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RUTH ESCOBAR

BIOGRAFIA DE RUTH ESCOBAR. PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Maria Ruth dos Santos Escobar é o nome completo da atriz e empresária teatral Ruth Escobar. Ela nasceu na cidade do Porto, em Portugal, em 1936. Em 1951, bastante jovem, veio para o Brasil e se instalou em São Paulo. Fez amizades com pessoas de teatro, e veio logo a se casar com o dramaturgo e filósofo Carlos Henrique Escobar, com o qual teve filhos. Mas em 1958 , foi com o marido para a França. Sua procura artística era grande e ela fez curso de interpretação em Paris. Ao  voltar ao Brasil, montou logo sua própria companhia teatral, a que deu o nome de Novo Teatro, em parceria com o diretor Alberto D'Aversa. Montaram:"Antigone América", na qual ela era protagonista. O texto era do marido de Ruth. Depois montou e protagonizou:"Mãe Coragem e Seus Filhos"e"Males de Juventude". Era já uma atriz conhecida, mas, temperamento irrequieto, resolveu empreender um teatro bem popular e transformou um ônibus em palco, levando espetáculos à periferia de São Paulo. Intitulou-o de Teatro Popular Nacional. Antônio Abujanra dirigiu aí: "A Pena e a Lei"e Silney Siqueira dirigiu:"As Desgraças de uma Criança". Esse trabalho foi até 1965.

Em 1964, Ruth Escobar resolveu inaugurar sua casa de espetáculos. Separou-se de seu primeiro marido e casou-se com o arquiteto Wladimir Pereira Cardoso, que se tornou cenógrafo de suas produções. Montou "A Öpera dos Três Vintens"; "O Casamento do Sr Mississipi"; "As Fúrias"; "O Versatil Mr. Sloane", "Lisistrata". Em 1966, Ruth produziu no Rio de Janeiro :"Júlio Cesar". Em 68,montou :" Cemitério de Automoveis",obra ousada de Victor Garcia, numa garagem antiga da Rua !3 de Maio,em São Paulo, totalmente remodelada. Foi aí que a moça portuguesa se destacou completamente como produtora teatral de vanguarda. Em seguida montou:"O Balcão", que ganhou todos os prêmios à época. Em seguida produziu: "Missa Leiga", que pretendia montar na igreja da Consolação,mas foi proibida e então o fez no espaço de uma velha fábrica. Em seguida montou:"A Viagem", e chamou para a estréia Marcelo Caetano, primeiro ministro português. Nos anos seguintes, Ruth  ficou à frente do Centro Latino-Americano de Criatividade.

Em 1974, Ruth Escobar  deu um passo ousado. Criou o 1º  Festival Internacional de Teatro, com o propósito de trazer ao Brasil periodicamente o melhor do teatro mundial. E assim  São Paulo pôde conhecer o trabalho de Bob Wilson:"Time and Life of Joseph Stalin", que aqui recebeu o nome de:"Time and Life of David Clark". Foi montado ainda:"Yerma", de Victor Garcia.  Ruth fez  também  o 2º Festival, e trouxe ao Brasil o grupo catalão: Els Joglars, os City Players, do Irã, a Companhia Hamada Zenia Gekijo, do Japão, o Grupo G.Belli, da Itália, entre outros. Organizou também o 3º Festival Internacional, em 1981, com o grupo norte-americano Mabu Mines, o belga Plan K, o Lá Quadra, de Sevilla, o grupo uruguaio Galpon e o português.

 Em 74 ainda, Ruth Escobar centralizou o circuito internacional de "Autos Sacramentais", encenação de Victor Garcia, baseado em Calderon de la Barca. Em 1976, Ruth teve um projeto interditado pela censura, que reuniria textos dos mais destacados da época. Isso lhe trouxe grandes prejuízos.

Em 94, Ruth Escobar voltou aos Festivais Internacionais, mas mais discretos. Trouxe o Aboriginal Islander Dance Theatr; o Bread and Puppet; o Cricot 2; os Dervixes Dançantes. Em 1995, na quinta edição, trouxe o grupo de dança de Carlota Ikeda, e o grupo japonês Dumb Type,o russo Levdodine, Michel Picolli. Em 96, trouxe Phillipe Decoufflé, o grupo Dong Gong Xi Gong, de Taiwan. Na 6º edição, o destaque foi Joseph Nadg. O 7º Festival foi todo dedicado à Ásia. E o 8º foi sobre  arte cigana.

Nos anos 80, Ruth Escobar afastou-se do teatro, pois se candidatou a deputada estadual e ganhou, por duas legislaturas. Dedicou-se a projetos comunitários.

Em 87, Ruth montou"Maria Ruth-Uma Autobiografia",e voltou aos palcos. O mesmo acontecendo em 90, na encenação de "Relações Perigosas".

 Esta é uma síntese apenas da vida agitada da grande Ruth Escobar, atriz, empresária, produtora, política, eternamente linha de frente nas lutas pela classe teatral, e pelos despossuídos É um nome que jamais poderá faltar, em qualquer estudo que se faça sobre o teatro do século XX do Brasil.