
RESUMO DO DEPOIMENTO DE PAULO GOULART, PARA O MUSEU VIRTUAL DA TELEVISÃO BRASILEIRA - EM 21/10/98
Paulo Goulart se chama realmente Paulo Afonso Miessa. O Goulart veio de um tio
que, ao entrar na vida artística o escolheu como sobrenome. Nasceu em Ribeirão
Preto, estado de São Paulo, em 9 de janeiro de 1933, na Fazenda Santa Tereza.
“Tocaram sinos, quando eu nasci”, diz Paulo, brincando. E Afonso e Elza Miessa
ganhavam a vida lidando com a terra. Mas Paulo sonhava mais.
Estudou Química Industrial, formou-se, mas só sonhava com rádio. Quando soube que ia haver um teste para locutor, fez e não passou. Fez outros testes, dessa vez para ator, e passou a ser rádioator. O diretor era Oduvaldo Viana, o “diretor durão”, que todos temiam, mas que Paulo enfrentou, com toda a tranqüilidade, pois ele era e sempre foi, um rapaz tranqüilo. Seu primeiro trabalho em televisão foi com Mazzaropi, no papel de “Boca Mole”, mas logo saiu da Rádio Tupi e TV Tupi, indo para a TV Paulista.
Foi ser o galã da novela “Helena”. E também começou a fazer teatro. Foi para o Teatro de Alumínio, sob a direção de Abelardo Figueiredo. Aí conheceu Nicette Bruno, com quem se casou em 1954, e tiveram 3 filhos: Bárbara, Beth e Paulinho, todos artistas. Paulo Goulart fez uma carreira rápida. Parecia que tudo estava sempre preparado para ele. Foi para o Rio de Janeiro e fez TV Continental, TV Tupi e TV Rio. Passou por todas elas e por muitos teatros.
Foi quando resolveu ir com Nicette, que esperava seu terceiro filho, à Curitiba, a chamado de seu pai, que estava lá numa boa posição em um banco. Paulo e Nicette foram empresários, mas atores também, pois nunca conseguiram deixar a arte. Fizeram o desejo do pai, que se preocupava por achar instável a profissão do casal, mas foram logo chamados para participações, aulas e cursos. E aquilo só durou dois anos.
Voltaram para São Paulo e para o Rio e, em verdade, sempre trabalharam em uma cidade ou outra, e até hoje moram nas duas, têm residência nas duas. E Paulo Goulart conheceu então a TV Excelsior, onde trabalhou sob a direção de Walter Avancini. Foi essa uma época em que se aprofundou muito em televisão, e que o levou para a Globo, após a falência da Excelsior. E na Rede Globo sempre fez grande papéis. “Na verdade, às vezes eles eram pequenos, e eu achava um jeitinho de melhorá-los”. Paulo Goulart, aliás, sempre teve esse “jeitinho”.
Em teatro fez, entre outras coisas, a peça: “Lá”, que esteve em cartaz por quatro anos e meio. Na Globo fez: “Uma rosa com amor” , “O dono do mundo” , “Mulheres de areia” , “Plumas e paetês”, e tantos outros trabalhos. Fez alguns papéis femininos, como em “Orquestra de senhoritas” .E Paulo ri dizendo: “Um dia sou galã, no outro estou vestido de mulher, com trancinha e tudo” . Paulo e Nicete têm um casamento estável e longo, “feito de amor e respeito”, segundo ele. E são também sócios. Nicete, que foi dona do T.I.N.B. (Teatro Intimo Nicette Bruno) tem hoje sociedade com o marido e com os filhos. É o M.F. (Miessa e Filhos), que administra o Teatro Paiol, em São Paulo, e também têm o “Nicete Bruno Produções Artísticas”, que é a firma de produções.
Hoje, Paulo Goulart, que também faz cinema, como produtor e ator, é também escritor. Lançou “7 Vidas”, que é um livro de auto-ajuda, “Grandes pratos e pequenas histórias de amor” , que é um livro de culinária e “Vôo da Borboleta”. Alto, encorpado, Paulo Goulart tem sempre um jeito maroto e infantil de sorrir. É sorrindo que diz que “o importante para mim é ser útil, ao próximo, dentro do meu ofício”. E isso, sem dúvida, Paulo Goulart sempre conseguiu ser.
Desde 1997 está ininterruptamente na TV Globo, fazendo novelas e minisséries de sucesso, como por exemplo: "Zazá" (1997), "O Auto da Compadecida" (1999), "Aquarela do Brasil" (2000), "A Padroeira" (2001), "Esperança" (2002), "O Quinto dos Infernos" (2002), "Um Só Coração" (2004), "América" (2005), "Pé na Jaca" (2006), "Duas Caras" (2007), "Som e Fúria" (2009), "Escrito nas Estrelas" (2010) e "Morde e Assopra" (2011).
Em cinema, no ano de 2010, esteve em dois filmes de temática espírita, que foram grandes sucessos de bilheteria: "Chico Xavier - Filme" e "Nosso Lar".