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CARLOS LACERDA

BIOGRAFIA DE CARLOS LACERDA PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA

  O nome completo do jornalista e político Carlos Lacerda é Carlos Frederico Werneck de Lacerda. Ele nasceu na cidade de Vassouras, estado do Rio , em 30 de abril de 1914. E faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1977. ( Dizem que recebeu os prenomes de Carlos Frederico, em homenagem a dois grandes pensadores políticos: Karl Marx e Friedrich Engels).

Ele era filho do político e escritor Maurício de Lacerda e de dona Olga  Caminhoá Werneck, neto do ministro do Supremo Tribunal Federal Sebastião Lacerda. Pela família materna, era bisneto do botânico Joaquim Monteiro Caminhoá. Seus pais eram  primos, descendentes de Francisco Rodrigues Alves. O seu sobrenome Lacerda, porém, vem de um bisavô pobre, que era confeiteiro português e se casou com uma mulher ilustre de Vassouras. Consta até que Carlos Lacerda nasceu no Rio, mas foi registrado em Vassouras, onde a família tinha grande prestígio político.

Em 1929, Carlos Lacerda entrou para  o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, que depois passou a ser a Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ. Na faculdade , o rapaz destacou-se como orador, participou intensamente no Centro Acadêmico Candido de Oliveira, que era de esquerda, mas não terminou o curso, deixando-o em 1932. Tornou-se militante comunista, seguindo os passos do pai Maurício e de um tio Paulo, militantes do P.C.B.

 Carlos Lacerda foi um   duro inimigo político de Getúlio Vargas. E isso começou , quando  junto com outros comunistas, planejou em 1931, marchas de desempregados no Rio de Janeiro e em Santos, pois Getúlio havia subido ao governo em 1930.  Mas a conspiração comunista foi desbaratada pela polícia, chefiada por João Batista Luzardo. A notícia saiu até no famoso jornal americano " The New York Times".. Em 1934, Carlos Lacerda leu o manifesto oficial da Aliança Nacional Libertadora,  para milhares de pessoas. Quando ocorreu o fracasso da Intentona Comunista de Luiz Carlos Prestes, em 1935, Carlos Lacerda foi um dos perseguidos e procurou esconder-se em velha chácara da família em Vassouras. Mas, em 1939, ele rompeu com os comunistas, tornando-se um  combatente do comunismo,e mesmo um conservador e o porta-voz da direita, no Brasil. Era inimigo dos Trabalhistas e dos Comunistas.

Getúlio Vargas  voltou ao governo com mandato constitucional em 1950. E isso transtornou Carlos Lacerda. Este se transformou no principal líder de oposição  a Getúlio. Fundou então o jornal" Tribuna da Imprensa" e, através dele, fazia  artigos diários contra o Presidente. Uniu-se a militares golpistas e  a UDN, principal partido de oposição, num esforço conjunto para derrubar Getúlio. Suas aparições nas telas das televisões eram constantes e ele era realmente " assustadoramente perfeito". Um artista. Sabia usar a mídia. Fazia dar o tom certo, usar as palavras que convenciam  principalmente a classe média.

Aconteceu um fato político, que abalou as estruturas do país. Carlos Lacerda , voltava de uma palestra no Colégio São José, quando, na porta de sua casa, foi vítima de um atentado. Levou apenas um tiro no pé, mas o  major Rubens Vaz, que lhe fazia segurança, foi atingido e morto. Lacerda imediatamente culpou o  CATETE, palácio do governo, de ordenar o ataque.  O  palco ficou perfeito para  a cena. Lacerda acusou o guarda pessoal de Getúlio,  Gregório Fortunato e o irmão do presidente Benjamim Vargas. como os principais culpados. Foi instituída uma IPM, e o coronel João Adil de Oliveira, responsável pelo inquérito, informou ao presidente, que havia indícios da participação de elementos da Guarda no atentado. Os meios de comunicação só falavam disso. O agravamento da crise política, o ultimato das Forças Armadas pela renúncia do presidente, foram de repente, em 24 de agosto de 1954, eletrizados pela notícia mais inesperada por todos: O SUICÍDIO DE GETÚLIO VARGAS.

 Milhares de populares, getulistas quase todos, tomaram as ruas, empastelaram jornais, atacaram a oposição.    LACERDA ERA CHAMADO DE " GOLPISTA, DERRUBA PRESIDENTES.

Em 1955, Carlos Lacerda juntou-se a outro momento político importante, quando da tentativa de impedir a posse de  Juscelino Kubistschek à presidente e de seu vice, João Goulart. As manobras de  Lacerda começaram já na campanha eleitoral. O jornal de Lacerda trouxe uma notícia falsa, plantada pelos opositores, que envolvia Jango Goulart com um contrabando de armas da Argentina para o Brasil. Foi o episódio:" Carta Brandi". Mas isso foi desmascarado. Depois de eleito Juscelino, Carlos Luz, presidente interino à época, aliado aos militares e a Carlos Lacerda, tramaram novo golpe. A bordo do Cruzador Tamandaré fizeram uma resistência, mas foram atacados pelo General Teixeira Lott. E o grupo revoltoso perdeu. Carlos Lacerda então exilou-se voluntariamente em Cuba, país ainda dirigido pelo general Fulgêncio Batista.

Depois de pouco tempo, Carlos Lacerda voltou e retomou seu cargo de deputado federal. Começou então a atacar a construção de Brasília. E  foi o principal inimigo de Juscelino. Este disse que jamais permitiu a Lacerda entrevistas pela televisão, pois esse teria poder de derrubá-lo. A televisão era a arma maior de Lacerda.

Em 1961, Lacerda fez , pela televisão, um caloroso discurso contra Jânio Quadros. A renuncia de Jânio aconteceu quase em seguida. E Lacerda foi cognominado: " O Golpista Derruba Presidentes". Quando a capital foi transferida do Rio para Brasília, Lacerda candidatou-se a prefeito do então chamado estado de Guanabara e venceu. Fez um bom governo, com grandes obras, entre as quais o aterro do Flamengo, o Túnel Rebouças, etc. Mas aí chegou 1964 e os militares organizaram-se para  assumir o poder. Lacerda ficou com eles, pois desejava ser presidente da república. Mas as coisas foram diferentes do que ele queria e em 1966, lançou uma Frente Ampla, contra os militares , o que resultou em sua cassação, em 1968.

Em 21 de maio de 1977, morreu Carlos Lacerda, em uma clínica particular do Rio. Houve até comentários de que ele teria sido assassinado pelos militares, o que nunca foi confirmado.

Alem de político agitado e inimigo feroz de vários presidentes, Carlos Lacerda foi ótimo jornalista e escritor. Escreveu  vários livros,  fundou a Editora Nova Fronteira, que editou entre outros: o dicionário Aurélio, de 1975 a  2004. Escreveu os livros: " O Caminho da Liberdade", " O Poder das Idéias", " Brasil Entre a Verdade e a Mentira", " Paixão e Ciúme", " Crítica e Auto-Crítica", " A Casa de Meu Avô". Após a sua morte, foram compilados e publicados: " Depoimento" e " Discursos Parlamentares".