< BIOGRAFIAS | VOLTAR
INEZITA BARROSO

RESUMO DO DEPOIMENTO DE INEZITA BARROSO, PARA O MUSEU VIRTUAL DA TELEVISÃO BRASILEIRA - EM 04/09/98

Inezita Barroso, a criadora de "Lampião de Gás", chama-se Inês Madalena Aranha de Lima. A família do pai sempre foi muito musical. Ninguém era profissional, mas todos tinham paixão pela música e tocavam instrumentos musicais. Havia uma avó que cantava e Inezita acha que herdou seu dom dela. O avô era professor de Grego e Latim. Inezita nasceu no bairro da Barra Funda, em 04 de março de 1925,  um domingo de carnaval. Inezita era moleca, gostava de brincar com os meninos.

Estudou sempre no Colégio Caetano de Campos, no centro da capital paulista. Desde cedo gostava de declamar, de cantar e de tocar violão, mas apaixonou-se por viola. Cantava em quermesses, igrejas, festas de aniversário, sem nunca pensar que viria a ser uma profissional. Mas aí se casou com um cearense, Adolfo Cabral Barroso e começou a viajar por todo o nordeste brasileiro. Começou a cantar em rádio. Chegando a São Paulo, foi cantar na Rádio Nacional. Em 1954 foi para a TV Record, que estava sendo inaugurada. Sempre com programa próprio. Fez filmes na Vera Cruz.

Lançou o programa "Vamos falar de Brasil", e foi, aos poucos, tornando-se uma cantora essencialmente brasileira. Ganhou na sua vida artística todos os prêmios possíveis. Ganhou sete "Roquete Pinto", maior troféu da época. Ganhou o "Saci", do cinema. Ganhou o Prêmio Sharp, sempre como melhor cantora. Estudou folclore "in loco", indo por todo o interior brasileiro buscando as raízes, as danças, os sons, as músicas. Teve uma filha, e hoje tem três netas já grandes. Mas, na verdade, sempre foi solitária, pois seu grande prazer é viaja., cantar e ensinar folclore. Inezita gravou 78 discos, entre 78 Rotações, LPs e CDs. Uma música sua de grande sucesso foi "Marvada Pinga", conhecida até hoje pelas novas gerações.

 Inezita começou na TV Cultura um horário seu, sempre divulgando violeiros, cantores, sertanejos, que está no ar  desde 1968. Participou desse programa, que se chama: "Viola, minha viola",  Moraes Sarmento , que no começo a ajudava a apresentá-lo. Depois Inezita ficou sozinha no programa, mas não o deixou cair. Por seu programa já passaram todos os cantores "caipiras", palavra que ela ama e enaltece. Para ela, que em verdade nasceu na capital paulistana, São Paulo é pouco ligado às suas raízes. Nisso difere de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do nordeste brasileiro, mais ciosos de suas raízes.

Inezita Barroso tornou-se então um baluarte, nessa luta contínua. Hoje é professora de Folclore em várias faculdades, mas canta sempre, pois sua voz e sua musicalidade são inconfundíveis e eternas. A cantora recebeu o título de "Cidadã Paulista", na Camâra de Vereadores de São Paulo  e inúmeros  outros galardões. Foi enredo de samba várias vezes. E tudo isso ela ama, embora seja uma mulher discreta e de vida  comedida. Só o que não gosta é da música sertaneja, que é cópia da música americana. Só não gosta do que não é autêntico. Batalhadora, guerreira, essa é Inezita Barroso, com sua voz sem  ímpar, nome maior, no cenário artístico nacional.