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Heloisa Helena, estrela completa da nossa arte



Heloisa Helena de Almeida Gama nasceu no tradicional bairro carioca do Flamengo, em 28 de outubro de 1917, filha de Otavio Gama e de Maria Gama. Ainda adolescente em sua cidade natal, que ainda se configurava na Capital da República, começou a brilhar no fulgurante rádio da “Cidade Maravilhosa”, inicialmente cantando amadoristicamente na nascente Rádio Roquette Pinto (PRD-5), que ainda se denominava Rádio Escola Municipal e poucos meses depois já estava contratada pelo radialista Cesar Ladeira para ser cantora da célebre Rádio Mayrink Veiga (PRA-9), que em 1934 era a emissora mais ouvida.

Nascia então uma estrela precoce, de voz agradável e de talento incomum, pois já em 1937 lança um bonito disco pela Gravadora Victor, uma das mais importantes daquela época, sendo uma das músicas de sua própria autoria, intitulada “Numa Roda de Samba”, fato bastante raro para os anos 30. Um ano antes já se consagrava como estrela da Companhia Cinematográfica Cinédia, empresa pioneira no Brasil, fundada pelo genial Adhemar Gonzaga, onde Heloisa brilhou já em seu primeiro filme : “Alô Alô Carnaval”, com direção do próprio Gonzaga, onde trabalhou com a “Pequena Notável” Carmem Miranda, uma amiga por toda vida.

Chega a década de 40 e a jovem estrela se casa com o teatrólogo Paulo Magalhães, conselheiro da SBAT e um dos maiores nomes da Dramaturgia Brasileira de seu tempo.  Heloisa faz muito teatro e muito cinema nesse período, trabalhou com ícones como Eva Todor, Sonia Oiticica e Jayme Costa, sendo dirigida por verdadeiros mestres como José Carlos Burle, além de trabalhar na primeira adaptação de obra literária de Jorge Amado para o cinema, o livro “Terras do Sem Fim” de 1943, no filme “Terra Violenta” (1948), com direção de Paulo Machado e Edmond Bernoudy, com roteiro de Alinor Azevedo e produção esmerada da Companhia Cinematográfica Atlântida.

Em 20  de janeiro de 1951, Heloisa, ao lado do marido Paulo, estão entre os fundadores da TV Tupi canal 6, a emissora televisiva pioneira do Rio de Janeiro. O cineasta Chianca de Garcia, um dos primeiros diretores da estação de TV carioca de Assis Chateaubriand, fez questão de convidá-la para o casting inaugural. E novamente a multiplicidade criadora e criativa de Heloisa se manifesta, pois além de ser atriz em importantes teleteatros da emissora, também foi uma de suas primeiras apresentadoras (Programa “Bate Papo” em 1951), animadoras (Programa “Adivinhe o que ele Faz” em 1955) e entrevistadoras (Programa “Tele-Semana Garson” em 1956).

E na frutífera década de 50, Heloisa continuou também a fazer cinema em trabalhos marcantes: sob a direção de Carlos Manga, fez “O Homem do Sputnik” em 1959) e com Carlos Hugo Christensen, “Mãos Sangrentas” em 1955). Em 1961, seu trabalhou com o mestre Watson Macedo no filme “Samba em Brasilia”, teve grande apreciação do público e da critica especializada.

Em 1970, Heloisa Helena faz sua primeira telenovela na Rede Globo de Televisão: “Assim na Terra como no Céu”, texto do mestre Dias Gomes, com direção de Walter Campos. Dias, a exemplo de sua esposa, a novelista Janete Clair eram amigos íntimos de Heloisa, desde a Era do Radio e Walter tinha trabalhado ainda como câmera-man com ela no principio da TV Tupi. Interpretando a personagem Danuza e trabalhando numa plêiade de amigos, Heloisa se destacou bastante, na primeira de suas dezessete novelas na TV Globo, em três ricas décadas de uma longa e premiada carreira artística. Só da fraternal Janete Clair foram seis novelas: do mega sucesso “Selva de Pedra” em 1972 até a derradeira “Eu Prometo” de 1983, o “canto do cisne” da novelista.

Em 20 de junho de 1999, aos 81 anos, a estelar Heloisa Helena falece em sua querida cidade do Rio de Janeiro, deixando uma obra artística marcada pelo pioneirismo, pela versatilidade e pelo brilhantismo, sendo realmente uma mulher vanguardista e uma artista completa.

 

Rodolfo Bonventti

 
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