
BIOGRAFIA DE LISA NEGRI, EXTRAÍDA DE SEU DEPOIMENTO DADO AO MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA, EM 01/06/1999
O nome de Lisa Negri é Elisa Biondi. Descendente de italianos por parte de pai e de mãe, nasceu na capital paulista a 11 de julho de 1941, no bairro da Moóca, reduto dos italianos.
Era feliz, até que o pai veio a falecer e a mãe, com três filhas, teve que colocá-las num colégio interno. Lisa estava com seis anos e sofreu muito. Ali ficou por quase cinco anos. Só voltava para casa em dezembro e morria de saudade. Acabou por adoecer. E então voltou de vez. Chorava tanto que recebeu o apelido de "mingau".
Continuou os estudos e foi ficando uma mocinha muito bonita. Foi assim que um dia chamou a atenção de um costureiro, na Fenit, por seu porte já então alto e esguio. Começou a desfilar e chegou a trabalhar para Denner, o principal estilista da época. Foi ainda, através da moda, que chegou à televisão, pois ali sempre aconteciam desfiles, nos programas femininos. Foi quando Cassiano Gabus Mendes, o diretor, a viu e a chamou. "Você quer ser atriz? ", "Não sei como se faz, mas quero".
Lisa era uma garota decidida. Aprendeu com a infância difícil, que não podia perder oportunidades. E tinha jeito. Logo estrelou novelas, como: "O segredo de Laura", escrita por Vida Alves, e outras. Quem gostou muito e a aproveitou bastante foi o diretor de novelas e teatros Geraldo Vietri. Ele era o responsável pelo "TV de Comédia", uma peça inteira, quinzenal, sempre levado pelo lado do humor. Lisa participou de muitos. O tempo foi passando e Lisa trabalhando. Fez dezoito novelas, sempre em papéis de relevo. Fotografava bem e era muito responsável. Mas, de repente, irrequieta que era, resolveu ir para a Itália. Queria se aprimorar. Fazer cursos. Assistiu palestras e orientações do grande mestre e ator italiano Vitório Gasmann.
Quando voltou para o Brasil, a Tupi não estava muito bem e Lisa foi para o Rio de Janeiro procurar trabalho na TV Globo. Foi difícil. Naquele mercado não era conhecida, mas Fabio Sabag lhe deu uma chance. Fez um papel em "Shazan e Xerife". E ali ficou por alguns anos, até que resolveu excursionar com teatro por todo o Brasil. Junto com o ator Casarré montou a peça: "Marido, Matriz e Filial". Nisso ficou quase uns cinco anos. Acabou por ser empresária de teatro. Fase difícil, mas apaixonante, segundo ela.
Partiu também para o teatro infantil. Estava casada com Paulo de Oliveira e com ele dividia as glórias e os sacrifícios. Era a empresária e a atriz. Teve tempo ainda de participar de seis filmes, alguns de muito nome, como "Noite vazia" de Walter Cury. Vieram, porém, os planos econômicos brasileiros, a Companhia Teatral Lisa Negri, não ia bem, e a moça ainda irrequieta, foi para os Estados Unidos.
Ali viveu por oito anos. Casou-se com um americano, conseguiu o Green Card. Até que bateu a saudade da mãe e das irmãs, divorciou-se, e voltou para o Brasil. Aí o meio artístico lhe pareceu fechado. À espera de oportunidades, e ainda bem bonita, Lisa Negri agora pouco faz. A família, muito unida, a apóia em tudo. E como sempre fez o que quis, sente-se feliz e até certo ponto "iluminada", pois além da arte de representar, que é sua paixão, adora viajar, conhecer gente, culturas diferentes, pessoas diferentes, o que fez bastante. Lisa Negri é uma mulher aberta à vida, e a vida, certamente está aberta à ela, que é sensível, e ainda muito bonita.