< BIOGRAFIAS | VOLTAR
GRANDE OTELO

BIOGRAFIA DE GRANDE OTELO, PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Grande Otelo se chamava Sebastião Bernardes de Souza Prata. Ele nasceu na cidade de Uberaba, Minas Gerais, em 26 de dezembro de 1915. Dizia ele:"Todo ator é um sentimental. Do contrário não seria ator. A gente tem de ser um doido, um sentimental, um idealista. Se não for assim, não poderá ser um bom ator".

Com apenas 1,50 m de altura, olhos esbugalhados e lábios espichados,cara de bebê chorão, o comediante Grande Otelo conquistou o Brasil. Seus personagens marcantes foram vividos em palcos de cassinos, casas noturnas, teatros, cinema e televisão.O menino começou sua carreira artística no circo. Foi em Uberlândia. E seu relato é a melhor descrição para sua estréia no picadeiro: "Eu me apresentei fantasiado de mulher grávida, com um travesseiro na frente e outro atrás, por baixo das roupas. Só esqueceram de me avisar que havia tiros na cena. Quando ouvi os estampidos, fugi apavorado. A platéia caiu na gargalhada e o pessoal do circo me chamou para repetir no dia seguinte".Sebastião percorreu São Paulo e Rio de Janeiro em busca de exercer seu talento artístico. Nos anos 20, integrou a Companhia Negra de Revistas, cujo maestro era Pixinguinha.

Em 1932, entrou para a Companhia Jardel Jércolis. Foi lá que ganhou o apelido que o consagrou. Os amigos o chamavam Pequeno Otelo, mas ele preferiu o pseudônimo The Great Othelo. O inglês era moda na época, mas depois a alcunha foi traduzida para o português.Em 1942, participou de" It's all true", filme realizado por Orson Welles no Brasil. No ano seguinte, integrou o elenco do primeiro filme da Atlântida:" Moleque Tião". Fez dupla com Oscarito, outro grande ator do cinema nacional, em dezenas de filmes de chanchadas, como" Carnaval no Fogo," "Aviso aos Navegantes" e" Matar ou Correr".Nos anos 60 entrou para o movimento do cinema novo e encarnou: " Macunaíma", em 1969,  filme  de Joaquim Pedro de Andrade Foi uma interpretação  que marcou época.

E ele jurava que tinha ajudado o  autor Mario de Andrade a construí-la,pois dizia que tinha visto Mário na platéia e que ele tinha posto forte reparo nele, donde construiu o personagem do "herói sem caráter". Grande Otelo também fez bastante televisão. Esteve na Rede Globo de Televisão, de 1971 a 1991. Participou de:"Bandeira 2"; "Meus Filhos"; "Uma Rosa Com Amor"; "Bravo";"Espelho Mágico"; "Maria, Maria"; "Feijão Maravilha"; "Chico Anysio Show"; " Sinhá Moça";"Mandala"; "República"; "Escolinha do Professor Raimundo"; "Estados Unidos de Chico City". Fez na TV Tupi: "Gabriela, Cravo e Canela".  Em1982, participou de" Fitzcarraldo"  em 1982, filme do alemão Werner Herzog .

Grande Otelo, que se consagrou pela comédia, viveu várias tragédias na vida real. Seu pai morreu esfaqueado e sua mãe era uma cozinheira, que trabalhava com um copo de cachaça ao lado do fogão. Mais tarde, sua mulher, Lúcia Maria, matou o filho do casal de seis anos .Otelo estava filmando "Romeu e Julieta", sem saber de nada. Quando soube, se afastou da filmagem e só assistiu à cena 30 anos depois.

Quando o pai morreu esfaqueado e a mãe - cozinheira, que  era alcoólatra voltou a se casar, ele aproveitou a visita de uma companhia de teatro mambembe a Uberlândia para escapulir. A diretora do grupo, Abigail Parecis, o adotou "de papel passado" e o levou para São Paulo. Em seu novo lar, tinha a tarefa de levar a filha de dona Abigail às aulas de piano. Mas Otelo fugiu de novo e, após várias entradas e saídas no Juizado de Menores, foi adotado, mais uma vez, pela família de Antônio de Queiroz, político influente da época. Dona Eugênia, mulher de Queiroz, tinha ido ao Juizado atrás de uma garota que a ajudasse na cozinha. O administrador do albergue sugeriu que levasse o negrinho fujão que sabia declamar, dançar e fazer graça.Os Queiroz o colocaram no Colégio Sagrado Coração de Jesus de padres salesianos, onde estudou até a terceira série ginasial. "Tive com eles do bom e do melhor. Mas, para comprar vinho e pastel de ambulantes, passei a vender os volumes da vastíssima biblioteca do meu padrinho. Também comprava ioiô, que era moda na época".

Em 1993, Grande Otelo recebeu uma homenagem no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na semana seguinte, o ator estava em Paris, para receber outra homenagem, desta vez do Festival de Nantes, quando morreu vítima de um ataque cardíaco, aos 78 anos de idade. Era o dia 26 de novembro de 1993.

Grande Otelo recebeu todos os prêmios possíveis. Orson Welles o considerava como o melhor ator brasileiro.