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LIMA DUARTE

BIOGRAFIA DE LIMA DUARTE PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Nossa Senhora da Purificação do Desemboque e do Sagrado Sacramento. Essa cidade de nome estranho e comprido, que fica no Triângulo Mineiro, viu nascer Lima Duarte, que como a cidade, também tem um nome diferente: Ariclenes Venâncio Martins. Era o dia 29 de março de 1930.

Descendente de dona de escravos e bugres, ajudava seu pai a cuidar da pequena invernada onde moravam, juntamente com a mãe e mais dois irmãos. O pai se chamava  Antônio Martins e a mãe, América Martins Sua mãe trabalhava em circo. Fazia circo-teatro, pois muitos circos montavam pecinhas, após a parte de malabarismos. 

Ali começou a paixão de Lima Duarte  pela arte. Seu primeiro papel, no circo, foi numa peça chamada "A Ladra", onde sua mãe fazia o papel-título e ele, o filho. Mas ele sonhava mais e aos  15, para 16 anos,  veio para São Paulo,capital, num caminhão de manga. De carona.Começou, como é  lógico, a trabalhar no Mercado Central da Cidade. Até que Madame Paulette, dona da casa onde morou durante 3 anos, levou-o à Rádio Tupi para um teste. Ele ficou muito feliz. Mas pelo seu modo caipira de falar, foi reprovado. Ganhou até um apelido:" voz de sovaco". 

Mas gostaram dele e ele ficou na casa trabalhando como operador de som. Depois como sonoplasta. E aí se transformou em tão bom sonoplasta, que ganhou todos os prêmios da época. Um dia, Oduvaldo Viana, que era diretor artístico da Rádio Difusora, o convidou para uma "fala" em uma radionovela. Deu certo. Foi então que mudou seu nome para Lima Duarte e teve início sua carreira 

Em rádio fez muitas novelas e foi ganhando treino. Passar para a televisão foi pura conseqüência.  Ele estava lá quando a TV Tupi de São Paulo, a pioneira, foi inaugurada. E na Tupi permaneceu durante 27 anos. Menino simpático e amigável, fez bastante amizade com os intelectuais da casa, entre eles Cassiano Gabus Mendes, Dionísio Azevedo, Walter George Durst.

E eles imaginaram  fazer o "TV de Vanguarda", que iria se constituir em uma peça inteira, de 3 atos, levada ao ar no domingo à noite, horário nobre. A primeira a ser montada  foi:  "O Julgamento de João Ninguém", direção e script de Dionísio Azevedo, tendo Lima Duarte no papel título. Foi a consagração de Lima. Daí para a frente , fez mais de 30 TVs de Vanguarda, entre 1952 e 1959, nos quais podemos destacar: "Hamlet", "Otelo", "Macbeth",  "O Homem que vendeu a Alma"; "O Inspetor Geral"; "De Ratos e de Homens"; "Massacre";  "Os Amantes de Verona";"O Chapeu de Três Bicos"; "O Lobo do Mar"; "O Grande Gabbo";  "Ralé"; e muitíssimos outros.

Lima Duarte sempre foi protagonista. Participou também de algumas novelas, entre as quais a primeira, que foi: "Sua Vida me Pertence", em 1951. Fez também "O Direito de Nascer" (1964), "A Gata" (1964), "Um Rosto Perdido" (1965), "Olhos Que Amei" (1965), "O Mestiço" (1965)"Calúnia" (1966) e "Paixão Proibida" (1967).

Em 1968  resolveu passar para a direção. Dirigiu a novela "Beto Rockfeller" junto de Walter Avancini, sucesso estrondoso de audiência. Esta foi a primeira trama a ter tomadas aéreas e a usar o merchandising em cena: era do medicamento "Engov", que o personagem principal interpretado por Luiz Gustavo tomava após exagerar nas doses de wisky.

Na sequência, se revezou entre atuar e dirigir as principais novelas da TV Tupi. Ainda em 1968, atuou em "O Décimo Mandamento" e dirigiu "O Rouxinol da Galiléia". Em 1970, dirigiu "Toninho on the Rocks" e atuou em "As Bruxas".  Entre 1971 e 1972, atou em "A Fábrica".

Foi então que, após quase três décadas na TV Tupi, transferiu-se para a TV Globo, ainda em 1972.  Estreiou dirigindo a novela "O Bofe", sua primeira e única experiência como diretor na emissora.

