois, Sílvio arrematou por Cr$603 mil a massa falida da TV Continental,
mas ainda investiria milhões em novos equipamentos. Em 22/12/75, a concessão
foi oficializada. Sílvio Santos montou a estação na rua General Padilha nº
134, no bairro de São Cristóvão, conseguindo colocar o 1º programa no ar em
144 dias – um recorde na tv brasileira! Em 14/05/76, às 20h55, estreou a TVS
– TV Studios, o canal 11 carioca, exibindo uma edição do programa “Sílvio
Santos Diferente”, de perguntas e respostas, simultaneamente com a TV Record
de São Paulo, da qual possuia ações. Inicialmente a estação transmitia
filmes em sessões contínuas, flashes jornalísticos de 3 minutos ao longo do
dia, além de “Bacará-76”, com Ronald Golias e “Um Instante, Maestro!”, com
Flávio Cavalcanti - programas também produzidos por Sílvio para a Record. Ao
inaugurar um novo transmissor em 01/06/77, o canal carioca entrou em nova
fase, com uma programação mais competitiva, incluindo a novela “O
Espantalho”, que já estreara na Record paulista. Em 1981, Sílvio recebeu
autorização federal para a operação do canal 5 de Porto Alegre, o canal 2 de
Belém, o canal 9 do Rio de Janeiro e o canal 4 de São Paulo, formando o
Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), composto também por diversas
emissoras afiliadas independentes. A substituição do termo “rede” por
“sistema” tinha uma razão: por não possuir uma emissora líder, o SBT faria
do canal paulista uma central independente de produções, cabendo às estações
coligadas comprar ou não os programas, de acordo com seus interesses. A TVS
paulista veio a ocupar o canal 4, fora do ar por mais de um ano desde o fim
da TV Tupi. Parte dos funcionários da extinta emissora foi absorvida pelo
quadro de empregados da TVS. A estação utilizava os 11.000m² da extinta TV
Excelsior, na Vila Guilherme, alugados da Caixa Econômica Federal pelo
empresário desde 1972. A estréia foi às 9h30 do dia 19/08/81, o que
significou novo recorde, pois entrou no ar no mesmo dia da oficialização da
concessão do canal – fato inédito! Curiosamente, foi esta solenidade que o
público viu na telinha naquele dia: a assinatura do contrato entre o
Ministério das Comunicações e o SBT, em Brasília, com direito a um discurso
do patrão Sílvio Santos e do Ministro Haroldo Corrrea de Matos. Às 12h30, o
telespectador assistiu ao almoço de confraternização entre Oscar Bloch e
Sílvio Santos, na Casa da Manchete (naquele mesmo dia Adolpho Bloch também
havia recebido a concessão de seu canal de tv). As atrações seguintes foram:
“O Povo na TV”; o show do palhaço “Bozo”; desenhos animados; o musical
“Vamos Nessa”, apresentado por Dudu França; a “Sessão das 10 Premiada” com o
filme “O Elevador” e o programa de entrevistas de Ferreira Netto. A
programação inicial era basicamente de filmes e desenhos importados
selecionados pelo superintendente de programação, Luciano Callegari. Os
programas que Sílvio produzia na Record se transferiram com exclusividade
para a TVS - apenas o “Programa Sílvio Santos” continuou sendo exibido
simultaneamente nas duas emissoras. Jacinto Figueira Jr e Raul Gil estrearam
na nova casa. Igualmente Airton e Lolita Rodrigues com “Almoço com as
Estrelas” e o humorístico “Reapertura”. J. Silvestre reestreou o surrado
“Show Sem Limite” e Gugu Liberato, pupilo do patrão, deslanchou para o
sucesso a partir do programa “Viva a Noite”, em 1982. Em 13/12/82, a TVS
carioca ganhou um grande auditório batizado de Teatro da TV (ex-Cine
Fluminense). Ousada em suas manobras de marketing, em 1987 a emissora adotou
o slogan “SBT, líder absoluto da vice-liderança”, exaltando a Globo como uma
das melhores televisões do mundo, concorrente muito difícil de enfrentar.
Mesmo ocupando com folga o 2° lugar geral, Sílvio Santos se aborrecia com os
resultados desfavoráveis das pesquisas de audiência, tendo rompido com o
IBOPE para criar o Instituto de Pesquisas SBT, em 04/04/88. Otávio Mesquita
lançou suas reportagens irreverentes no “Perfil”, também em 1988. Naquele
mesmo ano, Jô Soares se transferiu para a emissora, onde estrelou o
humorístico “Veja o Gordo” e deu início ao bem sucedido talk show “Jô Soares
Onze e Meia”. Em 20/05/91, foram lançados numa só tacada o “Jornal do SBT” e
as novelas mexicanas “Rosa Selvagem” e “Carrossel”. O fato fez com que a
audiência triplicasse no horário nobre: 60 a 70% dos aparelhos de TV da
Grande São Paulo estavam ligados no SBT. Três meses depois, Sérgio Groisman
estreou o “Programa Livre”, com uma platéia de jovens sabatinando
celebridades convidadas. A apresentadora Eliana despontou no “Bom Dia & Cia”
em 1993 e o remake da novela “Éramos Seis” puxou a audiência em 1994. O game
juvenil “Passa ou Repassa” começou com Angélica em 1995, tendo Celso
Portiolli assumido o comando em sua estréia no vídeo em 1996. Em 1997, foi
lançada a versão brasileira de um sucesso da tv argentina: a novela infantil
“Chiquititas”. Em 1994, o SBT começou a planejar a transferência de seus
estúdios na Vila Guilherme – alugados do Grupo Folhas – para uma área
própria no km 18 da rodovia Anhangüera. No 15° aniversário do SBT, em
19/08/96, foi inaugurado o Complexo Anhangüera – uma área de 210.000 m², com
as modernas instalações e os fabulosos estúdios da TV de Sílvio Santos.
| Crédito obrigatório: Texto retirado do "Almanaque da TV - 50 Anos de Memória e Informação", Ricardo Xavier (Ed. Objetiva, 2000), com autorização do autor. |

