
BIOGRAFIA DE GERALDO VIETRI PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA
Geraldo Vietri era um tipo diferente.
Magro, bem magro, era destituído de qualquer vaidade exterior. Sua vaidade
estava dentro, no interior, na alma. Amava o que fazia de todo coração, e por
isso era um líder paternalista. Seus principais atores eram seus pupilos e seus
pupilos eram seus principais atores. Fazia questão de se entrosar com todos os
atores, fossem eles grandes ou pequenos. Trocava com eles experiências, vida.
Quando “bolava” um texto, fazia-o com fé, com ardor. Gastava todo seu dinheiro
na sua produção.
Nascido em São Paulo, capital, no bairro da Mooca, em 1930, era filho de
italianos, muito amoroso e ligado à família. Pelo seu temperamento e jeito de
dirigir, pelo tom de comédia, pelo elenco que reunia, o “TV de Comédia” passou a
apresentar um clima diferente. Não que não se levasse à sério o trabalho, até
pelo contrário, visto que Vietri era um perfeccionista, mas seu gênio explosivo
o fazia gritar várias vezes e até xingar os atores. Estar no “TV de Comédia” era
estar numa verdadeira casa italiana. Muita extroversão, muita emoção, muito
palavrão, muito amor, muita compreensão.
Vietri presenteava, Vietri castigava, Vietri fazia com suas mãos, enfeites para
o cenário e adereços para os atores. Ele fazia de tudo e todos o ajudavam.
E a “família italiana”, digamos assim, foi ganhando corpo e personalidade. Era
una, era coesa, era profundamente amorosa. No início eram adaptações. Exemplo:
“Chica Boa”. Este foi um “TV de Comédia”, em que estavam Vida Alves, Cazarré,
Amândio Silva Filho e Eduardo Abas. Era uma adaptação feita por Geraldo Vietri
da peça de Paulo Magalhães.
Depois Vietri começou a escrever originais, e aí se encontrou. Sua criatividade
e sua emoção não tinham fim. Uma vez disse à Vida Alves: “Gosto de escrever
originais, porque é fácil demais. Sento na máquina, penso um minuto, bato a
primeira palavra e depois não paro mais. Começou, vai até o fim. É só abrir a
torneira e pronto. Parece que as histórias já estavam todas ali, guardadas
dentro de mim”.
Geraldo Vietri começou a mostrar inquietação quanto ao gênero telenovela. Queria
reformular a telenovela, ainda na TV Tupi. E surgiu seu trabalho mais profícuo.
Vietri passou a retratar o que conhecia, o que vivia, o que vivenciava. Era o
cronista de sua época e de seu povo.
Essa renovação aconteceu com as novelas: “Os Rebeldes” (1967-68); “Antonio
Maria” (1968-69) “Nino, o Italianinho” (1969-70); “A Selvagem” (1971); “A
Fábrica” (1971-72); “Vitória Bonelli (1972-73); “Meu Rico Português” (1975; “Os
Apóstolos de Judas” (1976); “João Brasileiro, o Bom Baiano” (1978). Todas eram
ambientadas em São Paulo.
Quando a TV Tupi fechou, em 1980, Vietri passou a escrever para a TV Globo, TV Cultura, TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT e, por fim, ASJ (Associação Senhor Jesus), onde em parceria com a Igreja Católica, fez várias novelas de cunho religioso. Essa associação funcionava em Valinhos, estado de São Paulo e possuia uma rede, encabeçada pela TV Século XXI. Certa ocasião, Geraldo Vietri quis diversificar suas atividades e abriu dois restaurantes: Fratelle e Sorella,sendo atores, que eram seus amigos, os seus sócios. Entre eles Fláminio Fávero, que depois continuou sozinho, à frente de um dos restaurantes. Geraldo Vietri também conseguiu exportar muitas novelas e textos seus, para toda a América Latina. Ele trabalhava demais, e era bastante magro, pois tinha úlcera de estômago. Com isso veio a falecer, quando ainda tinha muito trabalho e muita oportunidade a sua espera. Ele marcou a televisão e mesmo o cinema, com seus textos originais, genuínos, bem paulistanos.
Geraldo Vietri faleceu em 01 de agosto de 1996