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EDMUNDO MONTEIRO

BIOGRAFIA DE EDMUNDO MONTEIRO PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Edmundo Monteiro ingressou no grupo " Associados" muito jovem, como office-boy. Era de estatura baixa, moreno e tinha bigodes.  Sua característica de trabalhador incansável , o fez galgar logo postos muito altos na empresa. Ela pertencia à Assis Chateaubriand, um nordestino que começara já no nordeste  a criar jornais, emissoras de rádio em todos os estados brasileiros e por fim, criou também as emissoras de televisão. Edmundo viu nesse grande empreendimento, possibilidade inúmeras de vencer. E assim o fez. Chegou a ser diretor geral  das Emissoras Associadas de São Paulo, bem como dos jornais paulistas " Diário da Noite e " Diário de São Paulo". Era , portanto, o big-boss em São Paulo. Edmundo Monteiro era jornalista. Ele foi casado com Olga Monteiro e eles tiveram três filhas: Márcia, Maria Isabel  e Ana Cristina. Na década de 60, Edmundo Monteiro foi deputado federal. 

 Devemos lembrar que Assis Chateaubriand era, à época, o maior empresário de comunicação do Brasil, com inúmeras emissoras de rádio, jornais em todos os estados e posteriormente, emissoras de televisão, do nordeste, centro oeste, sudeste e sul do país. Assis Chateaubriand, o  Chatô, como era chamado, era o  maior nome brasileiro e conhecido também no exterior.  

  Além dessas emissoras e desses jornais, Assis Chateaubriand  também queria deixar várias outras  coisas ao Brasil, o que realmente fez. Mas para ele o principal  era a arte e então desejava deixar museus. Em 2 de outubro de 1947 foi inaugurado por ele o MASP,  Museu de Arte Assis Chateaubriand. Ao lado de Chateaubriand, o empreendimento contou com o trabalho do casal Lina e  Bardi, artistas recém chegados ao Brasil, vindos da Itália,  e que se dedicavam   à seleção das obras. A parte administrativa ficou com Edmundo Monteiro, que cada vez mais foi se tornando braço direito de Chateaubriand em São Paulo. A Edmundo também competia conseguir os meios financeiros, para adquirir a obras, negociar com os  anunciantes. Claro que tudo era supervisionado e impulsionado bem de perto por Chateaubriand. E esse trabalho aconteceu em pouco espaço de tempo, ou seja, de 1946 a 1957, quando a coleção tomou a forma atual. De maneira discreta, Edmundo foi conquistando doadores. Assim, foi por seu intermédio, que foi negociada a construção do prédio onde o MASP está até hoje ( 2008), à avenida Paulista, num prédio moderno, que tem o maior vão livre do país. Edmundo Monteiro então ficou presidente do MASP.

Em 1950, quando da inauguração da TV Tupi-Difusora de São Paulo, no dia 18 de setembro, lá estava Edmundo Monteiro ao lado de Assis Chateaubriand, para a cerimônia inaugural.

Edmundo Monteiro foi também presidente da AESP- Associação das Emissoras de São Paulo, de 1948 a 1983.

Em 2 de setembro de 1960, sob determinação e organização de Edmundo Monteiro, foi inaugurada a TV Cultura de São Paulo, que passou a funcionar no próprio prédio dos Diários Associados, à rua Sete de Abril , centro de São Paulo.

Em 1967,  as Emissoras Associadas lançaram  a campanha: "Ouro Para o Bem Do Brasil", quando 400 quilos de ouro e meio milhão de cruzeiros foram doados pelo povo brasileiro, ao governo do país. A campanha foi promovida pelos Diários Associados, e o resultado da arrecadação, foi entregue ao então presidente da república Humberto de Alencar Castello Branco. Foram 15 dias de vigília cívica,  que funcionava de dia e de noite e à qual compareceram todos os paulistanos e todos os artistas associados, dando seu trabalho voluntário.  A campanha fez tanto sucesso, mas suscitou muitos comentários maldosos, sobre o encaminhamento real da quantia arrecadada.

Edmundo Monteiro era o presidente  dos Diários Associados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

 Quando, porém, Assis Charteaubriand faleceu, foi criado pelo professor e jurista Vicente Rao, o "Condomínio Acionário" dos Diários Associados, que era constituído de 23 condôminos, que deveriam gerir a grande empresa. Esses condôminos foram escolhidos entre diretores e presidentes setoriais e não entre os familiares. A figura jurídica, aparentemente perfeita, culminou em muita briga e verdadeiros desfalques. Durou alguns anos, mas, quando foi em 1980, praticamente todo o império associado ruiu. Em São Paulo nada restou. Fecharam-se as emissoras de televisão, as  de rádio,  e os jornais associados.

Edmundo Monteiro havia  se afastado do Condomínio Acionário e dos Associados, em julho de 1977.

Ele veio a falecer no início da década de 90.