
BIOGRAFIA DE CARLOS QUEIROZ TELLES PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA
Carlos Queiroz Telles nasceu na capital paulista, em 9 de março de 1936. Faleceu em 7 de fevereiro de 1993, também em São Paulo. Ele foi um escritor, poeta e dramaturgo.
Muito vivo e estudioso, Queiroz Telles, como era conhecido, formou-se em Direito, na USP-Universidade de São Paulo, em 1959. Mas tinha ligação forte com arte, com teatro. E mesmo formado em Direito, logo se uniu à turma de teatro e fundaram o Teatro Oficina, com novidades, já nos anos 60. A primeira peça montada foi de sua autoria: " A Ponte", em 1958. Em 1972, ele adaptou para o teatro , o poema: " Os Lusíadas", de Luis de Camões. E a peça ganhou o nome: " A Viagem". Com essa peça, o autor ganhou o prêmio Molière , da Associação Paulista de Críticos de Arte, e ainda o prêmio : Independência, do Conselho Estadual de Cultura do Estado de São Paulo.
Depois , Queiroz Telles trabalhou como jornalista e como publicitário, até 1973. Foi ainda professor universitário . Em 1977, assumiu como diretor da TV Cultura, onde teve uma gestão bem criativa, o que era a sua marca.
Em 1972, ele recomeçou a escrever e lançou: " A Semana"; " Esses Intrépidos Rapazes" ; " A Maravilhosa Semana de Arte Moderna", para situar os acontecimentos do famoso movimento de renovação das artes de 1922; " Frei Caneca", a vida do padre revolucionário, que quis libertar Pernambuco do jugo português. Algumas peças de Queiroz Telles tiveram a direção de Fernando Peixoto e integraram o movimento de recuperação do Theatro São Pedro, promovido por Maurício e Beatriz Degall, na década de 70.
Escreveu ainda: " A Bolsinha Mágica de Marly Emboaba",história de uma prostituta e que foi montada em 1975. Depois escreveu: " Muro de Arrimo", monólogo sobre um operário de uma construção. O diretor foi Antônio Abujamra e Antônio Fagundes , o protagonista, com desempenho muito elogiado. Os textos do dramaturgo brasileiro foram então traduzidos para o francês e montados em Paris, em outros países da Europa e em alguns da América Latina. Em 1978, foi montada outra peça de Queiroz Telles: "Arte Final', que enfocava o mundo da publicidade, que ele conhecia bem, pois havia trabalhado ou como empregado ou como proprietário de agências de propaganda. O diretor dessa peça foi Cecil Thiré. Ainda escreveu: " A Heróica Pancada", sobre um grupo de alunos da Faculdade de Direito, que foi proibido pela censura política. Depois escreveu: " Um Trágico Acidente" e o infantil: " A Revolta dos Perus", em 1985.
Para a televisão, entre outros seriados, Carlos Queiroz Telles escreveu: " Carga Pesada" e " Malu Mulher".
Ele recebeu mais um prêmio Molière, em 1976. Publicou ainda muitos livros infantis.
Carlos Queiroz Telles foi casado com a também diretora da TV Cultura, Rita Okamura. Eles tiveram dois filhos:Thiago e Thaís.
Queiroz Telles teve problemas cardíacos e após fazer uma operação, para colocação de uma ponte de safena, veio a falecer, em 17 de fevereiro de 1993. Estava com apenas 57 anos de idade.
O professor Marco Antônio Guerra, em sua tese de doutorado, analisa o dramaturgo Carlos Queiroz Telles. E o descreve como absolutamente criativo, pois utilizava todos os recursos possíveis, como colagens, adaptações, documentos, depoimentos , apontando para uma nova forma de autor pós-64, como um criador que não trabalha de uma forma linear. Pelo contrário: é na relação profunda entre as estruturas existentes e sua produção dramatúrgica ,que reside sua importância, no quadro da cultura brasileira. E diz o professor: Queiroz Telles faz o teatro possível, aquele que ele próprio denomina: "Teatro da Eficiência."