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RÉGIS CARDOSO

BIOGRAFIA DE RÉGIS CARDOSO, EXTRAÍDA DO DEPOIMENTO DADO POR ELE AO MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA, EM 05/12/98 - RIO DE JANEIRO

O nome de Régis Cardoso é João de Souza Cardoso. Seus pais, Dário Cardoso e Norah Fontes, eram atores. Mesmo a avó era atriz. Nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 24 de junho de 1934, Régis fez sua primeira aparição em teatro, aos três anos de idade. Era uma peça trágica, de nome “Ásia”, em que a mãe mata os dois filhos e depois se joga pela janela. O autor era Álvaro Moreira, famoso escritor da época.

Os pais eram considerados bons atores e estavam sempre sendo chamados para engrossar o elenco das peças que vinham de São Paulo e Rio de Janeiro. E assim arranjaram muitos amigos. Em 1940 o pai Dário foi contratado pela Companhia Eva Todor e Luiz Iglesias,mas teve um enfarte e morreu. Talvez de emoção. Norah fica viúva e, depois de alguns anos ,resolveu ir para São Paulo, com seus dois filhos: Renato e Régis. Começou a trabalhar na Emissoras Associadas de São Paulo, logo encaminhando os filhos para pequenos serviços de escritório. Régis estava com treze anos, quando começou no mimeógrafo, tirando cópias dos scripts de rádio, para o elenco. Norah estava casada agora com o locutor Armando Mota.

Régis começou logo a ganhar pequenos papéis infantis no rádio. Em 1950 veio a televisão e mãe e filhos foram trabalhar na PRF3 - Tupi de Televisão. Régis fazia de tudo. Era garoto, olhava os grandes, aprendia, gostava, amava estar ali entre os adultos, vendo a intensa vida artística da mãe Norah e do irmão Renato. Era xereta, garotão, e estava em todas. No filme “Quase no Céu” de Oduvaldo Viana, foi contra-regra. e foi convidado para ir para a TV Paulista pelo diretor Demerval Costa Lima. Já entrou como diretor de estúdio, e depois, diretor de TV, isto é, passou a ser aquele que faz o corte, que escolhe a cena e, praticamente, manda no espetáculo. Ao mesmo tempo continuava como ator. Participou do “Teledrama Três Leões”, adaptações de grandes espetáculos, de grandes filmes.

Participou também de novelas. Mas foi como diretor que se salientou. Voltou para a TV Tupi em 1958 e lá ficou até 1964. Foi quando deu o grande salto e foi para a TV Globo, no Rio de Janeiro. Walter Clark, recém contratado, gostou de Regis. O chamou para dirigir a primeira novela: “Eu compro essa mulher”, que logo atingiu 18 pontos no Ibope, coisa até então inusitada. Logo veio : “O sheik de Agadir”, outro grande sucesso. Ao lado de Regis estava Henrique Martins, seu amigo desde os tempos da Tupi. Vieram outros sucessos: “A Sombra de Rebeca”, “Cabana do Pai Thomás”, “Próxima Estação”, “O Bem Amado”, “Estúpido Cupido”, “Pecado Rasgado”, “Gigantes”, “Escaladas”, e outras. Régis subia, tanto quanto a Globo subia.

Havia se casado em São Paulo, com a atriz Suzana Vieira e tiveram o filho Rodrigo. Mas como ele havia sido contratado para o Rio, tendo ela ficado em S. Paulo, o casamento não deu certo e se desfez. Régis continuava na Globo. Até que, muitos anos mais tarde, se desentendeu e saiu. Foi quando teve a chance de lançar e dirigir novelas na R.T.P. em Portugal. Lá ficou dois anos, quando foi chamado por Adolfo Block e voltou. Foi para a TV Manchete dirigir “Tocaia Grande”. Foi aí que a vida de Régis Cardoso se complicou e ele saiu da televisão. Começou o grande recesso.

E ele resolveu começar a escrever o livro de sua vida. Nem ele sabia dessa sua vocação. Ele que era um autodidata, que como se dedicou desde menino ao rádio e à televisão, pouco pôde estudar, ter toda essa facilidade para escrever. O livro  chamou-se "No Princípio Era o Som", pela editora Madras.

Foi também presidente da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, entre 1982 e 1984.

Régis Cardoso faleceu em 03 de abril de 2005, aos 70 anos.