
RESUMO DO DEPOIMENTO DE JOSÉ CARLOS DE MORAES - TICO-TICO, PARA O MUSEU VIRTUAL DA TELEVISÃO BRASILEIRA - EM 12/02/98
José Carlos de Moraes nasceu em 24 de novembro de 1922, em Angatuba, interior de
São Paulo. Filho de Cornélio Vieira de Moraes, o “seu Nê Pereira”, que faleceu
muito cedo, aos 39 anos de idade e de dona Maria Zoraide, que ficou com 5 filhos,
dos quais José Carlos era o mais velho. O pai foi prefeito de Angatuba por duas
vezes. Pertencia ao Partido Constitucionalista Brasileiro. A mãe era professora
primária, muito querida na cidade. A família mudou-se para a capital de São
Paulo e foi aí que José Carlos conseguiu seu primeiro emprego, já em jornal,
pelas mãos de uma figura importante na política brasileira, que foi José de
Freitas Nobre. Esse jornal foi a Agência Nacional. E aí ele foi também locutor
de rádio. Seu sotaque “caipira” foi um primeiro entrave, mas Tico-Tico, já então
com o codinome, conseguiu superá-lo.
Quanto aos estudos entrou na Faculdade de Direito São Francisco, onde também
começou a participar da Caravana Artística de 11 de agosto, como cantor de
“emboladas”, que era moda na época. Muito agitado, curioso, vivo, Tico-Tico
enveredou por vários jornais e emissoras de rádio, onde logo se adaptou. Esteve
na Rádio Educadora Paulista, Rádio São Paulo, Rádio Panamericana, Rádio Record,
Rádio Bandeirantes, Rádio Tupi Difusora. Em jornais também passou por muitos e
foi se tornando o mais “furão” dos repórteres. Era capaz de tudo. E foi assim
que começou a fazer sensacionais reportagens políticas, como entrevistas de
campanhas eleitorais, posses de governadores e presidentes, nacionais e
internacionais. Tico-Tico entrevistou todos os Papas de sua época, assim como
personalidades máximas, políticos do mundo inteiro. Foi capaz de colocar-se no
paralama do carro de presidente americano Eisenhawer, para entrevistá-lo. Também
entrevistou Che Guevara, Fidel Castro, Kennedy, e vários outros. Esteve na União Soviética,
ainda durante a Guerra Fria. Passou para a televisão com todo o sucesso. Foi o
primeiro a adaptar um pequeno teipe, para gravações inéditas, pois antes dele era
necessário filmar, revelar, transportar, para depois lançar ao ar uma
reportagem. Tico-Tico agilizou ao máximo esse trabalho. Ao lado de Mauricio
Loureiro Gama, iniciou com sucesso, jornais vespertinos para a televisão. Fez,
por vários anos, o jornal Edição Extra, na TV Tupi de São Paulo.
Se fossem somadas suas horas de vôo, Tico-Tico teria realizado 13 voltas ao
mundo, completas. E isso sem contar as viagens de carro, ônibus, trem e navio.
Tico-Tico fez 54 anos de reportagens. E sem falar outra lingüa, que não o
português, foi sempre um destemido repórter dos meios de comunicação. Nada o
deteve nunca. Foi casado com dona Cidinha por mais de 50 anos, tiveram 2 filhos e 5 netos.
Sempre ágil e loquaz, Tico-Tico foi um típico brasileiro, com sua inteligência,
vivacidade e amor pelo que fez.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES:
José Carlos de Moraes, o Tico-Tico, é falecido.