A partir de então, fez inúmeras novelas: "Os Ossos do Barão" (1973), "O Bem Amado" (1973), "O Rebu" (1974), "Pecado Capital" (1975), "Espelho Mágico" (1977), "Marrom Glacê" (1979), "Pai Herói" (1979), "O Bem Amado (seriado baseado na novela, exibido entre 1980 e 1984), "Paraíso" (1982), "Champagne" (1983), "Partido Alto" (1984), "Roque Santeiro" (1985),  "O Salvador da Pátria" (1989), "Meu Bem, Meu Mal" (1990), "Rainha da Sucata" (1990), "Pedra sobre Pedra" (1992), "Fera Ferida" (1993), "A Próxima Vítima" (1995), "O Fim do Mundo" (1996), "A Indomada" (1997), "Pecado Capital (1998, remake), "Corpo Dourado" (1998), "Uga Uga" (2000), "Porto dos Milagres" (2001), "Sabor da Paixão" (2002), "Senhora do Destino" (2004, participação especial), "Da Cor do Pecado" (2004), "Belíssima" (2005), "Desejo Proibido" (2007), "Caminho das Índias" (2009) e "Araguaia" (2010). 

Fez ainda:"O Tempo e o Vento" (1985, minissérie),  "Agosto" (1993, minissérie), diversos episódios do "Você Decide" (entre 1993 e 2000),  "Engraçadinha" (1995, minissérie), "O Auto da Compadecida" (1999,minissérie que também foi adaptada para o cinema),  "O Quinto dos Infernos" (2002,minissérie), "O Pequeno Alquimista" (2005,microssérie), "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes" (2007), além de diversas participações especiais em outras novelas, seriados e afins.

Mas Lima Duarte atuou também em teatro. Fez peças. como: "Eles Não Usam Black-Tie", "Testamento de Cangaceiro", "Tartufo", "Arena Conta Zumbi" e  várias outras. Representou em Paris e Moscou.

Também fez   com muita aceitação por parte do público, cinema. Entre os 30 filmes dos quais participou, salientam-se :"Quase no Céu" (1949), "O Sobrado" (1954), "O Grande Momento" (1957) "O Rei Pelé" (1963), "Guerra Conjugal" (1974), "O Crime do Zé Bigorna" (1977),  "Sargento Getúlio" (1983), "Lua Cheia" (1987), "Corpo em Delito" (1988), "Boleiros - Era uma vez o Futebol" (1997), "A Ostra e o Vento" (1998) e "O Rio de Ouro" (1998, filme português).

No ano de 2000, foi convidado para fazer o filme:"Palavra e Utopia", sobre o padre  Antônio Vieira, e o ator tinha suas falas em latim. Ele aceitou e  fez o papel à perfeição.  Lima Duarte era o escolhido para ler os discursos de  Assis Chateaunbriand, que era o "big boss", quando este sofreu um grande derrame e não falava mais. Apenas escrevia seus textos em uma máquina  especial. 

Ainda no cinema, esteve em "Eu Tu Eles" (2000), "O Preço da Paz" (2003), "2 Filhos de Francisco" (2005), "Depois Daquele Baile" (2005), "Espelho Mágico" (2005) e "Boleiros 2 - Vencedores e Vencidos" (2006).

Em 2004, recebeu um prêmio especial pelo conjunto da obra no cinema (Troféu Oscarito), no Festiva de Cinema de Gramado.

Lima Duarte também foi apresentador de programas. Encabeçou "Som Brasil" durante 4 anos. Dentre todos os autores,pois ele é um autodidata que lê muito, o seu preferido é Guimarães Rosa, ou "o velho mestre, meu Alcorão, meu livro de todos os dias", como ele mesmo diz. Homem de muitos amores, Lima Duarte foi casado com Marisa Sanchez, com quem teve duas filhas: Mônica e Débora. A filha Débora e a neta Paloma também trabalham em televisão. Mônica é advogada de sucesso.

Também já atuou como dublador, dando voz a famosos personagens de desenho, como por exemplo: "Manda Chuva", "Pepe Legal", "Wally Gator" e  "Tartaruga Touché".

Ganhou  inúmeros  prêmios, entre eles sete Roquette-Pinto (incluindo o Roquette de Ouro, considerado o maior prêmio de televisão). E também prêmios no exterior. Por tudo isso, e com muita justiça,  Lima Duarte é  tido como o maior ator brasileiro.

Lima Duarte  é autodidata, inteligente, sensível, charmoso, humano. Aquele que" transa o delírio e é pura paixão," segundo suas próprias palavras. É assim que ele  define sua verdade de sua vida.  Lima Duarte hoje mora em Indaiatuba, interior de São Paulo, e de lá saí para o trabalho, e para receber as homenagens e os prêmios, que incessantemente lhe são outorgados. No mais, fica feliz, em meio aos livros, e à família.