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ADRIANO STUART

BIOGRAFIA DE ADRIANO STUART, EXTRAÍDA DO DEPOIMENTO DADO AO MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA, EM 17/03/99

Adriano Stuart nasceu em família de circo. Seu nome é Adriano Roberto Canales e a data de seu nascimento é 19 de fevereiro de 1944. Em sua árvore genealógica há franceses, alemães, italianos, mas na maioria são espanhóis. O avô veio para a Argentina em 1910 e para o Brasil, mais ou menos em 1920.

Foi aqui que nasceu o pai de Adriano, Walter Stuart. Walter, que nasceu no circo, logo ficou fazendo parte dos espetáculos e, quando adulto, casou-se com uma admiradora de nome Moralina. Vieram a casar-se e tiveram três filhos, um dois quais, Adriano. A infância deste foi também dentro do circo, que ele adorava. Desde que nasceu, todo bebê que aparecia nas pecinhas, colocavam o Adriano. Em 1950 o avô vendeu o circo e todos vieram para São Paulo. Foi quando conheceram a TV Tupi, recém inaugurada e precisando de todo tipo de mão de obra.

O engraçado é que ele, com sete anos, foi contratado como ator, mas o pai Walter e o tio Henrique Canales, foram aceitos na direção do estúdio e na produção. Também foram contratados: a tia Catty Stuart, bem como a mãe de Adriano, Mora Stuart. Estava instalado “o circo” na televisão, pois não demorou muito para que o pai lançasse as atrações circenses, no programa que ficou famoso: “Circo Bom-bril”. Adriano, porém, fez carreira solo. Aparecia nos “Grandes Teatros”, “TVs de Vanguarda”, “TVs de Comédia”. Adriano fazia também rádio, com carteira assinada e tudo.

Os papéis foram se sucedendo, os amigos aparecendo e Adriano aprendendo. Logo fez cinema. Fez “O Sobrado” dirigido por Cassiano Gabus Mendes, onde era um garoto. Foi ficando adolescente, adaptando-se, e, bem jovem, passou a dirigir programas. E foi nisso que se salientou. Dirigiu “Ritinha Salário Mínimo”, e gostou. Ele tinha passado pela TV Record, onde dirigiu uma novela de Lauro Cesar Muniz. Depois voltou para a TV Tupi e em 1972 foi para a TV Globo. Escreveu a série “Shazan e Sherife” e por cinco anos dirigiu “Os Trapalhões”. Dirigiu também vários outros programas de humor. Dirigiu Costinha, Dercy Gonçalves, Dedé Santana, Renato Aragão. Com todos se deu bem, e o que achou mais difícil foi dirigir o pai, Walter Stuart, que era “criativo” demais, e improvisava a cada segundo. Adriano Stuart achou sempre tempo de fazer cinema. Fez um total de trinta filmes, começando com “O Sobrado”. Foi diretor e às vezes ator. Participou de: “Cada um dá o que tem”, “Trapalhões na Guerra dos Planetas”, “O Cinderelo Trapalhão”, “Os Saltimbancos Trapalhões”, “O Incrível Monstro Trapalhão”. Além da série dos “Trapalhões”, fez: “O Bacalhau” , “Chão Bruto”, “A Noite dos Duros”, Ä Vingança”, “Fofão e a nave sem rumo”, e muitos outros.

Mas a vida artística é cheia de altos e baixos. O Brasil passou por uma fase depressiva. Com isso Adriano passou grande tempo sem trabalhar. E dizia, entre amargo e irônico: “Sou um dos 25 milhões de desempregados do país”.

Entretanto, logo apareceram convites para o cinema. Fez "Boleiros" (1998), "Urbania" (2001), "O Príncipe" (2002), "Garotas do ABC" (2004) e Boleiros 2 (2006).

E assim Adriano Stuart vai levando sua vida, sempre a procura da felicidade, da paz, do bem estar. Para ele o amor é fundamental. Amor pelos pais, pelos filhos, e ele tem três, por tudo o que faz e que o rodeia. Inteligente demais, inquieto demais. Esse é Adriano Stuart, que, como ele mesmo diz, nem escolheu sua profissão. Foi escolhido por ela, pois nasceu dentro dela, por toda a sua vida, sempre, eternamente.