
BIOGRAFIA DE AYRES CAMPOS, EXTRAIDA DO DEPOIMENTO DADO AO MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA, EM 22/10/99
Ayres Campos chamava-se Ayres Kruger da Senna Campos. Nasceu em Uberaba, Minas Gerais, em 26 de maio de 1923. Seu pai Francisco Kruger da Piedade dos Reis Magos da Costa Campos, foi um homem culto, que estudou até em Oxford, e que sabia muitos idiomas, e até 21 dialetos indus. A mãe, Hermilha, teve cinco filhos e vive até hoje, quando está com 95 anos(na data do depoimento). O pai militar, foi adido em Bombaim. Sempre ligado a esportes.
O que marcou a vida de Francisco no entanto, foi o fato de ter trazido gado indiano para Uberaba, numa operação complexa, onde marajás intervieram, num desencontro muito grande. O pai, que imaginava ficar rico com a transação, faliu e acabou indo para Santos, e arrumando emprego nas docas. Os filhos estudaram e Ayres Campos começou a cantar. Cantava na igreja, e onde fosse possível. Logo passou a cantar na Rádio PRC-6. Também ele gostava de esportes e de idiomas como o pai, e foi se transformando num rapaz bonito, parecido com o ator americano Errol Flyn. Chegou a cantar no Teatro Municipal de São Paulo. Já morava na capital. Cantou na Rádio Bandeirantes e depois na Rádio Panamericana. Cantava músicas americanas, italianas e até japonesas.
Fez curso de química e depois começou odontologia. Mas logo viajou para o exterior, pois era irrequieto o nosso Ayres Campos. Fez um curso de aviação nos Estados Unidos. E depois, já na Europa, interessou-se por perfumes e cosméticos franceses. Especializou-se nisso e, de volta ao Brasil, montou um laboratório. Solidificava fragrâncias, e as vendia para as principais farmácias da capital paulista. Voltou-se também para os esportes, como fazia o pai Francisco, e era lutador. Foi assim que começou a atuar em filmes na Empresa Cinematográfica Vera Cruz. Fez os filmes: “Sai da frente” ; “Nadando em dinheiro”; “Veneno”, e vários outros. Era alto e loiro e, sabedor de que a Televisão Record procurava um homem de seu tipo para fazer um herói infantil, apresentou-se e foi escolhido. Era o ano de 1954.
A Record estava dando seus primeiros passos, e o “Capitão Sete” aconteceu. Esse era o nome do personagem que Ayres Campos fazia. E tudo foi preparado para o seu sucesso: roupa desenhada especialmente, música escolhida, hino do Capitão Sete e até um fã-clube foi fundado e roupas iguais foram distribuídas aos meninos, que adoravam o Capitão Sete e que recebiam até carteirinhas de identificação. Esse programa ficou no ar por mais de dez anos. Depois disso, Ayres Campos, que sempre teve tino comercial e espírito de luta, criou uma empresa de fantasias infantis, não apenas de seu personagem, mas também de heróis estrangeiros, como “Super-homem”, e vários outros. Criou ainda a Revista do Capitão Sete. Ficou representando heróis americanos e depois japoneses. Com isso ganhou muito dinheiro. Ayres Campos casou-se, teve dois filhos que são advogados e que lhe deram dois netinhos.
E assim Ayres Campos foi levando sua vida, distante da televisão, mas com ela no coração, pois jamais se afastou da arte, do sonho, da ilusão, do prazer de divertir as crianças. Tanto que hoje, com 76 anos( na ocasião do depoimento) estava se organizando para produzir um filme de aventuras, que reúneiria o gado zebú, com o começo de seu transporte para o Brasil. Nesse filme, mesclará sua vida e a de seu pai, que é para ele, um verdadeiro herói. Ayres Campos entusiasmado, esperava ainda ter a glória que teve no tempo do “Capitão Sete”..
Ayres Campos faleceu em 11 de Julho de 2003.