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Decio de Almeida Prado, intelectual e crítico que contribuiu com a história da TV



Decio de Almeida Prado, filho do médico e político Antonio de Almeida Prado e de Zilda de Almeida Prado, nasceu em São Paulo em 14 de agosto de 1917.Descendente de uma família culta e tradicional paulistana, ingressa na nascente Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde se bacharela em Filosofia em 1938. Logo depois, ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde cola grau como bacharel em Ciências Jurídicas na Turma de 1941.

No ultimo ano de seu curso nas Arcadas, Decio já trabalhava como jornalista na Revista Clima, um periódico cultural nascido na cidade de São Paulo, que contava com jovens intelectuais como Antonio Candido, Paulo Emilio Salles Gomes e Lourival Gomes Machado. Decio foi escolhido para ser o crítico teatral da Revista.

Em 1947, participa da campanha eleitoral de seu pai, líder da União Democrática Nacional (UDN) no Estado de São Paulo, que ao final do pleito, ficou em 4º lugar naquela eleição vencida por Adhemar de Barros.

Em 1948, já como critico de teatro do Jornal “O Estado de S Paulo”, assiste à fundação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), por iniciativa do empresário Franco Zampari, bem como participa da fundação da Escola de Arte Dramática (EAD), onde seu fundador, o teatrólogo Alfredo Mesquita o convida para ser um de seus primeiros professores, iniciando uma trajetória de quinze anos de docência teatral na EAD, onde teve como seus alunos ícones como Jorge Andrade, Leonardo Villar, Jose Renato e Francisco Cuoco.

Já conceituado escritor, pois participou com destaque do II Congresso Brasileiro dos Escritores, ocorrido em Belo Horizonte em 1947, Decio de Almeida Prado tem grande atuação na Sociedade Paulista de Escritores e em 1951, é um dos fundadores da secção paulista da Associação Brasileira de Criticos Teatrais (ABCT), sendo eleito seu vice-presidente na chapa do Dr Nicanor de Miranda, crítico teatral do “Diário de São Paulo”.

Em 1955, assume a presidência da referida associação e no ano seguinte, transforma a seccional paulista da ABCT na Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), tendo sido presidente da APCT também nos anos de 1956, 1958, 1961, 1962, 1965, 1966, 1969, 1970 e 1971. No mesmo ano, ainda escreve para a Revista Teatro Brasileiro e é membro da Comissão Estadual de Teatro do Governo do Estado de São Paulo,além de continuar como crítico do Estadão e sendo voz importantíssima no Juri que concedia anualmente o Prêmio Saci para os melhores do Teatro Paulista.

Em 1961, o educador e pensador dr.Fernando de Azevedo, secretário da Educação do prefeito Prestes Maia, o nomeou para a Comissão Municipal Teatral da Prefeitura de São Paulo, juntamente com o seu colega de crítica, Sabato Magaldi, e também com o seu colega de EAD, Alfredo Mesquita.

Em 1966, é eleito pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o melhor crítico cultural da Imprensa Brasileira, recebendo o Premio Jabuti naquele ano. E em 18 de novembro de 1994 recebe homenagem da União Brasileira de Escritores (UBE) no Auditório da Biblioteca Mario de Andrade, onde é saudado com efusão por seu presidente, o intelectual Fabio Lucas.

Decio ainda conseguiu dar uma decisiva contribuição à história da TV Brasileira quando foi um dos produtores do Programa “A Aventura do Teatro Paulista”, juntamente com as discípulas Maria Thereza Vargas, Marcia D Alessio, Carmelinda Guimarães e com a importante participação do amigo Sabato Magaldi e com as entrevistas colhidas pelo produtor Julio Lerner.

Tal programa, verdadeiro documento jornalístico-teatral, levou aos telespectadores verdadeiras preciosidades como o último depoimento do grande diretor teatral Ruggero Jacobbi, que tinha falecido poucos meses antes. A produção televisiva recebeu o Premio APCA de Televisão e a própria APCA, presidida por 10 anos pelo mestre Décio, por meio de seu júri teatral, concedeu a ele o Grande Prêmio da Critica em Teatro no ano de 1986.

O saudoso mestre Decio de Almeida Prado que tanto incentivou brilhantes carreiras artísticas como as de Paulo Autran, Tonia Carrero, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Ziembinski, entre tantos outros, faleceu em sua cidade natal, aos 82 anos, em 04 de fevereiro de 2000, deixando um legado de inteligência, cultura e ensinamentos.

Viva Decio de Almeida Prado, critico símbolo do Teatro Brasileiro do Século XX .

Rodolfo Bonventti

 
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