
BIOGRAFIA DE GUERRA-PEIXE PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA
César Guerra-Peixe nasceu em Petrópolis, cidade das serras do Rio de Janeiro, em 18 de março de 1914. Apaixonado por música, Guerra Peixe era filho de imigrantes portugueses de origem cigana. Aos 9 anos já sabia tocar: violão, bandolim, violino, piano. Sua família também gostava de música e ele sempre viajava com os pais pelo interior do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, assistindo grupos folclóricos. Isso marcou muito sua infância. Estudou violino com o professor Gao Omacht, na Escola de Música Santa Cecília. Teve também aulas de piano com a professora Paulina d 'Ambrósio. Após cinco anos de estudo, recebeu medalha de ouro da Associação Petropolitana de Letras. Ingressou depois na Escola Nacional de Música, onde obteve o primeiro lugar. Mudou-se então para a cidade do Rio de Janeiro e começou a tocar na noite, para sobreviver. Tocava em orquestras de salão, e também em bares e confeitarias. Entrou na Escola de Música, para estudar:harmonia elementar, e conjunto de câmera. Começou a trabalhar como arranjador. Foi quando leu o livro"Ensaio Sobre a Música Brasileira", de Mário de Andrade e essa leitura influenciou muito Guerra- Peixe. Ingressou no Conservatório do Rio de Janeiro, para se aperfeiçoar em contraponto, fuga e composição. Foi ele o primeiro aluno a terminar o curso de composição do Conservatório.
Em 1944, Guerra-Peixe entrou em contato com o Dodecafonismo, novidade no campo da música, que foi trazido ao Brasil pelo professor Koellreuter, e que era a técnica de 12 sons , criada por Schoenberg. Até então Guerra-Peixe fazia já composições importantes, mas dentro do modelo clássico, sendo a "Suite Infantil nº 1 para Piano", a sua principal música dessa fase. Mas aí fez, na fase dodecafônica:"Sonatina para Flauta e Clarinete- Antinacionalista". Depois fez: "Noneto";"Música nº 1 Para Piano e Solo";"Sinfonia nº 1 para Pequena Orquestra";'O 1º Quarteto de Cordas ";"Miniaturas para Piano";"Trio de Cordas";"Suite Para Flauta e Clarinete"; que foi a peça que encerrou a fase de música dodecafônica de Guerra- Peixe.
Em 1941, ainda na fase dodecafônica, Guerra-Peixe resolveu ir para o nordeste brasileiro. Queria estudar o folclore nordestino. Firmou um contrato com uma emissora de Recife e estudou tanto , que se tornou um "sulista nordestinizado", como passou a ser chamado. Passou a conhecer o folclore como poucos. Sua música ganhou o marcatu, o coco, o xangô, o frevo. Foi ele que descobriu, por exemplo, que os passos do frevo foram trazidos pelos ciganos de origem eslava e espanhola e não pelos negros africanos. Em 1955, como resultado de seus estudos, compôs:"Maracatus do Recife", em 1955. E em 1960 compôs"Brasília", a mais importante obra de sua fase nacionalista.
Guerra-Peixe não foi só um grande músico, mas um arranjador, um professor e foi homem de televisão. Quando, em 1955, Victor Costa, empresário da área da comunicação adquiriu a TV Paulista, convidou o maestro para integrar o elenco da OVC, no cargo de diretor musical. E assim Guerra-Peixe ficou sendo o principal maestro das rádios Excelsior, Nacional e da TV Paulista, todas da mesma organização. E ele participava de vários programas, sendo o mais importante deles:"Quando os Maestros se encontram".
A discografia do maestro também é grande. Ele gravou:"Jornada da Lapinha"; "Chora na Rampa"; "Cidade Maravilhosa"; "As Vassourinhas"; "Escuta, Levino/ Quarta Feira de Cinzas"; "Sambas Clássicos"; "Sedução do Norte"; "A Retirada da Laguna".
O grande maestro Guerra-Peixe, músico, arranjador, compositor, faleceu no Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1993. O Brasil perdeu um dos seus maiores maestros de todos os tempos.