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Especial: Maria Estela

A estrela que era uma unanimidade entre colegas, diretores e autores

A bela e elegante Maria Estela tinha porte de estrela, mas no dia a dia, no convívio com os colegas de profissão, diretores e autores, era uma unanimidade pela simpatia, por ter sempre um sorriso aberto, muita humildade para aprender e dividir seu talento com os colegas com os quais contracenava.

Ela nasceu no interior do estado de São Paulo, exatamente em Borborema, uma cidade pequena perto de Araraquara e que é conhecida como o “Território dos Enxovais e Bordados”, em 13 de abril de 1942.

Desde muito jovem ela queria seguir a carreira de atriz, e quando veio para a capital paulista, com 20 anos, foi para o teatro. O sonho de fazer TV ganhou corpo em 1965, quando com 22 anos de idade, estreou na TV Excelsior na novela de Dulce Santucci, “O Caminho das Estrelas”, estrelada por Agnaldo Rayol e Arlete Montenegro.

A partir dessa novela, Maria Estela percebeu que aquele era o espaço que ela queria conquistar. Mas teve sempre humildade para evoluir na carreira e nunca reclamou de qualquer papel que lhe foi destinado.

Na TV Excelsior ela ainda faria mais quatro novelas: “A Pequena Karen“; “O Morro dos Ventos Uivantes” e “O Tempo e o Vento“, vivendo Bibiana Cambará, um dos principais papéis da história de Érico Veríssimo e, finalmente, “O Direito dos Filhos”.

A chance de se tornar um dos nomes femininos mais importantes da nossa teledramaturgia nos anos 60 e 70 surgiu com a ida para a TV Record, que em 1968, inaugurou seu ciclo de novelas. E coube a Maria Estela o principal papel em “Ana”, um original de Sylvan Paezzo que estreou em 7 de outubro daquele ano com ela e Rolando Boldrin encabeçando o elenco.

Maria Estela também atuou em “Algemas de Ouro” antes de ter a grande oportunidade de substituir Geórgia Gomide, que brigou com a direção da novela e da emissora e abandonou o papel da pupila Clara em “As Pupilas do Senhor Reitor”. Foi a partir dessa novela que ela e Márcia Maria, a outra pupila, Margarida, se tornaram rostos reconhecidos nacionalmente.

Ainda na TV Record ela participaria de mais quatro novelas: “Os Deuses Estão Mortos”; “Sol Amarelo”; “O Leopardo” e “Os Fidalgos da Casa Mourisca”.  Já casada com o também ator Yvan Mesquita, Maria Estela foi para a TV Tupi onde estreou em 1973 como a Arlete do sucesso “Mulheres de Areia”.

Na Tupi fez mais cinco novelas, todas elas sucesso de público: “Os Inocentes”; “Meu Rico Portugues”; “Um Dia, o Amor” como Marília, a personagem central da trama que se dividia entre os personagens de Carlos Zara e Henrique Martins; “Aritana” e “Roda de Fogo”, onde foi Jane, a mais fútil e interesseira das filhas do magnata Lear.

Com o encerramento da TV Tupi e já separada do ator Yvan Mesquita, ela se casou novamente com um empresário paulista onde adotou o sobrenome Rivera e foi para a TV Bandeirantes onde fez “Pé de Vento”; o sucesso “Os Imigrantes” vivendo Isabel na segunda fase e fazendo uma perfeita dupla com o italiano De Sálvio, muito bem interpretado por Rubens de Falco, e depois “Campeão”, novamente em par com De Falco.

Maria Estela também passou pelo SBT onde foi a principal intérprete de “A Leoa” e depois fez “Vida Roubada”, ambas na década de 80. Nessa mesma época brilhou nos palcos paulistas e cariocas com as montagens de “Meno Male” ao lado de Juca de Oliveira e “Negócios de Estado” com o então casal Perry Salles e Vera Fischer.

O sucesso nos palcos a levou para a TV Globo, onde em 1990 fez a minissérie “Boca do Lixo” e a novela “Meu Bem, Meu Mal”, onde como Gisela teve uma ótima interação com Sérgio Viotti, seu par na história e que era o divertido Sr. Toledo.

Ainda na TV Globo ela fez a novela “Despedida de Solteiro” de Wálter Negrão e voltou a São Paulo em 1994, onde no SBT fez o remake “Éramos Seis” e em seguida “Canoa do Bagre” na TV Record e foi a Emília de “Chiquititas”, um grande sucesso do SBT em 1997.

Nos anos 2000, quando muitas das antigas estrelas da TV Tupi, começavam a encontrar problemas para serem escaladas, Maria Estela era sempre requisitada pelos diretores e fez várias novelas na Record, no SBT e na Globo. São desse período: “Marcas da Paixão“;  “O Direito de Nascer”;Pícara Sonhadora“; “Marisol”; “Esmeralda”; “Pé na Jaca” e “Vende-se um Véu de Noiva”.

Seu último trabalho foi em 2010, quando fez uma participação especial em “Passione“, da TV Globo, como uma amiga da personagem de Irene Ravache. A partir daí resolveu se dedicar ao marido e ao filho.

Nos deixou no último dia 06 de julho discretamente, como sempre dirigiu sua vida, que não precisava dos holofotes da fofoca ou dos eventos badalados, mas sim de grandes trabalhos interpretativos, que o público sempre soube reconhecer, e por isso, a nossa admiração maior para uma grande estrela que brilhou em quase quarenta trabalhos na televisão em 45 anos de carreira.

Rodolfo Bonventti

 
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