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MARCELO REZENDE


Marcelo Luiz Rezende Fernandes nasceu no Rio de Janeiro, em 1951.  Mesmo não tendo formação acadêmica superior, destacou-se no jornalismo trabalhando nas redações das maiores organizações de mídia do país, no grupo Globo, na Editora Abril, na Record, na RedeTV e na Band.

Como muitos da sua geração, o jovem carioca de classe média baixa não queria estudar e virou hippie na Bahia. Mas aos 17 anos se matriculou num curso técnico de mecânica. Um dia foi visitar a redação do Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro, com o primo Merival Júlio Lopes, que trabalhava lá. No local, se ofereceu para ajudar um senhor que datilografava uma relação de clubes de várzea. Ele era o diretor do jornal, que convidou Marcelo para estagiar. No Jornal dos Sports Rezende ficou até os 19 anos.  Não deu muito certo e recebeu um conselho: “Volta para a mecânica, você não leva o menor jeito para ser jornalista, não presta atenção em nada“, disse seu chefe. Mas o jovem Marcelo fez muitas amizades e com isso conseguiu uma vaga na Rádio Globo. Em 1972, foi convidado para trabalhar no jornal O Globo onde se aproximou do ídolo Nelson Rodrigues e do colega Tim Lopes.

Após sete anos em O Globo foi trabalhar na Placar, da Editora Abril. Ficou nas reportagens por oito anos e meio, cobrindo inclusive a seleção em duas Copas. Nessa época esteve no “Roda Viva”, da TV Cultura, onde Ayrton Senna era o entrevistado.

Em 1987 entrou para a área de esportes da Rede Globo. Cobriu os clubes do Rio e esteve em transmissões de jogos onde atuou com Galvão Bueno e Chico Anysio, nas suas investidas no mundo esportivo. Foi transferido para a editoria “Geral”, onde seu talento para repórter investigativo começou a ser notado. Misturando reportagens sobre o “Rock in Rio”, a primeira rede de telefonia celular do Brasil ou o funeral de Ayrton Senna sua familiaridade com os temas sociais falava mais forte. E isso tinha uma inspiração na família: seu pai era diretor de uma unidade para menores infratores. Marcelo Rezende começou a ser escalado para matérias policiais: sequestro do empresário Roberto Medina, o paradeiro de PC Farias, invasões do MST, pirataria fonográfica, corrupção na CBF, o caso do ‘maníaco do parque” e outros.

Em 1997, uma reportagem iria mudar a história do repórter. Marcelo foi o narrador e principal repórter do caso acontecido na Favela Naval, em Diadema, SP, quando um cinegrafista amador registrou policiais atirando em pessoas durante uma operação. O caso se agravou e uma longa historia de abuso policial foi denunciada. Marcelo Rezende levou cinco dias confirmando a veracidade das imagens, com a ajuda de uma equipe de 13 profissionais. A serie virou um marco em sua carreira e na historia do jornalismo policial na tv. O caso da Favela Naval mudou a questão dos direitos humanos no Brasil: o tema passou a ser disciplina na formação de policiais e o governo criou a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos.

Em 1999 a Globo sentiu a necessidade de abrir um horário exclusivo para o jornalismo policial e lançou o “Linha Direta”, no horário nobre. Rezende foi escalado como apresentador. O programa misturava jornalismo com a dramatização de casos reais e caiu no gosto do público, que participava, fazendo denuncias e colaborando na procura de foragidos da justiça.

Marcelo deixou a Globo em 2002 e nesse ano foi para a RedeTV onde apresentou o ”Repórter Cidadão”, até 2004.

Em 2005 e 2005 esteve na Record comandando o “Cidade Alerta”.

Em 2006 voltou para a RedeTV para fazer o telejornal “RedeTV News” por dois anos, como apresentador no formato clássico.

No dia 3 de novembro de 2008, Marcelo Rezende deixou a emissora. Em setembro de 2009 assinou contrato com a Band para apresentar o programa “Tribunal na TV”.  A nova atração era semelhante ao “Linha Direta”, com dramatizações de histórias, mas  somente do ponto de vista do judiciário: acusação, defesa, julgamento, sentença. O cenário era similar a um tribunal e não tinha o objetivo de encontrar fugitivos.

Em setembro de 2010 recomeça na Record, fazendo grandes reportagens do “Domingo Espetacular”. Na emissora assume o comando do “Repórter Record”, em 2011 e no ano seguinte passa a comandar novamente o “Cidade Alerta”.

Pelo fato de ser especialista em jornalismo investigativo Rezende se envolveu em muitas polemicas. Uma delas foi a reportagem mostrada no programa “Domingo Legal”, do SBT, que colocou no ar mascarados ameaçando de morte ele, Marcelo, José Luiz Datena, Hélio Bicudo, Geraldo Alckmin, e até o padre Marcelo Rossi. Marcelo desconfiou da matéria e resolveu investigar. Era uma farsa, uma “armação” para conquistar audiência. A polícia entrou no caso e tudo foi revelado. A repercussão negativa para Gugu Liberato foi grande.

No “Cidade Alerta” Rezende popularizou bordões como “Corta pra mim!” e “Bota exclusivo, minha filha, dá trabalho pra fazer”. E enfrentou fases com o programa no ar por 4 horas, devido seu sucesso de audiência.

Em 14 de maio de 2017, a Record revelou no “Domingo Espetacular” que o jornalista estava com um diagnóstico de câncer. Sua rotina em busca da cura foi acompanhada pelo público. Mas a doença venceu.  Ele morreu no dia 16 de setembro de 2017 às 17h45 no Hospital Moriah, em São Paulo.

O jornalista foi pai de quatro filhas e um filho, com idades de 15 a 40 anos, todos de cinco mulheres diferentes. Foi casado durante 19 anos. Ele tinha dois netos, um irmão não biológico e uma prima como colega de trabalho, a repórter Adriana Rezende, da Record Rio. Marcelo afirmava crer em Deus, mas na tinha filiação religiosa.

No Festival de Filme e Televisão de Nova York de 1994 recebeu um Diploma de Honra ao Mérito pelo seu trabalho na reportagem “Trabalho do Menor” exibido no “Globo Repórter”. No Troféu APCA de 1998 ficou com o prêmio de Telejornalismo pelas matérias sobre a Violência Policial em Diadema. Pelo mesmo tema recebeu o Prêmio Líbero Badaró de 98.

Em 2013 Marcelo Rezende lançou o livro “Corta pra Mim: os Bastidores das Grandes Investigações”, pela Editora Planeta.

1987 – 1990 Globo Esporte Globo Repórter
1990 – 1999 Fantástico Globo Repórter
1990 – 1999 Globo Repórter Globo Repórter
1990 – 1999 Jornal Nacional Globo Repórter
1999 – 2000 Linha Direta Globo Apresentador
2002 – 2004 Repórter Cidadão RedeTV! Apresentador
2004 – 2005 Cidade Alerta Record Apresentador
2006 – 2008 RedeTV! News RedeTV! Apresentador
2010 Tribunal na TV Band Apresentador
2010 – 2011 Domingo Espetacular Record Repórter Especial
2011 – 2012 Repórter Record Record Apresentador
2012 – 2017 Cidade Alerta Record Apresentador

 

Revisada em 17-09-2017 / M.A.Z.

 
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