
BIOGRAFIA DE AGNALDO RAYOL, PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA EM SETEMBRO DE 1999
A carreira de Agnaldo Rayol, uma das
maiores e melhores vozes masculinas deste país, começou, poder-se-ia dizer
assim, quando ele tinha apenas três anos de idade. Como já gostava de cantarolar
os sucessos da rádio, seu tio Edgard teve a idéia de levá-lo a um posto de
correios e telégrafos, onde se gravavam disquinhos de papelão, em processo
semelhante às gravações de acetato, e pedir-lhe que repetisse ali, à sua
maneira, canções dos anos 40 como “ Morro de Santa Tereza”, “Pombo Correio”,
“Renuncia” e “Adeus”. Os dois disquinhos foram oferecidos a seus pais Agnello e
Rosita.
A carreira de cantor foi decidida bem cedo, entre os 8 e 9 anos, quando
participou do programa “Papel Carbono” de Renato Murce, na Rádio Nacional do
Rio, interpretando a canção “Matinatta” de Leoncavallo. O sucesso foi tanto que
logo em seguida, convidado pelo diretor José Carlos Burle, da Atlândida
Cinematográfica, Agnaldo é chamado a estrelar-cantando e representando o filme
“Também Somos Irmãos” , ao lado de Grande Otelo, Vera Nunes, Jorge Dória e Ruth
de Souza. Foi nesse filme que, pela primeira vez, cantou acompanhado de
orquestra, regida pelo célebre maestro Lyrio Panicalli.
Aos 12 anos, no entanto, sua família deixou o Rio. Seu pai, que era marítimo,
fora transferido para Natal, no Rio Grande do Norte. Durante os seis anos que lá
passou, atuou nas Rádios Poty e Nordeste, cantando e atuando em rádio-novelas
locais.
Pouco tempo depois, Agnaldo é de novo convidado a fazer cinema, voltando ao Rio
para filmar ‘Maior que o Ódio”, junto com Anselmo Duarte, Ilka Soares, Jorge
Dória e, o outro menino da história, o hoje conhecido escritor Ivan Lessa, um
dos fundadores do jornal “O Pasquim”.
Quando completou 18 anos, voltou para o Rio e assinou com a Rádio Tupi, como ator,
usando o nome de Agnaldo Vasconcellos. Mas, algum tempo depois, o diretor J.
Antonio Dávilla leva-o novamente para a música e Agnaldo vai cantar na TV Tupi,
no “Festival de Vozes’, Interpretando “Ave Maria” de Vicente Paiva e, no
programa seguinte, a “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso.
Em 12 de outubro de 1957 aconteceu o que Agnaldo Rayol considera o verdadeiro
início de sua vida profissional: foi contratado pela TV TUPI, pelas mãos do
apresentador Ribeiro Filho, e cantou “Make Believe” ( tema do musical da
Broadway, “Show Boat” ), sendo aplaudidissimo pela platéia do programa “Coca
Cola para milhões”. Em seguida, Cassiano Gabus Mendes, à época diretor artístico
da TV TUPI, convidou-o para apresentar um programa – “ Sonhos Musicais “ - , que
ficou quatro anos no ar. Agnaldo radicou-se, então, em São Paulo.
Em 1958, gravou seu primeiro disco, o 78 rpm com “Se todos fossem iguais a você”
e “Prece”, sucedido pelo LP ( que leva o nome do cantor ) incluindo músicas de
Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Dolores Duran. O segundo Lp – “Sonhos Musicais”
– sairia no ano seguinte, mesclando músicas brasileiras a outras italianas e
americanas.
No cinema, voltou a atuar – entre 58 e 61 – em filmes como “Uma certa Lucrecia”,
com Dercy Gonçalves,: “Garota Enxuta”, com Ankito e Grande Otelo: e mais quatro
com Mazzaroppi, num dos quais fazia dueto cantando com Hebe Camargo.
Em 1961 retornou ao Rio para fazer, no Golden Room do Copacabana Palace, o Show
“Skindô”, produzido por Abraão Medina, ao lado de Moacir Franco, Odete Lara,
Elizabeth Gasper, Gina Lê Feu, as Irmãs Marinho, o trio Irakitan e cantoras como
Lenita Bruno e Marly Tavares. Nesse musical, atuava como bailarina, ainda bem
jovem, a hoje consagrada atriz Beth Faria. O espetáculo teve direção musical e
regência do maestro americano Bill Hitchcock e coreografia da também americana
Sonia Shaw.
