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JOÃO LÔREDO

BIOGRAFIA DE JOÃO LÔREDO PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA

João Luiz Rodrigues Maia de Alvarenga Lôredo é João Lôredo. É filho de Etelvino Lôredo, que foi menino pobre, mas conseguiu vencer como comerciante. Mulato, bonito, casou-se com Luiza, que é branca. A mãe de João Lôredo viveu até 2006, quando estava com 101 anos.

João Lôredo nasceu em 04 de julho de 1930. Família de seis irmãos, que sempre foram incentivados a estudar. Todos se formaram. João fez Psicologia e também é professor de Português, Geografia, Matemática e História. Com boa base, pois foi interno do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu. João Lôredo foi sempre um garoto inteligente, mas gostava era de cantar e foi assim que iniciou sua carreira artística.

Fez parte do Coro dos Apiacás, de Madame Lucila Villa-Lobos, que foi a primeira esposa do maestro Villa-Lobos. Já ganhava um pequeno cachê mensal e o pai, sempre ordeiro, fez com que João abrisse uma caderneta na Caixa Econômica Federal, espécie de poupança da época. Já um pouco maior, dirigiu-se à Rádio Mayrink Veiga, e se empregou como radioator. Era o ano de 1945, quando ele então foi para a Rádio Nacional. Depois foi para a Rádio Tupi. Ao mesmo tempo era professor e, embora garoto, dirigia atores, num teatro amador. Começou também a escrever e com 20 anos, com a ajuda da mãe que o financiou, publicou um livro de poemas: "Tempestade", prefaciado por Ziraldo, que ainda não era famoso à época.

Logo João Lôredo passou para a Televisão Tupi, levando para ela o grupo de teatro amador e dirigindo-o ele próprio. Era um garoto prodígio. Passou a tomar parte do departamento que preparava as moças para fazerem comerciais ao vivo. Fundou esse departamento, que no Rio não existia. Era o homem dos "sete instrumentos", pois havia escrito um livro de poemas, começou a escrever para rádio e televisão, era ator e diretor. Estava em todas. Em 1954, ganhou da Revista do Rádio, medalha de melhor ator. Escreveu com sucesso o programa "Variety".

Depois foi para a TV Continental, onde ficou 10 ou 12 anos, ao lado do diretor Costa Lima. Depois voltou para a TV Tupi, tendo passado logo para diretor artístico e de produção. Foi também para a TV Cultura de São Paulo. Fazia viagens semanais São Paulo - Rio de Janeiro. Esteve ainda na TV Paulista de S.Paulo. Dirigia também peças de teatro, entre as quais: "A Feia", com Miriam Pires, que foi um enorme sucesso. Em São Paulo, ao lado de amigos como Walter Ribeiro dos Santos, Tácito Monteiro, fundou a "Videum", primeira produtora independente de televisão.

E este mesmo grupo assumiu a direção da Rádio Piratininga, que era uma das últimas em audiência, colocando-a logo  em  um dos primeiros lugares. Passou também  a ser diretor de teatro da Rede Tupi de Televisão. Foi aí que o já famoso Boni, da TV Globo, o chamou. Lôredo aceitou. Estavam querendo lançar o "Fantástico, o Show da Vida". E o rapaz, irrequieto, participou das reuniões iniciais e foi o primeiro a dirigir o programa, no ar até os dias de hoje. Na Globo ficou por 10 anos e ali dirigiu as figuras mais importantes e "difíceis" da televisão brasileira, como: Costinha, Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Chico Anysio. E sempre se deu bem com eles. Segundo Boni: "Lôredo dirige com um chicote numa mão e uma rosa na outra". Esteve também na TV Record, na TV Bandeirantes e outra vez na Record, onde dirigiu a primeira fase do "Programa do Ratinho".

Fez amigos, muitos dos quais conservou pela vida toda. "Não preciso ensinar nada a eles, só orientá-los", dizia . João Lôredo publicou na Revista Amiga, em capítulos, o primeiro volume do livro a que deu o nome de: "Verdadeira História da Televisão Brasileira". Mas, com a morte de Adolpho Bloch, dono da Rede Manchete e da referida revista, os demais volumes da história, não foram publicados.

Foi também consultor da TV Bandeirantes e vivia na cidade de Juiz de Fora, interior de Minas Gerais. Em 2000, escreve o livro "Era uma Vez...A Televisão".

Faleceu em 25 de janeiro de 2012, aos 81 anos de idade.