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LUIZ GALLON

BIOGRAFIA DE LUIZ GALLON, EXTRAÍDA DO DEPOIMENTO DADO AO MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA, EM 25/11/98

Luiz Gallon se chama Luiz Gonzaga Nogueira Gallon. É um dos cinco filhos de Luiz e Minervina. Ela mineira, ele italiano, vindo de Veneza. Luiz era alfaiate, elegante, ela, uma moça pacata, que gostava, porém, de cantar e que cantava no coro da igreja. E foi na igreja que se conheceram e logo se casaram. Luiz Gallon, o caçula, nasceu em Ribeirão Preto, em 25 de novembro de 1928.

A família veio para S.Paulo, capital, em 1930. Segundo Gallon, moraram em várias casas e vários bairros. E Gallon, seguindo o irmão Renato, que estava trabalhando em uma emissora de rádio, gostava de ouvir rádio-teatro ao lado de sua mãe. Foi, porém, um dia visitar a Rádio Tupi; era jovenzinho e se enfurnou pelos corredores, salas e técnicas. Gostou. Começou a ir mais vezes. Estavam filmando “Quase no Céu”.

E ele fez de tudo, ajudou no que pôde. Foi até figurante no filme. Daí chegou o ano de 1950 e foi implantada a televisão. Gallon, sagitariano, sonhador, gastava demais, mesmo porque já estava contratado pelas Emissoras Associadas. E foi em comitiva, ao porto de Santos, buscar o material para a instalação da “novidade”. Ninguém sabia o que era, mas todos queriam participar, jovens que eram. Gallon esteve em todos os grandes e pequenos episódios para a implantação da televisão. “Uma aventura, que era sempre um sobressalto” , diz Gallon. Foi contra-regra, decorador, programador de filmes, e chegou a diretor adjunto, ligado a Cassiano Gabus Mendes, o diretor artístico. Foi diretor de TV de muitos Grandes Teatros.

Na época eles eram mais importantes que as novelas. E assim o jovem Gallon foi se aprimorando. Fez muita amizade com todos os “papas” da época: Walter Forster, Walter George Durst, Geraldo Vietri, Jota Silvestre. Estes eram diretores de programas como o “TV de Vanguarda”, e o “TV de Comédia”. E Gallon era o Diretor de TV, aquele que fazia a seleção das imagens, ficava na técnica e comandava os câmeras e todo o espetáculo. Dedicou-se inteiramente ao que fazia. E tanto os colegas, como principalmente a crítica, reconheceram seu trabalho. Ele recebeu inúmeros troféus, entre eles, citemos 7 Roquete Pinto. Este era um prêmio instituído pela TV Record, aos melhores profissionais do ano.

Luiz Gallon era consecutivamente considerado o melhor diretor. Tanto que recebeu o 7o Roquete Pinto, que foi o “Roquete Pinto de Ouro”, depois do que ficou “hor’s concour”. Ganhou ainda o prêmio “Governador do Estado”, sempre na mesma categoria. Este prêmio vinha acompanhado de um cheque do Banco do Estado de São Paulo. Também ganhou o prêmio “Helena Silveira”, dado pelo Grupo Folhas. “Melhores da Semana”, Gallon ganhou por 17 vezes. E mais o “Trofeu Imprensa”, por várias vezes. Esses troféus e galardões o deixaram muito feliz, mas o que gostava muito era de suas viagens pelo Brasil. De suas caçadas. Nunca se interessou por conhecer Europa, países estrangeiros. Mas por várias vezes foi, ao lado de seu amigo Orlando Vilas Boas, até o Xingu, conhecer indio bravo, navegar em rios nunca antes navegados. Passou também a dirigir atores, a dar a eles “aquele toque” necessário, para o bom resultado da peça. Luiz Gallon trabalhou também na TV Cultura, quando a TV Tupi de São Paulo teve seu transmissor lacrado, em junho de 1981. Trabalhou ainda em várias Agências de Propaganda, como redator, criador de comerciais, diretor. Fez trabalhos “free-lancer”, e, em verdade, jamais se afastou inteiramente da televisão.

Foi um dos vice-presidentes da APPITE - Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, primeiro nome da Pró-TV. Irriquieto, Luiz Gallon casou-se por quatro vezes, mas nas últimas décadas devida, esteve casado com a advogada trabalhista Maria Claudia de Carvalho Gallon. Eles tem filhos e netos, de seu casamento com Patricia Mayo, atriz.  Inconformado, ele se definia como um “romântico”. Desejoso sempre de romper, modificar. Esse foi Luiz Gallon que pode ser definido como Homem-Televisão, pois ninguém mais do que ele a personificava.

Luiz Gallon faleceu em 26 de setembro de 2002.