
RESUMO DO DEPOIMENTO DE ALVARO DE MOYA, PARA O MUSEU VIRTUAL DA TELEVISÃO BRASILEIRA - EM MARÇO DE 1998
Álvaro de Moya é filho de um coronel
reformado da antiga Força Pública do Estado de São Paulo, de nome Salvador, e de
dona Amélia. Irrequieto, tenaz, inteligente e vivo, Álvaro não gostava muito de
estudar. Quando o pai perguntava: “Você quer ser engenheiro, médico ou advogado
?“ Ele respondia: “Quero ser desenhista de histórias em quadrinhos”, para
desespero do pai. Com 10, 12 anos, outra paixão dominou o menino: o cinema.
Assistia uma sessão atrás da outra, nada o satisfazia. Também gostava de ler.
Lia de tudo e sabia um pouco de tudo. Uma vez, porém, ouviu na escola, uma frase
que passou a ser seu lema: “Res, non verba” (Ação, e não palavras). Na verdade a
primeira paixão de Moya foi pelo desenho. E esse seu amor pelo desenho e pelo
cinema, o levou para a televisão. Foi através de um telefonema a Walter George
Durst, que Moya, bastante jovem, se entrosou com aquele grupo também jovem, que
preparava a novidade: lançar a televisão no Brasil. Conheceu e gostou não só de
Durst, mas de Cassiano Gabus Mendes, de Silas Roberg, de Dionizio Azevedo. E
coube a ele fazer a história de inauguração da PRF3-TV, a 1a emissora da América
Latina. Mas, irrequieto que era, logo conseguiu uma bolsa e foi para os Estados
Unidos, para ver de perto tanto a televisão, como seu amor maior: a história em
quadrinho. E conseguiu muita coisa. Esteve com personalidades e aprendeu
detalhes que mais tarde trouxe para o Brasil. De volta casou-se com a atriz
Anita Greiss, com quem teve 2 filhos. Acompanhando Demerval Costa Lima, ex
diretor geral das Emissoras Associadas, Moya foi para a TV Paulista, que mais
tarde transformou-se em TV Globo. Ali foi seu braço direito. Foi diretor de TV,
criativo e original. No corte de imagens, era imbatível. A seguir foi para a TV
Excelsior, que a seu ver, criou a verdadeira TV Brasileira moderna, com grade de
programação vertical e horizontal. Aí formou, ao lado de Cyro Del Nero, a dupla
que fixou a imagem daquela televisão, e foi Moya que conseguiu uma coisa nova em
televisão: a pontualidade, que até então não existia (Os programas entravam no
ar, mais ou menos às ... ) Moya esteve também na TV Bandeirantes, e outra vez na
missão importante: Colocar no ar a emissora. Escolheu o dia 13 de maio, já que a
televisão seria (em São Paulo) o canal 13. E conseguiu a façanha, tendo ficado
72 horas sem comer nem dormir, só trabalhando. Na TV Cultura sua missão foi
angariar apoio da iniciativa privada, àquela emissora estatal. Além disso Moya
foi, por 20 anos professor da Universidade de São Paulo, na matéria Comunicação.
Hoje, aposentado, tem uma empresa, e dá palestras, entrevistas, sendo também o
Vice- Presidente da Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira. É ainda
lépido, inteligente, vivo e “teimoso”, como ele mesmo diz: “It is may way”,
sempre pronto a aceitar desafios e novos caminhos.