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MAURÍCIO SHERMANN


O nome de Maurício Shermann é Maurício Shermann Nizenbaum. Pais poloneses: Hershek Garshen e Nesha Shermann. O pai era alfaiate e a mãe modista. O filho nasceu em Niteroi, estado do Rio, em 31 de janeiro de 1931. Foi muito cedo para a escola, mas o que ele gostava mesmo era de sair fantasiado no carnaval.

De cossaco, cigano, toureiro… , fazia bonito sempre. Estudou até se formar em Direito na Universidade Fluminense. Mas o primeiro trabalho já foi em rádio, com 16, 17 anos. Rádio Guanabara, a primeira emissora. Era ator. Mas no começo fazia papel de “todos”, povo, figuração. Onde estivesse escrito: Todos: “Vivao rei”, lá estava Maurício gritando: “Viva o rei”. Mas gostava e já encontrou uma turma boa: Chico Anysio, Fernanda Montenegro e outros. Tinha humor e começou a ser aproveitado em programas humorísticos. Continuou a seguir, em teatro na Companhia de Graça Mello.

Seu primeiro papel foi de um índio peruano de 80 anos. E ele era russo, de olhos azuis, cabelos vermelhos e tinha 17 anos.”Mas dei um jeitoe o índio ficou ótimo”, diz Shermann. Logo, porém, foi para São Paulo, para trabalhar na TV Tupi, onde atuou nas peças infantis de Julio Gouveia e Tatiana Belinky. Depois foi para a TV Paulista, que funcionava num prédio de apartamentos de dois quartos, sala e cozinha. “Uma loucura!”, diz ele, que até hoje, ao recordar, não acredita que ali foram feitas peças clássicas, como “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Hamlet”, e tantos outros. Maurício, nos seus 19 anos, estava encantado. Eram emoções demais. Continuava ainda em teatro e fazia Rio-S.Paulo de trem, pois tinha que dar conta de sua faculdade. Conheceu Max Nunes, e este foi o seu guru. Logo a seguir, começou a dirigir. Era empreendedor, destemido e tinha liderança.

Fez muitos programas humorísticos, entre os quais: “Uma pulga na camisola”. Fazia muitas amizades e foi ele quem conseguiu com o escritor Jorge Amado, os direitos de “Gabriela, Cravo e Canela”, onde fazia um papel de coronel, e também era diretor. Diz ele que tinha várias funções, para poder ganhar um dinheirinho a mais, pois não tinha recursos sequer para comprar um televisor. Continuava ainda em teatro, tendo estado na Companhia de Eva Todor, do Jaime Costa e na Companhia Dramática Nacional. Nessa época foi para a TV Excelsior, onde lançou um show de muito sucesso: “My Fair Lady”.

Até que, por intermédio de Mauro Salles, foi para a TV Globo. Aliás na Globo esteve por cinco vezes, sempre entrando e saindo, pois de gênio forte, de vez em quando se insurgia contra uma ordem superior. Mas voltava, sempre criando novidades, sempre inovando. Fez o programa “Cariocas e Paulistas”, quando começou o linkRio-S.Paulo, na mesma tela dividida. Na sua volta à Tupi do Rio lançou “Jerônimo, o Herói do Sertão”, que era tanto sucesso, que ganhava da Globo. Também era dele a direção do programa “Flávio Cavalcanti”. Assim como foi dele o famoso: “Noite de Gala”. Na sua segunda estada na Globo fez: “Faça humor, não faça guerra”, “Moacir Franco Show” e dirigiu o “Fantástico”, “Chico Anysio” e “Os Trapalhões”, além de ser diretor artístico do infantil “TV Colosso”.

Já não era mais ator, só diretor, e foi assim que fez mais de 4.000 programas. Esteve ainda na TV Educativa e na TV Bandeirantes em São Paulo. Esteve ainda na TV Manchete, onde lançou Xuxa, que namorava Pelé, muito amigo seu e, posteriormente, lançou Angélica. Foi Maurício Shermann quem as descobriu. Nessa emissora fez ainda “Bar Academia”, o que o enche de orgulho. Assim como se orgulha de lembrar que colocou o Carnaval na Manchete, o que marcou muito a emissora.

Sempre muito ligado à música, aos espetáculos, foi ele que dirigiu o “Evita”, estrondoso sucesso com a cantora Claudia, no papel título e Mauro Mendonça como Peron. Atualmente na Globo, o incansável Maurício Shermann foi diretor de núcleo e é chamado de Cecil B.D. Milles brasileiro, com seusmais de 5.000 programas, como ele refazendo as contas, diz. Hoje dirige o programa “Zorra Total”, de humor, de alegria, que é assim como ele, um programa que tem tudo.

Quando perguntado quem é ele, Shermann responde, e se emociona: “Um profissional que começou na época romântica da televisão, e que ainda hoje é fiel ao idealismo, à ética e à dignidade, que não fez fortuna, mas proporcionou grandes fortunas aos inúmeros artistas que lançou”.

 
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