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Dois anos de saudade de Vida Alves, presidente de honra do Museu da TV



O dia 03 de janeiro de 2017 ficará marcado como uma data triste na história da televisão do Brasil, pois naquele dia faleceu a grande Vida Alves, fundadora da Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira.

Mineira de Itanhandu, nascida em 15 de abril de 1928, já na década seguinte passou a residir em São Paulo, juntamente com a sua família. Sempre atenta à cultura e à arte ao seu redor, começou ainda bastante criança a cantar nas rádios paulistanas em programas de Nicolau Tuma e de Silvia Autuori.

Em 03 de maio de 1944, com apenas quinze anos participa da fundação da Radio Panamericana de São Paulo, a  atual Radio Jovem Pan, como contratada da equipe artística dirigida por Oduvaldo Vianna. Nesta emissora de rádio torna-se colega de nomes ilustres como Dias Gomes, Oswaldo Louzada, Mario Lago, César Monteclaro, Alberto Leal, Marcelo Tupinambá, Dionísio Azevedo, Túlio de Lemos, Nélio Pinheiro, Sonia Maria, Agostinho Aguiar Leitão e tantos outros. Vida Alves se destaca neste esmerado elenco e em 1946 já apresenta o famoso programa musical “Canta Per Me”, juntamente com Ferreira Moises.

Mas são tempos difíceis do imediato pós-guerra, e muitas modificações na radiodifusão acontecem e no ano de 1947, Vida Alves é contratada para trabalhar nas Emissoras Associadas de São Paulo: Rádio Tupi (sob a direção artística de Walter Forster) e Rádio Difusora (sob a direção artística de Oduvaldo Vianna).

Oduvaldo, seu diretor na Rádio São Paulo e na Rádio Panamericana, e agora na Difusora,  estava voltando ao cinema no ano de 1948, e convidou Vida Alves para estrear na Sétima Arte, em “Quase no Céu”, patrocinado pelas empresas de Assis Chateaubriand. A película, que reuniu praticamente todo o elenco das Rádios Difusora e Tupi, fez sucesso e hoje é um precioso documento visual e sonoro daqueles iniciais tempos.

Em 18 de setembro de 1950, finalmente é inaugurada a televisão no Brasil e Vida Alves está neste primeiro elenco, dirigido artisticamente por Cassiano Gabus Mendes. No ano seguinte, é a estrela da primeira telenovela brasileira, escrita por Walter Forster, “Sua Vida Me Pertence”, onde contracena e dá o famoso “primeiro beijo da TV”, em Forster.

Em 1952, já redatora do canal 3 paulistano, lança a grandiosa Laura Cardoso na televisão, com o programa “Tribunal do Coração”. Também naquele rico ano, faz o primeiro teleteatro baseado em William Shakespeare na televisão de São Paulo, na adaptação da peça teatral “Otelo”, contracenando com o colega desde os tempos de Panamericana, seu conterrâneo Dionísio Azevedo.

Ao mesmo tempo, Vida Alves estuda Direito na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde se bacharela na Turma de 1953, paraninfada pelo professor e futuro ministro Gama e Silva. No mundo jurídico Vida Alves trabalhou pouco, mas todo esse aprendizado acadêmico lhe foi bastante útil em suas atividades artísticas, jornalísticas, docentes e institucionais.

Vida Alves trabalhou na TV Tupi de São Paulo por quase 18 anos em inúmeras atividades como jornalista, autora de novelas, produtora de TV, apresentadora, roteirista de programas e atriz e também conciliava trabalhos nas rádios de Chateaubriand na capital paulista, inclusive recebendo importantes prêmios radiofônicos como o Tupiniquim e o Roquette Pinto.

Em 1968, Vida Alves se transfere para a TV Excelsior, canal 9 de São Paulo, onde, no ano seguinte, trabalha com  a  grande novelista  Ivani Ribeiro, sua colega deste os tempos da Rádio Cruzeiro do Sul paulistana , que a convida para atuar  na novela “Os Estranhos”, com direção de Gonzaga Blota, mas a Excelsior é fechada por ordem do Regime Militar em 1970 e Vida Alves é convidada pelo diretor artístico da nascente TV Gazeta canal 11 , Marco Aurélio Rodrigues da Costa, para apresentar um programa lá, intitulado “Vida em Movimento” com direção de Roberto Rodrigues Alves.

Mais uma vez pioneira, em 14 de março de 1972, inaugura com o seu programa as transmissões coloridas no Brasil. Ainda nos anos 70, trabalha na TV Record, sob a direção artística de Helio Ansaldo, no programa “Viagem para Vida” e volta ao dial paulistano numa interessante experiência comunicativa na Rádio Mulher, em programa diário com quatro horas de duração, onde trabalhava também a futura diretora artística da TV Cultura e da TV Educativa do Rio de Janeiro, Beth Carmona.

Mas novas mudanças ocorreriam e Vida Alves passou a se dedicar mais a família e aos projetos de sua Escola de Comunicação, a famosa Academia de Rádio e TV. Chega a década de 90, em iniciais anos bastante tristes com o falecimento  de vários colegas da TV, essenciais para a trajetória de Vida, como José Parisi, Percy Aires, Ivani Ribeiro,  Dermival Costa Lima, Cassiano Gabus Mendes, Dionísio Azevedo, Dulce Santucci, Benjamin Cattan, Airton Rodrigues e  Jose Castellar.

Era momento de tomada de ações mais concretas em prol da memória da televisão do Brasil. Finalmente, em 21 de agosto de 1995, Vida Alves, funda o Museu da TV, na época APITE (Associação dos Pioneiros da Televisão), juntamente com os amigos e pioneiros Walter Forster, Luiz Gallon, Walter Ribeiro dos Santos e Ana Maria Neumann. Pouco tempo depois, outros importantes pioneiros se integram a Pró-TV: Blota Júnior, Cyro Del Nero, Moraes Sarmento, Tatiana Belinky, Lemos Britto e começam os eventos, atividades, reuniões e homenagens promovidas por essa importante associação de utilidade pública.

Vida Alves foi a presidente do Museu da TV por 21 anos, deixando a presidência em setembro de 2016, em razão de problemas de saúde. Tornou-se a Presidente de Honra – Perpétua desta destacada instituição cultural brasileira e nestes dois anos de saudade o Museu continua a sua finalidade de preservar, difundir e registrar a História da Televisão neste país, agora presidido por sua filha, Thais Alves.

Descanse em paz honrosa e honrada amiga Vida Alves, que seu legado sempre seja um bonito exemplo para todos nós, seus amigos, seus discípulos e seus leitores para sempre!

Redação

A Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira surgiu em 21 de agosto de 1995. Sua finalidade é preservar a memória da radiodifusão nacional e congregar toda classe que representa. Objetiva a criação do Museu do Rádio, da Televisão e das Novas Mídias (também chamado de “Museu da TV”).

 
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