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MAZZAROPI


Mazzaropi chamava-se Amácio Mazzaropi. Ele nasceu no dia 9 de abril de 1912.

Filho de Clara Ferreira e Bernardo Mazzaropi. Neto de italianos, por parte de pai e portugueses por parte de mãe, eram eles bem modestos. Ele, motorista de praça, ela, empregada doméstica. Mas Mazzaropi tinha um avô artista e muitas vezes o acompanhou em espetáculos de circo, ou quando o avô tocava viola nas festas de Taubaté, onde morou. Em São Paulo, no bairro do Belém, Mazzaropi começou a estudar e além de ser ótimo aluno, tinha facilidade para decorar poesias e as declarava em festas da escola. Fazia sucesso. De volta à Taubaté, o menino continuava sonhando com a arte e pensava em ir embora com cada circo que passava pela cidade. Acabou voltando à capital e aos 14 anos viajou com o circo La Paz.

Começou a se apresentar contando piadas em público. Trocou a certidão de idade. Passou de 14 para 19 anos e assim ficou “maior”, para contar piadas e fazer rir em paz. Amácio convenceu os pais e os levou à arte. Formou seu próprio pavilhão. Viajou pelo interior do país, mas foi na capital paulista que, a 18 de setembro de 1950, foi convidado para a inauguração da TV Tupi, a pioneira. Em poucos dias criou o programa: “Rancho Alegre”, e escolheu sua parceira Geny Prado. Nascia nesse momento um ídolo incomparável no cenário artístico brasileiro. Ainda que tendo sangue europeu, por parte de pai e mãe, Mazzaropi era um puro caipira brasileiro. Ladino, esperto, romântico, cantador. E acima de tudo, esperto. A porta aberta pela TV TUPI de São Paulo, não foi a única.

Meses depois ele também inaugurou a TV Tupi do Rio de Janeiro e logo se transformou no maior caipira de todo o Brasil.Ficou sendo, aliás, o único artista a inauguraras duas primeiras emissoras do Brasil. Mazzaropi fez também fez incontáveis shows em teatros brasileiros. Daí para o cinema foi um pulo. Foi para a Companhia Vera Cruz e filmou: “Sai da Frente”. A estréia no cinema o projetou ainda mais. Teixeira Filho escreveu e Mazzaropi interpretou: “O Meu Mundo é Aquele Rancho”. O jornal “A Hora” contou sua vida em capítulos. E tudo que enfocasse “o caipiraladino”fazia sucesso. A Vera Cruz acelerou o filme “Nadando em Dinheiro” e também “Candinho”. O caipira engraçado e esperto, que Mazzaropi criou, fez cada vez mais sucesso. Fez para a Fama Filmes: “Carrocinha” e “El Cid”. Seu 5º filme foi: “O Gato de Madame”.

Aí ele assinou contrato com a Cinelandia Filmes e fez os filmes: “O Fuzileiro do Amor” e “O Noivo da Girafa”. Oswaldo Massaini, da Cinedestri, também se interessou por ele e juntos fizeram o 8º filme: “Chico Fumaça”. Em 1961 Amácio Mazzaropi adquiriu 184 alqueires de terra da Fazenda da Santa em Taubaté e iniciou a construção de seu estúdio cinematográfico: “Pam Filmes”. Realizou ali: “Tristeza do Jeca”; em Eastmacolor. Ainda no mesmo ano fez: “O Vendedor de Lingüiça”. Em 1962 Mazzaropi completou 50 anos. “Tristeza do Jeca”, lhe deu o prêmio de melhor ator,e a Genésio Arruda o prêmio de ator coadjuvante e de melhor música foi para o maestro Ector Lagna Fietta, da TV TUPI. Vem daí o grande passo: Mazzaropi arrematou em leilão a metade dos equipamentos da Vera Cruz. Realizou então: “Meu Japão Brasileiro”; “O Puritano da Rua Augusta”; “O Corinthiano”; “Jeca e a Freira”, que foi seu 20º filme. Produziu: “Uma Pistola para D Jeca”; “Betão Ronca Ferro”; “O Grande Xerife”; “Um Caipira em Bariloche”; “Portugal Minha Saudade”; “Jeca Macumbeiro”; “Jeca Contra o Capeta”; “Jecão… Um Fofoqueiro no Céu”; “Jeca e seu Filho Preto”; “A Banda das Velhas Virgens”; “O Jeca e a Égua Milagrosa”.

Preparou então: “MariaTromba Homem”, que nunca foi filmado, pois Amácio Mazzaropi faleceu no dia 13 de junho de 1981 e foi sepultado em Pindamonhangaba, São Paulo, onde seu pai Bernardo já estava enterrado. Mazza, como os amigos o chamavam, estava com 69 anos de idade, Seu enterro foi um acontecimento, diz o ator João Restiffe, seu amigo e companheiro em vários trabalhos.

A universidade de Taubaté e o Hotel Mazzaropi assinaram um acordo de comodato e o Museu do Homem Caipira foi transferido para uma área cedida pelo hotel. O acervo de Mazzaropi foi aberto ao público, e se transformou em Museu Mazzaropi. Sempre no mês de abril na cidade de Taubaté começou a ser promovida a Semana Mazzaropi, pois ele é o verdadeiro representante do caipira brasileiro, aquele que é antes de tudo, um forte. E a cidade de Taubaté se transformou em um centro de cultura, que atrai muitos estudiosos sobre a arte, que, sem dúvida, Amácio Mazzaropi ajudou a criar.

 
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