Em 1964, Agnaldo fez suas primeiras novelas – “Mãe” - , na TV Excelsior,
estrelando ao lado de Tarcisio Meira e Lolita Rodrigues, e logo depois, “O
Caminho das Estrelas”, com Procópio Ferreira, Arlete Montenegro, Paulo
Figueiredo, Geny Prado e Glauce Graieb.
O auge de sua carreira chegou, então, em 1965, quando a TV Record o contratou para
fazer o programa “Corte Rayol Show”, ao lado do comediante Renato Corte Real, um
dos maiores campeões de audiência da TV na época, que com a saída de Renato,
viraria “Agnaldo Rayol Show”, dois anos depois, com outra edição especial (além
da TV Record de SP) apresentada diretamente da TV Rio, ao vivo.
Sucessos inesquecíveis de Agnaldo que freqüentaram as paradas de sucesso em todo
o Brasil foram:, “A Praia” “Acorrentados” “A Tua Voz” “O Princípio e o Fim”, “A
Noiva”, “O Amor é Tudo”, “Mente-me”, “O Velho e o Novo” e “ E a Vida Continua”,
entre muitas outras.
Em 1968, atuou como par de Suzana Vieira na novela “A Última Testemunha”, na TV
Record. O autor era Benedito Rui Barbosa e a amizade entre os dois está
completando mais de 30 anos. Em 1969 voltou ao cinema em “Agnaldo, perigo a
vista”, ao lado de David Cardoso, Milton Ribeiro e com as participações
especiais de Wanderléia, Erasmo Carlos, Ronald Golias e Jô Soares.
Entre 1970 e 71, com enorme sucesso, esteve em “As Pupilas do Senhor Reritor”, junto
com Carlos Augusto Strasser, Fúlvio Stefanini, Márcia Maria, Lolita Rodrigues e
Laura Cardoso
A novela ficou um ano no ar, batendo recordes de audiência.
Com o advento da discotheque, que reinou durante quase uma década, Agnaldo
resolveu fazer um retiro, deixando de gravar discos entre 1972 e 82. Mas não
ficou parado: durante esse tempo. Continuou fazendo shows, pintou muitos quadros a óleo
e lançou seu livro de poesias “Agnaldo Rayol, Poeta”, Convidado por Walter
Avancini, retornou à televisão em 1979 na novela – a última da TV TUPI, que então
fechava as suas portas – “Como Salvar Meu Casamento”.
No ano seguinte, a TV Bandeirantes o contratou para estrelar ao lado de Elaine
Cristina, Roberto Pirillo e Altair Lima a novela “A Deusa Vencida”. Sucedida, em
1981, pelo enorme campeão de audiência que foi “Os Imigrantes”, quando
tornou a
trabalhar com o autor Benedido Rui Barbosa.
É em 1982 que Agnaldo passou a comandar um programa que ficou 8 anos em cartaz
com o mais absoluto sucesso: o “Festa baile” da TV Cultura de São Paulo,
transmitido em rede para todo o Brasil. Durante esse tempo, cantou ao lado de
artistas como Elis Regina, Milton Nascimento, Chico Buarque, Ângela Maria,
Caetano Veloso, Silvio Caldas, Cauby Peixoto, Elizeth Cardoso, Clara Nunes e
muitos outros grandes nomes da MPB.
Em 1993 foi chamado a interpretar um dos principais temas da novela “Renascer” – a
romântica “Em nome do amor”, que seria depois regravada pela dupla Leandro e
Leonardo.
Em 1996, a música que gravou – junto com Chrystian & Ralf – para a novela “O Rei
do Gado” chegou ao primeiro lugar das paradas. É a recriação magistral do antigo
sucesso de Vicente Celestino, “Mia Gioconda”.
Nos anos 1996 e 97 lançou dois Cds pela BMG, o segundo dos quais comemorando seus
40 anos de carreira. Ao todo, foram 45 lps lançados, não incluídos nesse total
os 78 e os 45 rpm, os compactos simples e os duplos.
Durante 1998, apresentou o programa “Noite de Gala”, diretamente do Teatro Ópera
de Arame em Curitiba, através da CNT.
Agora, é a vez da potente e sensível voz de Agnaldo Rayol interpretar os
sucessos italianos – que tanto povoaram sua infância e adolescência e que vêm
diretamente de seu ambiente familiar e de seu profundo e pessoal sentimento
musical – no álbum “Tormento D’Amore”.